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1-4- <tragedia-2-ac-ab> segunda-feira, 11 de Junho de 2007

TERCEIRO (E ÚLTIMO) ACTO DA TRAGÉDIA: EM LOUVOR DA ECO-TECNOCRACIA

Mesmo que a «eco-tecnocracia» fosse um rótulo (e não é) acho que deveria merecer alguma atenção dos cientistas, nomeadamente sociólogos, que deveriam estudar, aprofundar, analisar um fenómeno que me parece inegável, seja qual for o nome que lhe pusermos.
Descartar mais uma hipótese de trabalho, só porque ainda não foi reconhecida oficialmente pela ciência oficial, é que me parece, em ciência, uma atitude muito pouco científica.
Mesmo que fosse rótulo (e não é), também me parece ter direito a um, quando, na Ambio, já tenho sido mimoseado com alguns.
Não tenho direito é de continuar roubando espaço e bytes à Ambio, com as minhas pesquisas pessoais, pelo que irei publicar em site meu a prosa de resposta que queria endereçar aos interlocutores que se referiram ao texto sobre «a tragédia dos eco-tecnocratas».
Irei, nessa página, continuar a pesquisar o que é afinal a eco-tecnocracia e se há ou não uma nova classe emergente.
+
Alguns estribilhos mais comuns podem ser detectados, implicita ou explicitamente, no discurso do poder tecnocrático que hoje domina o nosso horizonte global, graças aos esforços de notabilidades como Al Gore e de outros menos notáveis mas que seguem a sua filosofia de vida:
« podemos obter grandes lucros e não precisamos de mudar o nosso estilo de vida».

Os estribilhos pouco variam e vão definindo as invariáveis do padrão que se está, com êxito, implantando no sub consciente colectivo, sob a forma de arquétipos decisivos, que monitorizam a acção.

Por exemplo:
«É o preço a pagar pelo progresso.»

«Se a ciência o diz, é porque é assim. É verdade.»

«Problemas sociais e políticos e de segurança civil, o que tem isso a ver com Ambiente não me dirão? »

«Eu não fui, nem sequer estava lá quando ocorreu a catástrofe (Pilatos dixit).»

«Reformar o sistema para não mudar de sistema (estilo de vida).»

«Não podemos ter tudo: a poluição faz parte integrante do progresso industrial. E ninguém, mesmo os que o criticam, quer perder esse progresso, essa qualidade de vida».

«Como não podemos parar o progresso, o melhor é aproveitá-lo, em proveito próprio, e quem não tiver poder de compra ou poder de produzir, que se aguente.»

«Está bem, defendo os meus interesses de empresário e de industrial, mas se for em nome do Ambiente e da defesa do Ambiente, terei garantida a gratidão do povo. Do povo consumidor.»
+
OUTRAS ALEGAÇÕES

A religião da ciência é a religião de quem diz não ter religião.

Um técnico competente só tem que ser um técnico competente: não lhe cabe avaliar a consequência social e ambiental dos seus actos. E se tiver poder para governar, só lhe cabe ser um tecnocrata competente. Não lhe cabe ser etica, politica, social e ideologicamente responsável pelo que faz ou manda os subordinados fazer.

O governo dos tecnocratas é um facto como é um facto o poder dos tecnocratas. Que usam o poder do discurso para fazer vingar todos os projectos de poder, ainda os mais tresloucados, desvairados e assassinos.

Não consta que haja tecnocratas arrependidos, o que há são os novos convertidos ou eco-tecnocratas.

