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1-3-<perfil-1-ac-jl>
O PROGRESSO, A DEMOCRACIA
E O POLITICAMENTE CORRECTO
Terça-feira, 10 de Abril de 2007
• Detecto algumas palavras-chave na nossa conversa, sobre as quais talvez agora
me possa explicar melhor:
Progresso
Esquerda
Jornalista de causas
Dispersão
Evolução
Tecnocracia
Poder mediático
• Outras palavras-chave omissas da nossa conversa (embora implícitas nas
restantes)
Unideologia
Globalização
+
Globalmente considerada, esta nossa chamada «civilização» não tem evoluído mas
regredido. O progresso, inclusive o tecnológico, tem sido uma decadência. E
desde, pelo menos, há 41 mil anos.
No entanto e por força da própria dialéctica dos acontecimentos, a fase
histórica em que hoje nos encontramos é de viragem, ou antes de transição.
É, para mim, um dado adquirido que há 41 mil anos, mais dia menos dia, perdemos
a Idade de Ouro e temos realizado uma marcha para o abismo, acelerada nos
últimos anos do tal chamado progresso.
Em termos de ano cósmico, é a chamada Idade do Ferro (Kali Yuga) ou Era dos
Peixes (embora neste momento já em transição para a Era de Aquário) : a Grande
Esperança reside precisamente nesse imperativo cósmico, que é indesmentível,
irreversível e imparável: não há forças humanas nem terrestres capazes de o
contrariar.
E não estou a falar de astrologia nem de new age. Estou a falar de dados
cientificamente comprovados e estudados por especialistas da ciência moderna, os
senhores astrónomos.
+
Nunca poderia ter uma opção política partidária: em relação a questões de índole
nacional que reputo fundamentais, os partidos e governos e oposições têm-se
mostrado uma boa merda.
Citando mais uma vez a questão energética, fundamental em qualquer sociedade
moderna, raia o pornográfico a forma como os vários poderes a têm enfrentado. Ou
antes: não têm enfrentado, sequer. Deixam correr o marfim.
Como alguém disse, planeia-se muito mas não há planeamento. E já os soviéticos
de boa memória falavam insistentemente de planeamento. Os célebres planos
quinquenais, de que bem podíamos ter aqui uma amostra.
Aí, preconizo mesmo uma ditadura da qualidade. Nem esquerda nem direita , que se
têm mostrado na prática (a tal praxis dos marxistas) execráveis.
Quem comanda hoje a política energética (desculpa eterna para todos os nossos
males nacionais) é a lógica do lucro empresarial em vez da lógica do bem comum.
O que sempre pensei e disse (e escrevi quando me deixaram) é que precisamos de
um novo 25 de Abril.
+
Nas edições «Frente Ecológica» acho que publiquei uns cadernos numa colecção
chamada «Textos que a Censura me Cortou». E se falava então de Censura, nos anos
70, ela era com certeza de esquerda. Por isso os auto-editei e devo dizer que
não estou nada arrependido.
Área de Sines e Barragem de Alqueva , por exemplo, foram dois dossiês em que
andei à estalada com o ambiente e o politicamente correcto.
Para os progressistas nunca fui suficientemente progressista.
As reportagens que publiquei sobre Serra de Ossa, Sines e Alqueva, fizeram-me
cair em desgraça entre os progressistas que têm, como se sabe, o monopólio do
progresso.
Do progresso e de tudo o que é politicamente correcto.
+
A dispersão – pecado mortal do jornalista – não foi só na actividade
jornalística. Foi também uma dispersão por demasiadas áreas de actividade:
Crítica de filmes, por exemplo;
Crítica de livros
Crítica dos acontecimentos.
Antes de entrar no jornalismo – de me inscrever no Sindicato – era na crítica
que descarregava toda a minha adrenalina.
E esse vezo da crítica vem desde «A Planície», continuado depois por todos os
jornais onde colaborei e que foram bastantes.
Só mais tarde percebi o que era fazer uma notícia, a grande diferença entre
a) redactor de notícias
b) repórter
c) crítico
+
Consideraria progresso no jornalismo que houvesse paridade entre as boas e as
más notícias: 50% para cada lado, pelo menos.
E que o facto de só haver más notícias – ou de que só as más notícias fazem
vender papel - , não servisse de pretexto e alibi.
Até porque as «más notícias» caem nas redacções já maduras e não é preciso
trabalhar muito por elas.
Já as boas notícias é preciso escavá-las, procurá-las, investigá-las.
No jornal «A Capital» fiz dois meses de licença sem vencimento, quando me
desafiaram de um novo jornal que fez reaparecer o título d’«O Século».
Foi uma experiência curiosa: pois consegui uma notícia por dia, em 1ª mão, das
tais: boas e que eu próprio investigava.
E que eram notícia em sentido estrito, ou seja, eram novidade, coisas que não
vinham da Lusa nem tinham sido ainda noticiadas.
Vale que o jornal (dirigido por Artur Albarran) só durou dois meses. E eu voltei
ao jornal «A Capital», na Travessa do Poço da Cidade.
+
No pós 25 de Abril – o chamado período gonçalvista – tive uma conversas
ecológicas na Rádio Renascença e no que é hoje a Antena 1.
+
Por algum motivo tenho uma pasta no meu computador com centenas de files e com
um rótulo eloquente: dossiês do silêncio. A lista de temas que se fizeram tabu,
neste país, nunca mais acaba.
Por isso falo no novo 25 de Abril: e que se indague até ao fim, por exemplo, o
mistério dos incêndios de Verão, por exemplo.
Se isso fosse feito e tão badalado como o Apito Dourado ou qualquer outra
miséria dourada com que se enche de vazio a alma deste País, então talvez eu
acreditasse que há uma democracia a funcionar como deve ser.
E que há progresso
E que as ideias de esquerda venceram.
+
<perfil-2-ac-jl>
terça-feira, 10 de Abril de 2007
AINDA O PROGRESSO, A DEMOCRACIA E O POLITICAMENTE CORRECTO
Se os meios electrónicos da comunicação representam uma evolução, não sei.
Evolução no sentido estritamente tecnológico, com certeza.
Mas essa evolução – ou progresso identificado com sofisticação dos «meios»
(media) tecnológicos não representa necessariamente um progresso humano.
A chamada «democratização da informação» (e da cultura em geral) que os blogs e
a internet parecem, e, princípio, promover, é uma bela e sedutora ilusão mas que
de ilusão não passa.
A mística ou mitologia da difusão não representa maior liberdade individual
(antes pelo contrário) e muito menos mais democracia nas comunidades.
Representa, sim, a vulgarização e banalização daquilo que antes era realizado
por profissionais qualificados.
E como a quantidade esmaga a qualidade, a informação via internet (em quantidade
arrasadora) esmaga inevitavelmente a qualidade.
Os meios tradicionais irão continuar (os jornais de papel e o livro) e terão
mesmo de continuar quando o utilizador estiver habilitado a separar o trigo do
joio e a selectivar a qualidade daquilo que consome, rejeitando a mediocridade.
«Cultura de massas», como dantes se dizia, é coisa que não existe.
Defendo as elites da qualidade, nisto como em tudo.
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