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30 ANOS DE BIOTECNOLOGIA
O «NIM» DE JEREMY RIFKIN: A MAIORIA SILENCIOSA CONTINUARÁ SILENCIOSA
A segunda edição do «Thinkeconomics», em Lisboa, trouxe à tona da actualidade um
dos nomes fundamentais do nosso tempo-e-mundo, nome com o qual temos de contar
para tentar perceber como anda e se metamorfoseia a ideia ecológica, frente à
tecnocracia dominante e totalitária.
Jeremy Rifkin, presidente da Foundation on Economic Trends, é um nome
incontornável e foi boa ideia trazê-lo a Lisboa.
Tentarei 4 ou 5 pontos de referência, porque me interessa falar de Jeremy Rifkin
e do pouco que dele conheço, através dos três livros que tem traduzidos em
português.
1.Para começar, a obra seminal «Entropia», traduzida por Henrique de Barros e
editada pela Universidade do Algarve quando era reitor o Prof. Gomes Guerreiro.
Sub-intitulada «uma visão nova do mundo», recomenda-se a crianças de todas as
idades e a todos os graus de ensino, para quem quiser saber o fundamental da
ideia ecológica. Só com uma advertência: o que ele chama uma «nova visão do
mundo» - entropia versus neguentropia - é a mais antiga sabedoria do mundo, a
dialéctica dos opostos complementares, encontrável nas civilizações superiores
como a egípcia e a taoísta. A ciência moderna – e Jeremy Rifkin pertence à
ciência moderna – por vezes distrai-se e chama «novo» ao que é novo há milénios.
2.Outra área em que Jeremy Rifkin se tornou uma referência deste nosso
tempo-e-mundo foi a da biotecnologia: a sua obra «O Século Biotech», felizmente
editada em português pela Europa América, 1998, é um tratado sobre o que convém
saber das patifarias bio.
Entre a utopia ecológica e a utopia tecnocrática, Jeremy Rifkin fica em uma zona
de fronteira ou terra de ninguém que dá para o catalogar na pasta do «NIM», nem
sim nem não às imensas patifarias da era megatecnológica. Ele o diz, em 1998, no
prefácio a «O Século da Biotech», página 17. Por causa dessa posição «nim» e
pelas intermináveis bibliografias e notas de rodapé com que recheia os seus
livros (ele é acima de tudo um erudito), alguém o terá interpelado como ele
comenta:
«Quando um colega leu uma primeira versão deste livro, comentou que a lista de
pormenores citados no manuscrito era tão convidativa que ficara a pensar se eu
estaria a fazer a apologia das novas biotecnologias. A minha resposta foi sim e
não.»
3.É esta característica – o «nim» - que o torna um adorno adorável das nossas
estantes: o «nim» é precisamente a invariável dominante na eco-tecnocracia
dominante. E como qualquer ser humano normal, de cérebro normal, nunca poderá
abranger a erudição avassaladora que Jeremy Rifkin manipula com particular
agilidade, o seu «nim» impõe-se à maioria dos leitores.
4.Mesmo os da utopia ecológica – que não são assim tão poucos e fazem uma boa
maioria silenciosa – hesitam em dar um rotundo não às patifarias da
biotecnologia de que Jeremy Rifkin nos dá uma sinopse muito pedagógica que
devemos anotar na página 13 do prefácio:
« [Em 1978] entre outras coisas , predissemos que as espécies transgénicas, as
quimeras e clones de animais, os bebés-proveta, o aluguer de úteros, o fabrico
de órgãos humanos, e a engenharia genética humana haveriam de ser todos
concretizados antes do final deste século. Também dissemos que a despistagem de
doenças genéticas viria a ser uma prática generalizada , suscitando graves
questões relativamente à discriminação genética pelos empregadores, companhias
de seguros, e escolas. Expressámos a nossa preocupação pela crescente
comercialização do material genético da Terra por parte de firmas farmacêuticas,
químicas e biotecnológicas, e levantámos questões sobre os impactos
potencialmente devastadores a longo prazo de libertar no meio ambiente
organismos geneticamente manipulados. Na época, os biólogos moleculares, os
líderes políticos, os pânditas mediáticos, e os escritores de editoriais e de
artigos científicos do país [E.U.A.], qualificaram as nossa previsões de
alarmistas e artificiais. (...) Era um dado adquirido, entre os cientistas, que
não havia necessidade de examinar as implicações ambientais, económicas, sociais
e éticas daquilo que afirmavam ser um futuro «hipotético». »»
Como a gente te compreende, Jeremy !
