1-3 quarta-feira, 23 de Abril de 2003-novo word - <rosnay-1-ie-ls>
NOTÍCIAS DA GUERRA ECOLÓGICA:
A ECOLOGIA ORDINÁRIA DE JOEL DE ROSNAY (*)
[(*)Este texto de Afonso Cautela ficou inédito, graças a Deus, e pode ser
datado do ano 1977, atendendo ao livro que comenta
(*) Comenta-se neste artigo o livro de Joel de Rosnay, O Macroscópio - Para Uma
Visão Global, Ed. Arcádia, 1977]
Fora do M.I.T. não há salvação...
É mais ou menos esta a moralidade a retirar de livros como o de Joel de Rosnay,
que depois de criticar severamente a ciência pré-M-I-T., preconiza evidentemente
a salvação no seio dos pressupostos e das teses dele (Instituto de Tecnologia de
Massachusetts ) emanadas.
O famoso relatório "Os Limites do Crescimento" foi, à laia de manifesto, o
primeiro convite para que todo o Mundo entrasse na solução proposta.
À parte as distorções que jornalistas desatentos fizeram da tese fundamental do
M.I.T., - o "crescimento zero" ainda hoje retine como a mais polémica – é
evidente que o relatório seria susceptível de críticas que nunca se fizeram
porque relevavam de
um salto "qualitativo" entre dois padrões de cultura (ou de ciência),
ultrapassando, assim e, portanto, a mera análise economicista entre diferentes
ideologias e políticas económicas.
Fazendo-se eco, tal como o relatório do M.I.T., do desencanto que as limitações
cada vez mais reconhecidas pela ciência vieram instalar entre os próprios
cientistas, o autor de O Macroscópio (*) propõe uma revisão da metodologia que
tem presidido à ciência e sua proliferação até ao infinito ... microscópico.
Propõe uma visão macroscópica, portanto, por contraste à subdivisão ou
atomização verificada na ciência analítica e que se generalizou a todos os
recantos da sociedade industrializada e tecnologicamente refinada.
Joel de Rosnay, aliás, sabe que vem na onda, sabe-se embalado numa vaga de fundo
que por toda a parte se verifica, como reacção àquela atomização: por toda a
parte se "montam serviços de incêndio" procurando, de uma maneira ou de outra,
combater
e obviar às mais fortes e chocantes contradições a que a pulverização dos
conhecimentos científicos conduz:
"Fala-se hoje muito da importância de uma "visão de conjunto" e de um "esforço
de síntese". Atitudes consideradas necessárias para superar os grandes problemas
do mundo moderno. Infelizmente, não nos parece que a educação que recebemos nos
tivesse preparado para tal. Basta passar os olhos pela lista das disciplinas
universitárias: fragmentam a natureza em outros tantos compartimentos
estanques... " (pg. 10/11 da obra citada)
Neste sentido, a abordagem "macroscópica" - ou sistémica, como diz o autor
puxando à sua numenclaturazinha tecno-arrevesada - tem muitos pontos de contacto
e semelhança quer com a abordagem ecológica, quer com a análise energética, quer
com a
informática, pois, tal como estas, também procura relacionar e religar as partes
e / ao todo, o todo às partes e as partes entre si...
É o que se chama, nos meios universitários, um esforço interdisciplinar.
É o que se chama, nos meios proletários, a quadratura do círculo...,
É o que se chama, entre ecologistas do centro, um projecto de síntese.
Consiga ou não o seu desideratum, na prática, e quer o macroscópio seja mais um
instrumento lendário de ciência-ficção ou uma realidade corrente dos
laboratórios do futuro, fica a crítica que o autor realiza a um sistema
científico sem futuro, cujas aberrações já não é possível ocultar e que os
próprios funcionários, devidamente bem pagos, se estão especializando em
contestar. Como Joel de Rosnay. Para recuperar de novo o sistema...
Para dar o tom subversivo que sempre agrada às massas, não deixa o autor de ter
sobre alguns críticos radicais da ciência - instituição paradigmática entre
todas as instituições - como Wilhelm Reich e Ivan Illich, mas a sua argumentação
repousa, evidentemente, sobre os seus mestres do M.I.T., principalmente Meadows
e Matthews, de onde retira os fundamentos religiosos da sua "ruptura" aparente
com o sistema.
Para este tipo de eco-reformismo tem Michel Bosquet um epíteto nada meigo:
Bosquet lança-lhes o rótulo de eco-fascismo, soma e segue.
Não sei se é caso para tal violência de epíteto mas é evidente que se não trata
em Rosnay de Ecologia no sentido selvagem, militante e prático mas de uma
Ecologia com canudo, de uma nova arquitectura ou engenharia extraordinariamente
sofisticadas e que na cibernética, na Informática e na Sofística vão repousar.
Em autores como Rosnay, a crítica da ciência ordinária não vai dar à ciência
iniciática mas vai contribuir para refinar, sofisticar e remitificar a
tecnologia que
os induz àquela crítica.
