CAT BOOKS  

DE ABEL CAMPOS ARTIGOT

[Em construção]

AGENDA AC

ARQUIVOS AC

ECOS

THE WAY

newsletter

lugar aos amigos

regressos ac

MY LIFE

MY SOULS

my work

CONTACTOS

short sTORIES-pasta

dixit-pasta

dixit-files

ESPÓLIO AC

my souls

my life

home links

foreign links

versos 2006

VERSOS AC-1

versos ac-2

versos ac-3

versos ac-4

O NARIZ

VERSOS AC-FILES

                                    

  

1-4- <raízes-1> domingo, 24 de Novembro de 2002-scan

Se, como rascunho / bloco-notas, estritamente pessoal e bem guardado na gaveta do Afonso, este texto já era insólito e um tanto exagerado na ambição de citar autores e correntes, o facto de ter sido publicado n ‘ A Capital torna-o ainda mais insólito. O que vem provar como «A Capital» afinal era aberta e doce mesmo para os dislates como este do senhor Afonso Cautela. «A Capital» que, nesse ano de 1979, me dava aos sábados duas páginas (duas páginas!) para eu estender a minha facúndia. Dislate que só poderá justificar-se como guião atabalhoado e mal escrito de um roteiro para historiar a ideia ecológica : mas onde literalmente nem uma linha se aproveitaria do que segue.

A IDEIA ECOLÓGICA

AS RAÍZES MAIS PROFUNDAS
DA CRISE MUNDIAL


[18-Agosto-1979] - Com a chancela de “Frente Ecológica”, vários ensaios têm sido publicados, em tiragens de policopiador, numa tentativa patriótica de ler ecologicamente a actualidade (do País e do Mundo) e sugerir as alternativas de fundo que se apresentam para a crise que, sendo energética e económica, aos níveis mais superficiais e aparentes, vai radicar em profundidade nos ecossistemas e na ecologia dos recursos naturais, base de toda a pirâmide alimentar, de toda a economia, de toda a sociedade e de toda a História.
Para o autor dos referidos ensaios não se trata de reproduzir os esquemas e métodos de investigação praticados pelos académicos de laboratório: trata-se de tentar perceber se a humanidade está hoje a servir de Cobaia às experiências tecnológicas mais inverosímeis e se a «ciência» hoje não consistirá precisamente em saber o que estão fazendo de nós, de nossa vida, segurança e sobrevivência, os cientistas e megacientistas que transformaram o mundo num laboratório e a humanidade no seu macaco-cobaia.
Ecologia seria assim, fundamentalmente, a contra-ciência. E o ecologista o macaco que, tomando consciência do laboratório onde o manipulam e do meio ecológico que é o mundo concentracionário à escala do globo terrestre, passasse de objecto a sujeito crítico dos que com ele continuam fazendo experiências...
A critica radical de todos os tempos assumiria hoje a forma de ecologismo. Transcreve-se a seguir um texto em que se procura definir as linhas de força, a vaga de fundo e as fontes originais a que esta corrente vai beber e onde vai entroncar as raízes mais secretas e iniciáticas...
Texto que serviria de prefácio a todas as edições (tiradas a duplicador...) passadas, presentes e futuras, sob a chancela «Frente Ecológica»

PROFETAS DA SOCIEDADE PÓS-INDUSTRIAL

Na linha de uma antiga aversão, quase orgânica, a todo o dogmatismo, pretende o autor apenas continuar uma linha de investigação que, nos anos mais recentes, viu com júbilo ser adoptada por correntes, autores e tendências diversas.
Se é verdade que no surrealismo e no existencialismo já havia, potencialmente, uma contestação da ciência oficial e uma abertura a várias alternativas, na arqueologia, na psicologia, na crítica de arte, na crítica da sociedade e até na crítica da história, no próprio teatro e na própria literatura, a verdade é que só com as alternativas à ecologia oficial se evidenciaram as linhas de força de um pensamento que tem de comum esta constante histórica: a contestação de modelos anacrónicos, de sistemas oficiais, de ciências fossilizadas e anquilosadas, da economia à agricultura, da sociologia à medicina, da psicologia à arqueologia.