Fazendo jus a quem o convidou para vir a Lisboa, Jeremy resolver também botar
palavra sobre alterações climáticas (óbvio!) e termina as suas declarações à
«Agência Financeira» com um elogio à febril hiperactividade de Portugal (devem
ter-lhe sussurado aos ouvidos e ele quis ser cortês com os seus anfitriões).
Segundo a entrevistadora, Martha Dahnis, Jeremy disse estar seguro de que
Portugal assume a liderança das energias renováveis da Europa.
Sem reticências nem aspas, deixa-nos, evidentemente, impantes de orgulho.
+
Um conselho de avô à maioria silenciosa: nunca percam o pé desta dialéctica,
entropia/neguentropia. É a melhor amarra para não ser arrastado na corrente.
+
Da «Agência Financeira» - publicação on line – transcrevo uma notícia
relacionada com o evento:
««O hidrogénio como fonte de energia vai ser o gerador da III revolução
industrial, afirma o presidente da Foundation on Economic Trends, Jeremy Rifkin,
que está preocupado com a leveza com que o mundo olha para as alterações
climáticas.
O responsável, que se encontrava na segunda edição do Thinkeconomics, considera
que o mundo «tem a ideia errada das mudanças climáticas e que somos demasiado
conservadores a ver a rapidez com que está a avançar» esta fatalidade. «As
alterações climáticas estão a acelerar muito mais rápido do que aquilo que
imaginámos. Ainda não percebemos que a nossa espécie e biodiversidade estão em
risco», apontou o mesmo, sublinhando que alterações climáticas que o mundo tinha
previsto que acontecessem no século XXII já estão a acontecer agora e outras
irão dar-se em breve.
««Para Jeremy Rifkin, a forma de tentar contornar este problema passa, sem
dúvida, pela consciencialização destes problemas por parte de todas as nações e
pelas energias renováveis, mas também por reservas de hidrogénio que podem
garantir energia quando não há sol, vento, (..). «O hidrogénio vai gerar a III
revolução industrial», realça. Renováveis e hidrogénio são assim as grandes
apostas do futuro próximo.
««Por outro lado, opõe-se ao nuclear ao ver uma série de problemas que lhe são
intrínsecos. «É demasiado cara, ainda não sabemos como fazer desaparecer o lixo
que provoca, daqui a 20/25 anos vamos ter falta de urânio e não temos água».
««Quanto à armazenagem do dióxido de carbono, também não vê com bons olhos. «Não
se perspectiva tecnologia que permita armazenar CO2, e como o faríamos sem que
houvesse fugas», aponta.
«Estamos a iludir-nos se pensamos que podemos voltar às fontes de energia
anteriores», referiu Jeremy Rifkin que se mostrou seguro de que Portugal assume
a liderança das energias renováveis na Europa.»»
+
Do «Jornal de Negócios» on line:
««Energias renováveis marcam arranque do Thinknomics
O presidente da Foundation on Economic Trends, Jeremy Rifkin, propôs ao Governo
português que aproveite a presidência da União Europeia (UE) para dar mais
espaço às energias renováveis, um tema que marcou o início do Thinknomics, um
fórum de discussão promovido pelo Ministério da Economia e da Inovação, que se
realiza hoje em Lisboa. Miguel Prado - Miguelprado@mediafin.pt
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