+
Que a Abjecção nunca seja vista globalmente e já que tanto se orgulham da globalização em curso, eis o que me parece obsceno na eco-tecnocracia.
Ou há moralidade ou comem todos.
A globalização, para eles, é só a da asneira e da destruição e da ganância dos lucros. E as ameaças globais são só aquelas que ainda permitem, in extremis, indústrias de substituição que tornem obsoletas as anteriores (vide clorofluorcarbonetos).
Eles são serenos e quando alguém se indigna com as desigualdades e injustiças sociais, com a malvadez mercenária e a destruição deliberada, sofre de maus fígados, não tem a serenidade científica do observador, é subjectivamente inútil ou prejudicial e a emoção nunca resolveu problema nenhum dos que a tecnologia, dia a dia, engendra e agrava: só a tecnologia – sublinham eles – nos pode socorrer dos crimes vandálicos da tecnologia – digo eu.
+
Obsceno é também que ainda arranjem desculpas para desculpar os profissionais da destruição (caso exemplar mas não único: os sismos provocados por bombas).
Não só lavam daí as suas mãos como estão sempre a lavar as mãos dos primeiros responsáveis por essa e outras normalidades, rotinas ou invariáveis do sistema, que evidentemente nada tem a ver com Ambiente: mais sismo menos sismo, mais tsunami menos tsunami, nada disso tem a ver com Ambiente.
Tem sim é a ver com o ego desmedido do Afonso Cautela, como diria o meu amigo e interlocutor na Ambio, José Amoreira.
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Com a cantiga do CO2 nunca irá haver tempo para discutir as bombas e os sismos consequentes, nem de fazer perguntas tão disparatadas como se os sismos são todos induzidos ou quase todos? Se o Tsunami da Ásia foi de uma bomba detonada pela Índia, Paquistão, China, França ou de algumas e/ou todas ao mesmo tempo?
Mais uma grande vantagem do CO2 é de reduzir às alterações climáticas o debate sobre Ambiente e arredores.
+
Reciclar neste sentido – o recuperacionismo sistemático da ideia ecológica – é a palavra de ordem nos Al goristas da terceira geração.
Reciclar inclui também a reciclagem do plutónio produzido nas centrais nucleares, no fabrico de bombas. Que depois são testadas nos poços das grandes potências para produzir sismos e tsunamis. Já que não se lhe vê qualquer outra vantagem.
Mas como diria o José Luís Amoreira, o que é que tudo isto tem a ver com Ambiente?
Nada, amigo José Luís, nada: tem a ver sim com Abjecção-deste-Tempo-e-Mundo, que por sua vez não tem nada a ver com Ambiente e não pode nem deve andar a poluir o Ambiente da Ambio.
+
Nesta pesquisa rápida sobre eco-tecnocracia, terei que voltar ao que escrevi em 1972 e ao uso da palavra «apocalíptico» que, segundo os meus interlocutores na Ambio, também não tem nada a ver com Ambiente.
Essa palavra «apocalíptico» provocava sempre forte brotoeja entre esquerdistas e PC’s já que os amanhãs, nessa altura, ainda cantavam (de galo) desafinados mas cantavam.
Se teclarem mais dois itens , o Google dar-vos-á o que eu disse em 1972:

Do político ao apocalíptico

Independentemente de irem ou não à questão de fundo que enquadra esta:

Deep ecology

Ecologia Profunda esta que, evidentemente, nada tem a ver com Ambiente, segundo o meu interlocutor José Amoreira. Que também me lembrou, muito oportunamente, que afinal não falo de Ambiente e apenas de mim, como não me canso de citar já que essas palavras do Luís Amoreira me fizeram ver ao espelho:
««Caro Afonso Cautela: Vou ser mais claro. Olhe, francamente acho que o Afonso não escreve sobre o ambiente. Acho que o Afonso escreve sobre o Afonso. Sobre como é esperto, sobre como sabe quem puxa os cordelinhos do mundo, sobre como a si ninguém o engana e também sobre como somos todos ou uns arrogantes eco-tecnocratas, ou uns pobres de espírito. A minha pergunta retórica foi uma forma delicada de lhe dizer isto em público.»»
+
Uma vez que o José Amoreira me fez ver ao espelho, umas férias na Ambio irão contribuir para sanear o Ambiente, o que é sempre de louvar.
Sanear para depois poder voltar a poluir, isto é que é Ambiente.
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Fico todo vaidoso se procurar com o Google «Ecologia do Trabalho», os dois primeiros resultados são meus em 164.000 resultados.
O que além de vaidoso, me deixa optimista: quando falei de Ecologia do Trabalho, ainda não havia Google e muito menos havia Ambiente. Já havia era Trabalho.
E o que tem a ver a Ecologia do Trabalho (o cancro profissional, por exemplo, com um nome dado assim pelos cientistas) com Ambiente? Nada, rigorosamente nada.
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Às vezes arrependo-me de palavras que usei: caí algumas vezes nessa odiosa expressão «qualidade de vida», palavra favorita da eco-tecnocracia e da sua hedonista filosofia de vida.
De vez um quando, uma gaffe não nos fica mal: que diabo, ninguém é perfeito. Errare humanum est.
E já agora, o que tem a ver o Diabo com Ambiente?
+
Vejo-me grego para descobrir um tema que diga respeito ao Ambiente.
Se falo em «elogio da sesta» (e tenho falado e escrito bastante, pois adoro a sesta), são logo coisas dos hippies, modismos da época.
Para o eco-tecnocrata, há que trabalhar sem sesta. As estatísticas não perdoam e há sempre um diário ou semanário económico a exigir (a gritar) produtividade.
E nada disto tem a ver com Ambiente.
+
A propósito e mais uma vez falando do meu enorme ego, mais uma listinha de itens que se podem gloogar com algum êxito, em louvor da eco-tecnocracia que continuarei a louvar embora nem o Al Gore nem os filhotes dele me agradeçam este esforço.
Eis uma pequena lista para search no Google, em páginas de Portugal:

1. A sofística em 1974
2. Biocracia cega
3. Bio-informação – a a z
4. Do biocídio à biocracia
5. Eco-equívocos
6. O ecocídio e a esquerda necrófila
7. O Eco-fascismo segundo Michel Bosquet
8. O microcosmos em linguagem de gente
9. O oportunismo político de algumas teorias científicas
10. Os novos sofistas 40 anos depois
11. Palavras-chave para compreender a vida
12. Se a ciência é rei, o rei vai nu

Aviso prévio: nada disto tem a ver com Ambiente.

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Última modificação: 22/06/07