1-5-<pee-1-3> = país em
vias de extinção – merge legítimo como apoio a entrevista-testamento e dossiês
do silêncio
11798 caracteres - 5 páginas - <pee-0> - merge doc de 3 files wri da série <pee->
que significa país em vias de extinção - para projectos jornalísticos - destaque
para o <pee-3>
+
<pee-1>pee = país em vias de extinção
PORTUGAL NÃO É SÓ LISBOA (*)
1-11-1995
Pistas para 80 reportagens no «país em vias de extinção» e antes que se extinga
- 20 sítios da Geografia Sagrada de Portugal -> Série de reportagens com base na
informação confidencial e pistas fornecidas por organizações discretas e
secretas existentes em Portugal
- 20 sítios da Arqueologia Industrial -> Série de reportagens com base em
informações e pistas da Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial (esta
série pode incluir um subtema, «Artes e Ofícios que Ainda Vivem»)
- 40 sítios - rios, serras, aldeias - a revisitar, 20 anos depois -> Série de
reportagens s/ ecologia e ambiente que fiz para «O Século», em 1975 , e que
dariam ponto de partida e pistas para saber, nos mesmos sítios, o que mudou ou
não mudou nesse lugares ao longo de 20 anos -: Série de reportagens com base no
meu «know-how» sobre regiões e no arquivo pessoal que ainda não foi destruído
As 80 reportagens realizadas por «A Capital» serviriam como de guião a uma
possível realização televisiva da SIC, a quem «A Capital» cederia os direitos de
utilização
___________
(*) Este título e a ideia em geral é para uso exclusivo dos dirigentes de «A
Capital»: A pormenorização desta série de reportagens permanecerá confidencial
até à sua realização, para evitar anexação abusiva da ideia por parte de outros
órgãos de informação.
+
2379 caracteres pee-2 =
Projecto «Grande Reportagem-Regiões»
De: Afonso Cautela
Para: José Sarabando
Ainda não falei com o Peixoto sobre o assunto, mas acho que ele irá achar também
interessante esta ideia das 80 reportagens, dado que somos os dois os
pedregulhos mais difíceis de remover desta redacção.
A promoção de ambos à «grande reportagem» acho que era não só justo para duas
pessoas que nunca foram outra coisa nesta carreira senão repórteres e que se
encontram, à beira dos 65 anos, a vencer o salário de 170 mil escudos, com os
descontos já todos feitos.
Pela parte que me toca, gostaria de refazer toda a carreira a partir daí, da
reportagem, num tempo, num país e num telejornalismo que vive intoxicado de
política até aos gorgomilos.
Queiramos ou não, mas o jornalismo de antes e depois do 25 de Abril foi sempre
uma crónica bastante doméstica entre S. Bento, Belém e Terreiro do Paço, tudo o
mais não passando de paisagem.
Agora descobre-se que na paisagem - e na paisagem pré-histórica, com (dizem os
arqueólogos) mais de 30 mil anos - está o nosso futuro. Não deixa de ser
bizarro, mas ao mesmo tempo é consolador esta súbita ternura pelo antigo, o
velho, o arqueológico: especialmente para dinossauros e múmias como eu, que
pensavam que o antigo, o velho e o terceiro idoso estavam irremediavelmente
condenados às galés, trocar os cavalinhos de Foz Côa por 50 milhões, é
consolador e indicativo de que alguma coisa vai mudar até ao Terceiro Milénio e
por força da própria precessão dos equinócios.
Quase trinta anos depois de o país me ter convencido de que eu não tinha razão,
o país vem dar razão ao meu ecologismo precoce e ao meu milenarismo serôdio.
Mais vale tarde do que nunca.
A próxima alegria vou tê-la quando Guterres anunciar o cancelamento da barragem
de Alqueva, para salvar os mais de 200 sítios arqueológicos que iriam ser
submersos pela albufeira, incluindo o cromeleque do Xerez, que, como os
arqueólogos não vão nunca saber, é sagrado alquimicamente puro, tal como os 20
quilómetros de sagrado do Coa.
Espero ir a tempo, com o Peixoto, e ao serviço do jornal «A Capital» (para onde
fiz uma dezena de lindíssimas reportagens sobre sítios arqueológicos e outras
dezenas sobre património em geral, como deves estar recordado) espero ir a tempo
de fotografar esses sítios todos que, por uma pouco provável hecatombe, podem
ser submersos de uma hora para a outra, caso a improvável realização de Alqueva
se concretize, com o amen de Governo, oposição e moscas varejeiras do tipo PCP e
PP.
