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1-2- <tragedia-4-ac-ab>
A IDEIA ECOLÓGICA:
DA TECNOCRACIA À ECO-TECNOCRACIA
• ALGUMAS INVARIÁVEIS
• RECAPITULANDO MATÉRIA DADA
• E AS ECO-ALTERNATIVAS ONDE ESTÃO?
• UTOPIA ECOLÓGICA VERSUS UTOPIA TECNOCRÁTICA
Recapitulando matéria dada e bastante antiga, a maior parte da qual remonta ao
século passado, verifica-se que a ideia ecológica tem evoluído e a actual
eco-tecnocracia não nasceu do nada, tem vindo a ser incubada através de uma
complexa conjugação de forças, na qual as energias cósmicas vibratórias talvez
tenham um papel decisivo mas sempre ou quase sempre omisso mesmo no discurso dos
mais perspicazes críticos e analistas do status quo global.
Se a velocidade a que marcha a história neste tempo e mundo é uma das
características mais evidentes do mundo global – uma das suas constantes
invariáveis em que todos concordam e contra a qual ninguém pode nada - , serve
de enquadramento a tudo o que se quiser dizer ou fazer contra ou a favor da
utopia ecológica.
O congestionamento de dados é outra invariável que nos submerge e afoga: o que
implica um método qualquer – chame-se-lhe holística ou análise global dos
sistemas – para poder avançar e caminhar.
Merda, Morte e Mentira são os três M invariáveis que caracterizam o nosso
tempo-e-mundo e portanto a marcha da ideia ecológica nos últimos 40 anos.
Falei numa terceira geração de tecnocratas e não sei se isso corresponde aos
factos: se não coincidir, aproxima-se: e neste terreno movediço já nos podemos
felicitar com algumas (medrosas ou envergonhadas) aproximações.
A fé na ciência analítica surge como a invariável dominante dos últimos quarenta
anos da história do mundo: mortas as religiões, depois do iluminismo, do
cartesianismo, do positivismo, do cepticismo e outros ismos, nasce sem se
assumir a religião da ciência.
Que, como todas as igrejas, se tornou altamente mortífera, já que existe sempre
aliada aos 3 M da Abjecção antes citados: Merda (a que delicadamente chama
Poluição), Morte ( genocídios, etnocídios, biocídios em vertiginosa carreira e
dos quais lava a as suas mãos) e Mentira (a manipulação de almas e consciências
a que o sistema sistematicamente recorre para exercer sem embargos o seu poder
de destruição dos ecossistemas).
A utopia ecológica ainda teve fôlego para propor um tribunal universal de
direitos para todos os seres vivos, em que se julgassem os crimes desse tipo.
Felizmente que nunca ninguém de bom senso ligou à ideia e hoje teremos apenas
que confiar na justiça cósmica e na deusa Maat que preside ao tribunal de
Osíris.
Como tenho dito, uma das componentes da tragédia actual – minha e dos
eco-tecnocratas - é que todos somos culpados, não haver portanto ninguém de fora
– a não ser Deus - que nos possa julgar.
Todos os dias se acrescentam novos itens à lista das abjecções da Abjecção
contemporânea. A lista negra dos produtos químicos no Ambiente, por exemplo,
atinge cifras astronómicas. Tal como acontece com o congestionamento de dados
(citado antes) é a quantidade que esmaga qualquer hipótese de estudo, análise e
crítica do fenómeno, justificado então por outro leit-motiv do sistema que vive
de ir matando os ecossistemas: «é o progresso, amigos, é o preço do progresso. E
quem não quiser, que se mude.»
Ou seja: como consumidores dos produtos da indústria que polui e mata, somos
automaticamente cúmplices e portanto reduzidos automaticamente ao silêncio. Não
há defesa do consumidor, há organizações que recuperaram eco-tecnocraticamente a
defesa do consumidor. A publicidade nobre como se pode verificar lendo as
revistas mais conhecidas do ramo.
Outra invariável da Abjecção e que nada tem a ver com Ambiente: não há saída e o
1% de hipóteses teriam que vir das tecnologias alternativas de vida – aquilo a
que o realismo ecológico chamou «sociedade paralela» e aquilo a que, na década
heróica do movimento ecológico em Portugal se chamou eco-tecnologias,
tecnologias suaves, alternativas de vida.
Tudo isso, actualmente, caiu no esquecimento. A estratégia imediatista das
organizações ambientalistas em voga, mais do que reformista é pontualista e de
curto prazo, o que o poder político agradece e premeia.
Há muito que não se fala de alternativas de vida, de tecnologias doces, de Ivan
Illich e de E.F. Schumacher.
Sem nostalgias nem saudosismos, isto tem que ser verificado e dito, embora,
claro, não tenha nada a ver com Ambiente.
Mesmo que não haja ninguém para ouvir, podemos repetir as antigas palavras de
ordem do M.E.P. e do movimento ecológico.
Sem saudosismos mas acho-me no direito (na obrigação) de relembrar aos
algoristas que o mundo não nasceu com eles e com a sua eco-tecnocracia de ponta.
Mas que houve gente, houve ideias, houve sonhos, acções e estratégias que foram
ficando pelo caminho.
Talvez vencidas mas não derrotadas.
Porque a batalha final ainda não está terminada: só termina em 21 de Dezembro de
2012, ao meio dia da hora solar.
♥
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