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EU E A REVISTA «LA GRANDE MUTATION»
A . C . RESPONDE ÀS PERGUNTAS DO JORNALISTA «RABO DE GATO»
[21-09-2004 10:37:53]
RABO DE GATO – Michio Kushi e depois Etienne Guillé foram as duas referências,
consideradas geniais, no teu percurso de aprendizagem. Pergunto: Continuam a
sê-lo, em 2004, agora que o próprio método de Etienne Guillé, em vez de garantir
a permanência, está a «evoluir» quase todos os dias?...
A . C . - Penso que te referes à revista «La Grande Mutation», dirigida por Jean
Noel Kerviel em Paris e que já vai, segundo me consta, no número 13.
Essa revista, que tenho lido a medo, deixa-me de facto perplexo e se ainda não
conseguiu minimizar, aos meus olhos, o valor do método de Etienne Guillé – que
eu apelidei de gnose vibratória – arrefeceu-me um bocado o entusiasmo que, desde
a sua descoberta, ia num crescendo. Assisti a cerca de 30 seminários dos gurus
que em Portugal ensinam radiestesia e adn – Manuel Fernandes, Maria Correia
Pinto, José Carlos Alverca, Jean Noel Kerviel e Patrice Kerviel – e nada parecia
vir alterar a minha grande convicção de que estava perante um caminho de
sabedoria a seguir com persistência e liberdade.
Tal como Michio Kushi, considerei as obras de Etienne Guillé, um verdadeiro «big-bang»,
com tudo o que esta palavra tem de absoluto, eterno e infinito.
Se há hipóteses de subir um bocadinho na escala vertical do conhecimento,
Etienne Guillé oferece-nos essa hipótese que não temos o direito de desperdiçar.
Porque, como ele diz, o cosmos ajuda-nos a evoluir mas nós temos de ajudar o
cosmos a ajudar-nos..
RABO DE GATO – Em que é que essa certeza de fundo, então, foi alterada? E qual o
papel da revista de Jean Noel Kerviel nessa alteração de fundo?
A . C. - O clima de instabilidade e confusão deriva de uma nomenclatura que até
ao último livro de Etienne Guillé – L’Homme et son Double – apontava para uma
dinâmica estável e coerente, enquanto agora os dados adquiridos (e dados como
adquiridos) se alteram de mês para mês e de hora para hora... Não é por acaso
que a palavra «novo» se começou a aplicar a torto e a direito, evocando o
discurso da moda que todos os dias inventa uma coisa «nova» como estratégia de
marketing.
RABO DE GATO – Mas foi o próprio Etienne Guillé, no livro que referiste, a
propor essa nomenclatura, nomeadamente quando «nova aliança entre céu e terra».
A . C. - Sem dúvida que Etienne Guillé escreveu isso no seu livro mas a verdade
é que a revista e os colaboradores da revista «abusam», aproveitando a proposta
de Etienne para «delirar» , completamente delirar no caminho verdadeiramente
surrealista da «grande confusão».
RABO DE GATO – A tua grande dúvida (perplexidade, como disseste) é se deves
seguir essa marcha a caminho do abismo ou se valerá a pena recuar um pouco e,
com mais calma, refazer o caminho anterior às «novas» coisas constantemente
postas, como pedregulhos, no meio desse caminho.
A . C. - Exacto. O progresso, em gnose vibratória, não segue o modelo do
progresso ao nível dos mitos contemporâneos da economia e do desenvolvimento. O
progresso em ciências da sabedoria não consiste em «descobrir» ou «inventar»
novas coisas e conceitos , antes pelo contrário: o progresso em ciências
sagradas, tal como Etienne vinha propondo até ao seu penúltimo livro – L’Homme
entre Ciel et Terre - era a redescoberta do mais remoto e antigo, que
constantemente se actualizava graças ao método da gnose vibratória e da
«linguagem vibratória de base molecular» dela decorrente.
RABO DE GATO – Estás a referir-te à grelha das letras que durante anos foi dada
como a base segura, estável e coerente para um trabalho metódico de aprendizagem
e iniciação vibratória.
A . C. – Desde 1992, ano em que iniciei o estudo do método, que a grelha das
letras era dada como o instrumento de trabalho fundamental – o interface entre
céu e terra – e que oferecia a segurança para não cair nas várias armadilhas e
simulacros em que este estudo também se mostra tão fértil (demasiado fértil, mas
enfim, não é por aí que o gato vai às filhoses...).
Como se uma grelha não fosse suficiente para quem, aos 71 anos, já é pouco
ambicioso e apenas aspira ao humanamente possível, vieram novas grelhas (com a
desculpa das «novas alianças» ) a colocar a fasquia ainda mais alta. Fasquia que
sempre considerei excessiva, pois mais uma vez se estava a funcionar num esquema
que é da sociedade de consumo, e que se pode traduzir na esquizofrenia do «mais,
mais, mais». Tá bem que se trata de subir (mais, sempre mais) no espiritual e no
qualitativo, mas o arquétipo subjacente não deixa de ser o mesmo,
independentemente do campo de forças a que se aplica.
Mas a essa do «mais, sempre mais», eu já me resignara: quando não posso, arreio,
sem ter que desistir da radiestesia e do método em que investi nos últimos 12
anos da minha vida terrena.
Ou seja: o que tiver de progredir e de evoluir, agradeço a Deus e a Etienne.
Mais do que isso é ser obscenamente ambicioso e glutão.
RABO DE GATO – Consideras então os teus professores «ambiciosos» quando propõem,
nas aulas, fasquias cada vez mais altas e exigentes?
A . C .- Acho que não fazem boa pedagogia, de facto: porque os que conseguem
evoluir «muito» precisam de menos ajuda do que os que têm dificuldades.
RABO DE GATO – Estás a falar daquilo que consideras «falta de caridade» por
parte da comunidade da radiestesia, aquilo a que chamas os «donos da radiestesia».
A . C . – Claramente sim. Não tenho medo de palavras-tabu e essa da «caridade»,
que toda a gente bem pensante repele, utilizo-a com o mesmo à vontade com que
Etienne Guillé nos ensinou a usar outras palavras-tabu: «alma» e «espírito», por
exemplo, para já não falar de «incarnação».
*
24-09-2004 11:27:50
RABO DE GATO - Voltando à dialéctica da permanência/impermanência , em que
falámos, não te parece que os opostos complementares fazem parte intrínseca
deste método e que, portanto, se trata de aplicar a ambos a mesma lógica, a
mesma dinâmica?
A . C. - Compreendo o teu argumento - a permanência implica o seu contrário, a
impermanência, - mas sem referências estáveis não é possível trabalhar. E muito
menos progredir. Também a dialéctica yin-yang implica um constante jogo de
opostos ou contrários, e nem por isso deixa de ser um caminho de onde a confusão
está excluída.
Há uma diferença subtil : mesmo que as «novidades» representem, em matéria de
grelhas, uma necessidade, o que não posso aceitar é que tudo, para trás, esteja
ultrapassado. Pode haver um novo nível de consciência a conquistar mas
exactamente porque é posterior no tempo, não pode invalidar o anterior que lhe
deu origem e permitiu o progresso vibratório.
No mínimo, considero que o estudo da radiestesia se está a tornar uma corrida de
maratona, em vez de uma marcha em velocidade de cruzeiro. É isso que neste
momento não posso aceitar.♫
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