De António Sérgio a Bertrand Russell, de Lovecraft a Jorge Luís Borges, de Freud a Jung, de Erich Fromm a Ronald Laing, de Galileu a Ivan Illich, de Lanza dal Vasto a Michio Kushi, de Buda a Rimbaud, de António Sérgio a Barry Commoner, de Runé Dubos a René Dumont, de Marx a Cohn Bendit, de Claude Aubert a Rudolf Steiner, de Alan Watts a Norman Brown, de Herbert Marcuse a Dubuffet, de Franz Fanon a Aimé Césaire, de Sade a Nietzsche, de Michel Foucault a Claude Lévy Strauss, de Hipócrates a Roger Gentis, de Fernando Pessoa a Teilhard de Chardin, de Charles Fort a Jacques Bergier, de Herman Hess a Teixeira de Pascoais, de Walt Whitman a Henry Thoreau, de Herman Melville a Henry Miller, de Samuel Beckett a Jean Genet, de Agustina Bessa Luís a Carlo Coccioli, não faltam os contributos que ultrapassem a própria expressão literária através da qual são veiculados.

Para o autor, tudo isto tem a ver com ecologia de maneira profunda e original.

A SEMENTE DA HERESIA

A ecologia começa na semente herética, qualquer que ela seja, na contestação e na crítica radical ao sistema vigente, fundamentalmente destruidor do ecossistema. Começa na contestação de uma ecologia oficial, anacrónica, ultrapassada e académica, pilar de toda uma ciência igualmente oficial, anacrónica, ultrapassada e académica.

O mesmo para a sociologia, para a arqueologia, para a agricultura, para a etnografia, para a medicina, para a economia, para a política, para a história de arte e para a história da ciência.
A revolução no conhecimento ou revolução cultural. consiste na descolonização cultural, que tem sido o esforço constante do ecologista, através da leitura crítica daqueles e outros autores.
A revolução no conhecimento científico consiste na contestação de um conhecimento A, abrindo-se, através de ensaios sucessivos e de aproximações prudentes, a vários sistemas de conhecimento alternativos, a várias culturas e civilizações mais ou menos desaparecidas ou extintas.
A ecologia insere-se nesta movimentação geral, quando descobre, por saber de experiência feito, que há sistemas culturais muito mais harmónicos e ecologicamente muito mais equilibrados, em povos alheios à tirania (da Civilização) ocidental que julgou, em determinada época, ter o monopólio e o exclusivo desse património, desse potencial.
A Barbárie, hoje, somos nós, os civilizados...

Propõe-se o autor realizar uma sistematização do que já ensaiou em trabalhos iniciais, como «Movimento Ecológico e Descolonização Cultural» (opúsculo policopiado), sem falar dos que permanecem escritos mas inéditos, no fundo dos baús, e dos dossiês, nesta linha de investigação para uma ciência cósmica contra a ciência doméstica europeia...
Ao apresentar uma leitura ecológica destes autores e precursores, destes contemporâneos do futuro, destes construtores da idade solar e da civilização cósmica, - utilizando uma óptica pessoal, inevitavelmente limitada e limitante - pretende-se apenas dar um contributo a estudos mais vastos e profundos, que as gerações, aliás, não têm deixado de empreender numa linha ininterrupta e hão-de continuar, agora como condição sine qua non da sua própria sobrevivência.
Mas, acima de tudo, provar de que, através desses e de outros iniciados, é que se filtra e chega até nós e verdadeira ciência, quer dizer, a sabedoria perene.

O MAPA DA GEOGRAFIA CÓSMICA...

