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1-1 domingo, 19 de Janeiro de 2003
<chernobyl-4> os dossiês do
silêncio – mein kampf – inédito ac de 1987 – eco-ecos
GRANDES MANOBRAS
NO RASTRO DE CHERNOBYL
1/4/1987 - O discurso dos que falam euforicamente na
"Europa dos Cidadãos" terá de ser lido da frente para trás, se quisermos retirar
dele o verdadeiro sentido.
O facto de a Europa comunitária (já tarde, como os responsáveis confessaram) se
ter lembrado dos cidadãos, muitos anos depois de se ter lembrado dos
empresários, é o único que explica a actual e aparente simpatia comunitária pelo
cidadão, através de directrizes ou directivas que se diz protegerem o ambiente e
a qualidade de vida.
É necessário perceber a má fé intrínseca desta atitude e deste discurso, embora
o consumidor se deva aproveitar da aparente abertura que o sistema parece fazer
aos direitos e interesses dos indivíduos.
Ao enunciar programas de "médio fôlego" , ao projectar metas para vários anos de
distância, a manobra de adiamento é nítida.
E podemos recapitular as razões dessa nitidez:
1°- Até 1992, ou até 1995, ou até 2000, pode ser que outro acidente do tipo
Chernobyl, do tipo Seveso, do tipo Bhopal, inutilize todos os esforços de defesa
do Ambiente
2°- Programas a favor da qualidade de vida pretendem contrastar com os
horizontes de crescimento económico cada vez mais histérico e agressivo que a
Comunidade prevê, principalmente para os países ditos menos e pouco
"desenvolvidos", que têm, como Portugal, a tarefa distribuída de ser os
"caixotes do lixo" comunitários
3°- Esta estratégia no reforço da agressividade industrial dá agora pelo nome de
"Livro Branco", "Acto único" e de "grande mercado interno até 1992”.
4°-- A escalada dos programas económicos e dos projectos megalómanos (tipo
gasoduto soviético transeuropeu) explica que se pretenda comprar desde já o
silêncio e a passividade dos cidadãos, através das suas associações
representativas, com promessas de que também a qualidade de vida está
contemplada, não precisando para isso os cidadãos e as associações mexer uma
palha em sua própria defesa.
Á manobra de distracção junta-se, como é clássico, a manobra dilatória.
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