+
6804 caracteres <pee -1> pee = projecto editorial new age
GRANDE REPORTAGEM: UM HÁBITO QUE OS JORNALISTAS PERDERAM
OS SEGREDOS DO SAGRADO
PROJECTO EDITORIAL «NEW AGE»
De: Afonso Cautela
Para: José Sarabando
«Agir localmente, pensar globalmente» - Slogan dos movimentos
ecologistas
+ 7 PONTOS
[ 1/Novembro/1995] - 1 - Com as figuras rupestres de Foz Côa , numa remota
região transmontana, Portugal saltou, de repente, para a celebridade
internacional.
Nunca o local e o universal estiveram tão perto e nunca foi tão claro que são as
duas faces da mesma moeda, da mesma realidade: com as figuras rupestres de Foz
Côa e a Expo98, Portugal entra portanto, com os dois pés, e não ao pé cochinho,
na vanguarda da civilização do futuro, a tão falada mas pouco compreendida Era
do Aquário.
Se, como alguns pensam, para construir o próximo 3º Milénio, o passado mais
remoto é tão necessário como a ciência e a tecnologia de ponta mais recente, as
figuras do Côa e a Expo 98 são, de facto, os dois grandes símbolos orientadores
desse rumo.
O signatário deste projecto «New Age» sabe que, para se ter razão sobre este
planeta Terra, não basta ter razão. É preciso também ter o poder. Ou o apoio de
quem tem o poder.
Mas, tal como em 1969, defendi totalmente sozinho o projecto ecologista - que
ninguém, das ideologias em presença, aceitava, encontro-me hoje, em Novembro de
1995, na situação de defender (quase) sozinho, um projecto milenarista de
primado do espírito sobre a matéria, quando a humanidade parece totalmente
dominada pela sociedade de consumo e seu lógico totalitarismo.
2 - Ontem como hoje, o signatário está consciente do seu principal handicap: não
tem, no seu curriculum, um curso universitário. Por isso sabe que não pode
aspirar a cargos. Pensa, no entanto, que os nossos antepassados de há 40 mil
anos - os que gravaram no xisto as figurinhas onde temos hoje preservado o
Sagrado em estado alquimicamente puro - também não. Sei que pertenço à raça
desses primitivos.
3 - Quando entrou para a redacção de «A Capital» - onde foi colaborador regular
de cinema e literatura, desde os anos 60 - o primeiro trabalho de fundo que
propôs ao então director Rudolfo Iriarte foi um circuito de reportagens sobre
«geografia sagrada de Portugal». Ainda o património cultural não estava na
berra. Ainda não subira a Conselho de Ministros. Ainda não ocupava plenários da
AR. Ainda a ecologia era vista com desconfiança. Ainda o nosso querido
presidente Soares não tinha feito a sua presidência aberta sobre ambiente,
dizendo NIM a Alqueva.
Ainda as grandes organizações de inspiração maçónica, ocultista e esotérica
viviam uma forçada clandestinidade, face ao poder do materialismo e do
positivismo.
Não era possível, portanto, mostrar à luz do dia o «outro Portugal», o Portugal
secreto e escondido. Em outros países vizinhos da UE, trabalhos sobre os
segredos do sagrado de cada país foram entretanto efectuadas. No caso da
Espanha, por exemplo, por um jornalista - Juan Atienza -, que tem feito em
Espanha o que eu gostaria de ter feito, quando propus ao Rudolfo Iriarte uma
série de reportagens sobre a nossa geografia sagrada, uma das mais ricas do
mundo como só agora (!!!) , com as figuras do Côa, se mostra e demonstra.
4 - Entretanto, e sem que haja uma voz - nacional ou internacional - a
defendê-lo, todo o núcleo representativo do puro sagrado no Alto e no Baixo
Alentejo, com a capital mundial em Monsaraz - irá ser submerso pela albufeira de
Alqueva, o maior crime jamais cometido contra este tesouro de um país de
tesouros: mais de 100 sítios arqueológicos de alta antiguidade, vão ser
submersos.
