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10880 bytes <ec-humª> Chave para AC A ECOLOGIA HUMANA EM 1964 ? INTUIÇÕES DE ECOLOGIA HUMANA CONCEITOS ALARGADOS LINHAS DE INVESTIGAÇÃO AC «Diz-me o que comes -- em sentido lato -- e dir-te-ei quem és...» Não posso provar de que o texto a seguir publicado é de 1964 mas a verdade é que é. Já lá vão, portanto, 43 anos. Pelos vistos, já em 1964 procurava o «sentido lato» (conceito alargado) e portanto a metáfora do «ar que se respira», sendo claro ao meu espírito que o «ar que se respira» é também o ideológico, o mitológico, o industrial, o químico, o físico. Poucos anos depois, viria o sentido lato da expressão «o que comemos» e, portanto, o sentido lato da palavra «alimentos». Mais tarde, encontraria, emocionado, em Simone Weil, a confirmação desta intuição do conceito alargado (ou plural) de alimento/alimentos. E o inventário surgia, espontâneo, como o processo literário de dar a soma/ ou o somatório dos diversos factores ou «parcelas da soma». O texto de 1964 aí fica, sem comprovativo porque esteve inédito e on line, sobre ecologia humana, o mas antigo que posso localizar é de 1975. + Nem só os físicos atómicos e a sua herança contribuíram para definir a espécie de ar que hoje se respira e, por maioria de razão, se há-de respirar amanhã. Nem só as poeiras radioactivas nem só a poluição do ar atmosférico pelas explosões termo-nucleares em testes na atmosfera Nem só a água do mar onde caem bombas perdidas (as que se sabe e as que não se sabe) de onde são ou não são retiradas Outros factores e ingredientes o constituem: a propaganda em torno das mitologias ou ideologias políticas, a demagogia pró-paz, os jornais, as agências, a rádio e a televisão Outros factores e ingredientes o constituem: a atmosfera de industrialização maciça; a superpopulação e o isolamento dos indivíduos em unidades fechadas; o ruído difuso que corrói, o ruído directo que lacera; o incremento de objectos domésticos e electro-domésticos, a alienação intelectual e afectiva a esses objectos; o espaço fechado dos arranha-céus; a desproporção entre o indivíduo e os espaços monstruosos edificados nunca a pensar nele; a respiração física e moral dentro de ambientes viciados; o tédio intrínseco às super-organizações e respectivas hierarquias; a velocidade; a agressividade do trânsito automóvel sobrepondo-se ao peão, ferindo, golpeando, empurrando; a devassa da vida privada, a que procedem as polícias; Mas nem só, nem só estes «pequenos nadas» constituem a paisagem que rodeia, modela e determina o indivíduo; os valores, os chamados valores que filósofos fabricam nas universidades, discursam nas academias, inserem nas revistas da especialidade; as chamadas controvérsias ou colóquios de Genebra; as chamadas doutrinas ou teorias, ou humanismos, são ainda e também o habitat do homem civilizado. Arterioesclerose, depressão nervosa, cancro, alcoolismo, intoxicação pelas drogas medicamentosas ou alucinogénicas, suicídio, acidentes de viação, acidentes de aviação, criminalidade -- parecem ser os surtos endémicos protagonistas da comédia humana nesta fase da História. Agredido, bombardeado, atacado pelo «ar que se respira», posto à prova nas suas defesas, na sua resistência e no seu poder de superação, as doenças epidémicas são apenas a única forma que resta ao indivíduo de reagir a sobreviver: doente, mas sobrevivente.
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