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23-5-2007
Post Scriptum: O
discurso do poder e o poder do discurso continuam inalteráveis a dominar e a
dirigir os acontecimentos. Até parece que cria arquétipos no subconsciente
colectivo. Por definição, o poder é sempre poderoso.
+
<poder-1-di-ol>
O DISCURSO DO PODER
A tentar mostrar que o discurso do poder é a principal componente que modela,
estrutura e deteriora o nosso ambiente (assim transformado em meio ambiente),
vou apontar um evento algo anedótico mas que, curiosamente, ou por isso
mesmo, levanta questões de fundo no mínimo exemplares e que nada têm de
anedóticas mas que fazem parte da tragicomédia à portuguesa.
Já sabemos que o poder tem a tendência de usar e abusar do poder que tem. Mas
no caso em apreço, acho que os protagonistas se excederam para lá do
razoável e do previsível. E do conveniente para salvaguardar a imagem pública
que é suposto terem de manter.
Já sabemos que andamos todos a trabalhar para pagar impostos, os que trabalham é
que pagam impostos e que três meses de trabalho de um português (no activo ou na
reforma) vai para o fisco, a financiar um grande regabofe de gastos.
Mas agora a coisa começa a tornar-se mais notória à medida que os responsáveis
pelas decisões são convidados mais vezes a falar para jornais e telejornais,
pois nem só de aquecimento global vive o homem.
Anotem, fazem favor, porque devem andar distraídos como eu e de vez em quando
convém acordar.
«É dever do Estado financiar as campanhas eleitorais» - disse ao DN o
deputado Ricardo Rodrigues, vice-presidente da bancada e coordenador dos
deputados do PS na Comissão de Assuntos Constitucionais (In «Diário de
Notícias», 23 de Maio de 2007).
Vamos lá confessar que já não estávamos lembrados de mais esta.
Quando se fala de Estado e tratando-se de Finanças, somos nós todos que temos a
honra de ser Estado, do que às vezes também nos esquecemos.
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