Neste sentido, a batalha do futuro mundial do mais antigo e precioso passado,
trava-se em Portugal e exactamente nestes dois pólos da contradição: em Côa e em
Alqueva. O Sagrado contra o Cimento armado das barragens.
5 - O que encoraja o signatário a viver tudo de novo - a partir de zero - e a
refazer todos os projectos alternativos de vida que teve de meter na gaveta -
desde 1969, trabalhava ele no jornal «O Século» - até que viessem outros deles
se aproveitar, sem sequer pagar copyright - o que o encoraja é ter a certeza , a
absoluta certeza, de que, ontem, como hoje, tem razão.
Ainda que não tenha qualquer ilusão de que alguém lha dê ou venha a dar.
6 - Um projecto editorial capaz de transmitir e levar esta informação - esta
dialéctica e esta lógica do «regional-universal» - a um público mais ou menos
distraído com as atracções do imediatismo político e económico, talvez seja
rentável - economica, editorial e culturalmente.
No novo espírito - a que alguns, em língua anglo-saxónica, chamam «new age» mas
que o signatário prefere designar por Nova Idade de Ouro, porque matematica e
geometricamente o é, - cabem todas as correntes alternativas que, desde 1969, o
signatário deste projecto tem procurado detectar e, quando possível, fazer-se
eco no seu trabalho de jornalista.
Se a ciência e tecnologia de ponta (fim da Idade do Ferro), têm algum lugar, no
próximo Milénio, como «meios benévolos», a verdade é que o verdadeiro conteúdo
do próximo Milénio será, obvia e evidentemente, espiritual - desde que esta
palavra contenha todo o rigor de significação que vários milénios de tradição
primordial viva lhe podem dar.
A ciência e a tecnologia de ponta (só) servem de ponte, de meio para que a
grande mensagem do terceiro Milénio possa passar, até às novas gerações que dela
vão precisar como de pão para a boca.
Os jornais e telejornais vivem do imediatismo quotidiano - e com esse
imediatismo se pretende, quase sempre, justificar muita concessão (ao acessório)
e muita omissão (do essencial).
Houve tempo em que a «Grande Reportagem» era o pivô do jornalismo: deixou de o
ser quando o grande argumento contra a «grande reportagem» passou a ser as
«despesas ... de deslocação», «os custos que implica para o jornal... », etc.
Hoje, a «Grande Reportagem» é nome de revista a que, pelos vistos, está
confinada. E o (grande) repórter tem que ir para a reforma.
A Proposta
6 - Resumindo as linhas essenciais do projecto «New Age - 3º Milénio», proponho:
- Um destacável in «A Capital», que ligue o regional-e-local ao mundial, o
passado mais remoto ao presente mais avançado e ao futuro mais arrojado
- Além de um noticiário seleccionado em função das «alternativas de vida» e da
«vida alternativa» que a nova idade de Ouro pressupõe (noticiário escasso, neste
momento, pelo óbvio círculo vicioso que a própria situação pantanosa do mundo
suscita) - o projecto seria alimentado com reportagens de fundo ao «Portugal
Profundo» - Geografia sagrada - desde as nossas tradições templárias às nossa
raízes paleolíticas.
7 - Tentei adivinhar os motivos invocados para «chumbar» este projecto, que de
outras vezes também terá sido chumbado, e só encontro os motivos que toda a vida
encontrei para os projectos de futuro que mais ou menos sonhei, alguns dos quais
alguns oportunistas viriam a aproveitar com lucro.
As alegações poderão ser:
«Utópico»
«Inoportuno»
«Ainda não é o momento»
«A SIC já deu» (por acaso ainda não, mas porque não?)
«O «Público» já publicou (e é verdade , mas depressa desistiu)
«Não tem background publicitário» (Por acaso até tem, é todo o mercado de
produtos alternativos em franca expansão e de que tenho +ou- organizado o
ficheiro-catálogo: não só esse mercado procura um meio onde anunciar, como só
por si justificaria a criação de um espaço a isso adequado)
«É contra a lógica irreversível da sociedade de consumo» (de facto, é)
«Não é rentável a curto prazo» (Quem sabe se não será?)
«Ainda ninguém tentou» (Pois não)
«Vai contra a lógica do mundo actual: primado da economia sobre o ser humano e
não do ser humano sobre a economia» (De facto, vai)
Afonso Cautela
1/11/1995