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segunda-feira, 23 de Abril de 2007
JAMES WATSON : FATALISMO GENÉTICO
O descobridor do ADN molecular – ácido desoxirribonucleico – a maior descoberta
científica depois do big-bang, não tem necessariamente que ser um homem
inteligente. Nem lúcido. Nem brilhante. Nem um pensador que saiba filosofar
sobre a própria especialidade, ter ideias gerais sobre informações particulares.
Deram-lhe o prémio Nobel. Claro. Para isso existe o Prémio Nobel.
De facto, o descobridor do ADN, magnificamente entrevistado pela jornalista
Teresa Firmino, no jornal «Público» de 31 de Março de 2007, não tem duas frases
seguidas que se diga benza-te deus. E uma que de vez em quando se aproveite.
Foi esquerdista, outrora, e esse esquerdismo criou-lhe um complexo de esquerda
de que parece não se ter curado. Parece fatalidade genética.
Ignorando completamente a última tendência da biologia molecular – de que são
ilustres representantes o francês Etienne Guillé e o norte-americano Deepak
Chopra (ver «Cura Quântica») - para ele parece existir apenas a da manipulação
ou engenharia genética.
Mais grave do que os equívocos (de ordem filosófica e ideológica) é a corrente
da ciência genética que ele adopta e patrocina: a da manipulação e engenharia
genética, a perversão total e completa do que foi, de facto, a maior descoberta
de todos os tempos – a hélice do ADN, a unidade primordial da vida.
E não está só nesta ingente tarefa de mudar o bico ao prego, apenas encabeça o
pelotão:
1. «Depois de nascermos, não podemos mudar o nosso ADN» - disse ele à
jornalista.
Errado: conforme Etienne Guillé descobriu, existe o segundo código genético ou
código vibratório que é o código da evolução e que permite a todos os seres
vivos (principalmente o ser humano porque tem consciência disso e é, portanto,
responsável) completar o que o código genético da conservação – aquele de que os
biólogos falam – determina.
Dito de outra maneira: não estamos «condenados» a ser como nascemos (1º código
genético) mas estamos humana e moralmente obrigados a aproveitar e a desenvolver
o segundo código com o qual podemos corrigir os erros do primeiro.
Até o famoso e famigerado Karma – a que alguns chamam lei de causa e efeito -
sai pulverizado desta descoberta de um segundo código.
Usando a lindíssima metáfora proposta por Etienne Guillé: no livro do ADN está
toda a informação do mundo, passada, presente e futura. É a informação presente
e futura que podemos «corrigir» acrescentando os capítulos que faltam ou que
estejam rasurados. São portanto nomes sinónimos: segundo código genético, código
da liberdade, da evolução e da transmutação, código vibratório ou código divino.
Esta última designação é de minha inteira responsabilidade e não foi Etienne
quem o disse, apenas deixou o caminho aberto quando explicou em que consiste o
2º código: na zona do ADN chamada heterocromatina constitutiva existem vestígios
dos 7 metais alquímicos. São eles que garantem a informação intermolecular com o
1º código e permitem, portanto, a alteração ou correcção no tal livro.
Isto não significa que não haja erros irremediáveis de nascimento. Com o código
vibratório descoberto por Etienne Guillé, o menos que podemos afirmar é que são
remediáveis, pelo menos, 50 % dos que hoje se consideram inalteráveis.
Essa é a posição de James Watson, quando disse à jornalista:
«Depois de se nascer, [o ADN ] é bastante intocável. Mas, como se sabe, as
previsões estão muitas vezes erradas.»
É aqui – nas previsões - que eu me atrevo a falar de 50% de probabilidades de
mudança.
2.
«É o ADN que determina o futuro e não um potencial Deus. Não acredito num Deus
pessoal que interfere com as nossas vidas. Não acredito que a oração ajude» -
diz James Watson, fazendo jus ao seu esquerdismo e psicologismo e ateísmo.
Não se trata de crer ou não crer: com a descoberta do segundo código genético,
há apenas factos, experimentalmente comprováveis, há apenas certezas, tal como a
descoberta do primeiro que a ele, Watson, se deve. Certezas que nada nem ninguém
pode abalar.
Estamos para lá da crença, da psicologia, da ideologia, da religião, da conversa
fiada. Estamos no que se designa por funcionamento ortomolecular da célula. Por
isso me atrevi a designar o segundo código (descoberto por Etienne) de «código
divino»: não temos outro remédio senão aceitar que somos filhos do macaco (com
muita honra) mas que também com muita honra somos filhos de Deus.
3.
Onde Watson se mostra mesmo reaccionário até dizer chega é quando alinha, sem
pestanejar, com os da «engenharia genética»: «Estive na China – diz ele – onde a
maioria do algodão vai ser produzido com plantas geneticamente modificadas. Os
transgénicos parecem ser mais eficientes e menos perigosos para o ambiente».
De facto, o descobridor da hélice do ADN não tem que ser inteligente, nem
lúcido, nem sequer brilhante. Pode é ser galardoado pelo Nobel.
Pior ainda é quando vem à tona o seu incurável esquerdismo, esse sim, uma
fatalidade genética de que, aos 78 anos, parece não se poder já livrar:
«A oposição aos transgénicos vem sobretudo das pessoas de esquerda. Antes era-se
pró-comunista, agora não se pode, por isso é-se anti-ADN. A esquerda não gosta
da genética, porque mostra que nem todas as falhas dos seres humanos se devem ao
capitalismo. Pode ser apenas má sorte com os genes que se tem».
Impossível dizer mais asneiras em tão pouco tempo: um biólogo, de facto, não tem
que ser inteligente nem sequer lúcido. Mas fadista e com apelos à má sorte?
Valha-nos Nossa Senhora dos Aflitos.
Fatalidades genéticas, que lhe havemos de fazer?
4.
Só mais uma citação de Watson, porque não quero alongar-me:
«Não sou religioso, não acredito na alma.»
Resposta minha: eu também não acredito, tenho a certeza. Agora e depois do
segundo código genético, ou código vibratório, é a certeza mais certa de todas
as minhas certezas. Porque já não tenho crenças, graças a Deus.
5. Só mais uma:
«Dizer que uma célula contém a alma é tudo superstição. Sou prático: será a
clonagem boa para os portugueses? Talvez. Será má? Não. Refiro-me à clonagem de
células, não de humanos.»
Aqui é que o homem parece tornar-se perigoso, porque o foram chamar para a
Fundação Champallimaud, onde dirigirá um conselho científico e começará a sua
opinião a ter peso internamente: ainda mais com os pesos pesados do PR e do
Primeiro-Ministro que lhe estenderam a passadeira vermelha.
Como não creio em deus e talvez não acredite em bruxas, estou certo de que
Leonor Beleza (em cuja inteligência acredito 100%) saiba gerir este pedregulho
no caminho da tão simpática fundação.
Mas lá que a jornalista Teresa Firmino, do jornal «Público», lhe conseguiu
arrancar algumas inquietantes afirmações, parece-me óbvio e acho que devemos
estar atentos. E agradecer o bom trabalho de uma boa jornalista.
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