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<balanco-1-ac-ab>sábado, 23
de Junho de 2007
2005- 2007: BALANÇO DE DOIS ANOS NA AMBIO - 1
Este balanço é dedicado ao Miguel Araújo, que gere a Ambio
Ao computador do Google que me indexa os neologismos
E aos amigos ambionautas que me escreveram mensagens
28 de Julho de 2005 foi a data em que me inscrevi na lista Ambio. Dois anos
depois, e correspondendo ao apelo de várias famílias, quero fazer um balanço das
perdas e danos com esta febril actividade pública.
+
De um modo geral e lendo o que se escreve na Ambio em assuntos mais sensíveis –
o dos desperdícios em geral e desperdícios energéticos em especial – até se
podem compilar uma série de considerandos, dados e números relevantes a merecer
ponderação, sistematização e arquivamento.
Da forma como aparecem, sem muitas vezes se saber a que interlocutor se dirigem,
ou se não se dirigem a nenhum interlocutor, até podem ser relevantes mas sem
interesse para o debate plural e convívio de opiniões que parece dever (não) ser
a Ambio, o monte Fénix da Era Virtual como diz o Miguel Araújo.
+
Falando de informação (ir) relevante, tenho algumas dúvidas:
-notícia de factos, em princípio, será sempre relevante: mas não me consta que
suscite a controvérsia e o debate;
-informação técnica, nomes e números, em princípio também é relevante: mas não
interessa ao povo ambientalista em geral e apenas, como é óbvio, aos
parlamentares da mesma especialidade, ficando os generalistas a ver navios;
-se um profissional usar a Ambio para anunciar factos e eventos do seu ramo, é
igualmente lícito;
- também é lícito que alguém aproveite para expor ideias, meramente ideias e
essas é que me parece que estão não digo proibidas mas
virtualmente desaconselhadas;
+
Se a maioria silenciosa acordar e tomar uma posição colectiva na via correcta –
porque existe uma via correcta que é a da utopia ecológica ou eco-realismo –
talvez se consigam dar alguns passos atrás na corrida para o abismo.
Acho que ainda estamos a tempo de fazer um abaixo-assinado com algumas
exigências básicas e sensatas. Abaixo-assinado que seria um ultimatum.
Quem se oferece para indicar os pontos fundamentais – as prioridades – que
teremos de exigir aos Governos?
+
As ideias de fundo sobre a questão ecológica, consideradas logo «subjectivas», é
outro fenómeno verificável na Ambio, além da crítica ao «estilo» de quem
escreve, como se o estilo não fosse o homem e o homem não fosse o estilo.
Questão sempre traumática é o «estilo» e o incómodo que o
estilo de linguagem causa a certos ambionautas (que, evidentemente também têm o
seu).
+
Deep ecology é coisa que raramente ou nunca se vê por ali.
Embargar túneis e obras é mais mediático.
Ou – volto à minha – há quem queira dizer alguma coisa mas não se atreve porque
o espaço está congestionado de questões pontuais ou dados numéricos e
estatísticos, esses, sim, sempre relevantes.
+
O poder e o discurso do poder como matéria de Ambiente é questão
sistematicamente rejeitada na Ambio, como se todo o Ambiente não fosse moldado
pelo discurso do poder e pelo poder do discurso.
Quando digo discurso, incluo a nomenclatura técnica especializada.
+
Falar em Karma na Ambio, escandaliza logo muita gente científica.
Mas Karma é apenas outro nome da lei de causa e efeito, pilar da retórica
científica bom deus!, que até pouco vai além disso quando vai.
Só os tecnocratas é que podem usar palavrões que ninguém entende? Estudos de
impacto ambiental, «ameaças globais» e outras ?
+
Quando proponho temas como o da Biocosmologia (ou Ecologia Alargada) é evidente
que não posso esperar feed back mas será que, em boa consciência, é um tema
secundário, folclórico, esotérico, para se descartar assim, pelo
silêncio ou pelo desprezo?
O que me parece é que a tal maioria silenciosa tem medo das represálias e não se quer meter nisso, não se
manifesta sob pena de levar com o rótulo de esotérico, obscurantista ou outro do
género.
+
Outra coisa muito frequente são as mensagens sem identificação inicial do que
tratam: abruptamente, somos confrontados com um discurso e vemo-nos gregos para
perceber a que se refere e porque aparece.
+
Quando levantei a questão dos aviões, foi o bom e o bonito: aproveitou-se o
assunto para algumas exibições de tecnicismo, sem que a questão de fundo – até
que ponto os aviões também são responsáveis pelo CO2 – tivesse sido sequer
considerada.
Quando levantei a questão do segundo código genético, dois meses depois
confirmado por uma equipa de não sei quantos cientistas de não sei quantos
países, foi o bom e o bonito: o Étienne Guillé só existia em sites esotéricos,
etc.
Ou seja, o rótulo como técnica de manipulação de opiniões mais uma vez
funcionou, parece ser também uma coisa que faz parte da ética normal nos
frequentadores mais assíduos da Ambio.
+
Aprendi muito com os amigos da Ambio.
Antes de mais nada as duas listas fundamentais:
a) Neguentropia (a lista da esperança)
b) Entropia (a lista negra).
E depois a lista dos neologismos, claro, com links para o Google.
Essa será um file à parte neste balanço.
+
Algumas invariáveis detectadas na Ambio:
Um certo cinismo, sob a capa da ironia, quanto à legitimidade da ideia ecológica
e sua evidente superioridade sobre as utopias tecnocráticas;
Uma redacção analfabética, com erros ortográficos, para lá do aceitável;
Uma descarada ou mascarada obtenção de vantagens através de reacções só para
marcar pontos;
Uma fuga sistemática às questões de fundo, martelando nas circunstanciais e
pontuais;
Uma recusa de pensar seja o que for sobre seja o que for, ambiente, meio
ambiente ou algures;
Uso de nomes sem apelido, quando o apelido é o mínimo que se pode pedir para que
todos se identifiquem diante de todos.
+
Proponho ao robô da Ambio, algumas tarefas que tornariam o Ambiente mais
saudável:
Distinguir o que é objectivo e o que é subjectivo nas mensagens, rejeitando
portanto o subjectivo e deixando só o que é objectivo;
Corrigir alguns erros ortográficos, gralhas e desleixos de linguagem que tornam
as mensagens ilegíveis e que são um desrespeito pelos ambionautas menos dados a
decifrar enigmas;
Distinguir o tema relevante do irrelevante para o Ambiente que, na Ambio, julgo
ser triplo: Ambiente, Meio Ambiente e ideia ecológica .
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