Como diz o autor:
" Esta crítica fundamental dirige-se hoje de maneira difusa, ao progresso
técnico - às finalidades da investigação ou do crescimento. De onde essa atitude
extrema, anti-ciência, anti-tecnologia, anti-racional, que se encontra em tantos
campus universitários.
" Uma tal crítica da razão conduz muitas vezes a atitudes extremistas ou
ingénuas. Mas estas atitudes denotam uma vontade de abertura ao subjectivo. É
aquilo que os observadores traduzem por vezes por "fuga" para o irracional ou
para o misticismo. A inclinação pelas religiões orientais, pela astrologia e
pela magia, a redescoberta de Jesus, e até mesmo uma espécie de panteísmo
ecológico que termina num "eco-culto" - devoção pelos grandes ciclos naturais."
Se este discurso não é eco-fascista como não hesitaria em considerá-lo Michel
Bosquet, tem pelo menos um dos seus ingredientes mais comuns, o paternalismo
misto de safardanice mafiosa envolta em palavrinhas doces com estricnina dentro.
Metendo a ciência iniciática no saco das "religiões", o autor finge ignorar que
não há só uma ciência mas que as práticas e ciências de raiz iniciática, como o
yoga , as artes marciais, o zen, o tao, a macrobiótica, etc., não só se apoiam
na mais rigorosa "ordem do universo", numa poderosa cosmologia, numa recriação
monista do ecossistema, não só dispensam totalmente a ciência ordinária e
constituam para ela a única alternativa possível e capaz, como são
cientificamente superiores trinta vezes a esta ciência ordinária dos rosnantes
Rosnay.
Como dizia André Breton da literatura, não há dúvida que a Ecologia leva a tudo.
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(*)Este texto de Afonso Cautela ficou inédito, graças a Deus, e pode ser
datado do ano 1977, atendendo ao livro que comenta
(*) Comenta-se neste artigo o livro de Joel de Rosnay, O Macroscópio - Para Uma
Visão Global, Ed. Arcádia, 1977
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1-1<rosnay-2-ls-ie> domingo, 29 de Dezembro de 2002-scan
ESCOLA ECO-ENERGÉTICA NA UNIVERSIDADE NOVA?
[ Depois de 1975, única data possível ... ] - A tradução em português do livro
"O Macroscópio”, de Joel de Rosnay, vem relembrar-nos que a escola
Eco-energética do MIT (o conhecido instituto de Massachussets) não é entre nós
um ausente e que alguns técnicos ou pensadores que neste momento se ocupam e
preocupam, em novas universidades novas, com as relações energéticas entre
Ecologia e Economia, por lá passaram ou de lá receberam forte influxo
informativo e formativo. Influxo energético...
Registemos o interesse que o Prof. Delgado Domingos tem consagrado à análise
energética e a forma como o seu pensamento de técnico em Termodinâmica evoluiu
até a descoberta das alternativas ou fontes infinitas do Futuro.
Não esqueçamos que o prof. Gomes Guerreiro, secretário de Estado do Ambiente no
I Governo Constitucional, já em 1953, na sua obra "A Floresta na Conservação do
Solo e da Água” defendia teses muita próximas da análise energética e que a sua
passagem pela escola norte-americana da Califórnia não foi por acaso.
Também o Prof. Cruz de Carvalho, hoje em Portugal, a leccionar no Instituto
Universitário de Évora, foi o primeiro no estudo entre Energia e Agricultura,
Ecologia e economia Agrária, tendo trabalhado em universidades da Califórnia.
E outros citaríamos, de gosto, se a memória nos ajudasse. Ou viremos a citar, se
alguém tiver a gentileza de nos escrever, indicando mais casos que nós
ignoremos.
+
1-1-<rosnay-1>
16-12-1998
SUBLINHADOS DO LIVRO
«A HISTÓRIA MAIS MARAVILHOSA DO MUNDO»
Todos os organismos são feitos de carbono, hidrogénio, oxigénio e nitrogénio e a
sua fonte de energia, o sol.
Joel de Rosnay
O carbono (...) pode conduzir os electrões de ponta a ponta das suas cadeias, o
que de certa maneira prefigura as redes nervosas e as redes de comunicação
electrónicas.
Joel de Rosnay
Outrora não se sabia que as moléculas eram feitas de átomos nem que as células
eram feitas de moléculas.
Um organismo composto de células especializadas resiste melhor do que um
conjunto de células idênticas, porque pode responder de diferentes maneiras às
agressões do ambiente, o que lhe dá mais hipótese de sobrevivência.
Joel de Rosnay
Os sistemas monolíticos acabam sempre por desaparecer.
Joel de Rosnay
Um cristal não vive, reproduz-se mas não fabrica energia.
Joel de Rosnay
Um organismo vivo é um sistema capaz de assegurar a sua própria conservação, de
se gerir a si próprio e de se reproduzir.
Joel de Rosnay
Somos verdadeiramente feito de poeira das estrelas.
Hubert Reeves
A centena de elementos atómicos que conhecemos na natureza, foram produzidos nas
estrelas.
Hubert Reeves