O extracto de experiência e pensamento que revela o balanço de aquisições do homem na sua aventura planetária é, afinal, o que se procura extrair da leitura ecológica desses hereges. Ou da sua eventual sistematização.
Com esses guias (e outros que não houve espaço ou oportunidade de citar), pretende-se traçar o esboço de uma carta na geografia do possível impossível, do real fantástico, do passado-presente-futuro. A geografia deste caudaloso rio onde confluem todos os tempos, humanidades, civilizações, experiências, povos, idades, lugares da terra e planetas do universo, galáxias e cosmos.
Auxiliado por todas as correntes heréticas, que nunca deixaram de emergir acima da tirania de ciência oficial; aderindo aos contributos da ficção científica, do realismo fantástico, da ovniologia e da demonologia; repisando novos e velhos caminhos da Parapsicologia, da alquimia e da magia prática; recuperando e reinterpretando a uma luz ecológica de síntese dialéctica os factos malditos de todos os tempos: eis que o autor se sente em boa companhia para prosseguir uma tarefa que não é individual mas colectiva, uma tarefa que não tem princípio nem fim mas é, afinal, a obra única de gerações passadas, presentes e futuras, dos que viveram, dos que vivem e dos que hão-de viver, se os tecnoburocratas consentirem...
Embora se reconheça que não faltam hoje as equipas que estão trabalhando nessa linha de investigação alternativa, não abdicamos de ter também uma palavra - e uma palavra não repetitiva - sobre os meandros, algares, subterrâneos, grutas, cavernas e escolhos do que tem sido designado «ciências ocultas».
Sabe-se agora que a famigerada «ciência oculta» ou assim chamada por fariseus da ciência, foi oculta apenas na medida em que a ciência oficial a atrofiou, obrigou e esconder-se nos catacumbas e a refugiar-se nas cavernas da montanha.
Porque era ciência da idade solar, a que trazia os fundamentos da esperança e do paraíso, eis que a ciência oficial e seus sacerdotes (os tecnocratas de todos os tempos), fizeram tudo para a meter nas catacumbas.
Note-se que é ainda neste caminho de .pluralismo científico, de alternativas ecológicas à ciência académica oficial e seu monopólio, que se inscreve a redescoberta da cosmologia taoísta que, vinda de há cinco mil anos, reencontra, afinal, o homem de hoje, dela perdido tantos séculos, esfacelado nas contradições e melodramas do dualismo, do positivismo, do nacionalismo, do cientifismo e do experimentalismo mais atroz: o das bombas subterrâneas e consequente terror sísmico.
Toda a ciência oficial se esboroa e desmorona, ao mesmo ritmo da crosta terrestre que eles estão religiosamente destruindo.
A crise do ambiente, tão ligada à crise da energia e ambas tão ligadas à crise da economia, teve o grande mérito de pôr a descoberto as raízes podres do que se considerava a imaculada ciência servida por uma prepotente tecnologia.
Agora, que tudo está em discussão e em questão, vários tipos de análise se acumulam ao lado da analise científica, que deixou de ter o monopólio.
Crónicas e ensaios escritos, durante meses, na linha de uma prospectiva crítica e de uma futurologia revolucionária (não capitalista, não tecnocrática, não burguesa), não visaram, afinal, de concreto outra coisa do que a crítica aos sistemas fechados da ciência académica e as propostas, as hipóteses, as sugestões de trabalho para as novas velhas ciências que caminham na espiral da evolução, na iniciação macro e microcósmica, na autocriação de um homem como ser planetário e universal.

Matérias marginais à ciência , ou por ela desdenhadas, contribuíram e contribuem para o enriquecimento da consciência ecológica e sua transformação em acção ecopolítica:
Escutismo e escutistas; naturismo e naturistas; proteccionismo e conservacionismo da natureza; vegetarianismo e vegetarianos; campismo e campistas.
Citemos ainda entre as cor rentes de expressão histórica europeia: anarquismo a coo-
perativismo.
Entre as correntes de expressão oriental e não europeia, citemos: macrobiótica e macrobióticos; ioga; zen e medicina chinesa e acupunctura.
Entre as correntes europeias, inerentes à sociedade do consumo mas que aparentemente a contestem: alimentação racional; defesa do consumidor; defesa de ambiente; luta antipoluição; e defesa da mulher.
Verdadeiras alternativas que convergem num radicalismo ecopolítico: antipsiquiatria: bioagricultura; e comunalismo rural.

A TOTALIDADE PELA INTEGRAÇÃO DE VIAS E CIÊNCIAS PARCIAIS

Pode chegar-se à ecologia radical, contestando todas as ciências oficiais, incluindo a própria ecologia oficial. Essa, será uma maneira de lá chegar. A maneira de exclusão.
Há, no entanto, a via da inclusão ou integração. A ecologia radical poderá então beneficiar de matéria já adquirida e conquistada por ciências como: etnografia ou etnologia; antropologia; geografia humana; astronomia; economia política; geopolítica da fome; e biopolitica.
Entre as correntes neo-utopistas que irromperam no seio da cultura ocidental e burguesa: surrealismo; existencialismo; dadaísmo; fourierismo; não-violência e resistência passiva; realismo fantástico; movimento comunalista de origem hippy; e tradição comunalista em países como Portugal, etc.
 

 deste web site.
Última modificação: 22/06/07