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CONTACTOS VERSOS AC-1 versos ac-2 versos ac-3 versos ac-4
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1-3-<illich-1> os dossiês do silêncio – para uma sociedade paralela – inédito de 1981 – leituras + ECOS EM PORTUGAL (1) http://pwp.netcabo.pt/big-bang/gatodasletras/casulo1/ILLICH1.HTM Ω 1981 - São escassas e praticamente nulas na imprensa portuguesa, as referências ao Centro Intercultural de Documentação (C.I.D.O.C.) (que começámos já em artigo anterior por analisar). Com efeito, (e tal como já dissemos), esta "oficina de ideias", fundada em Cuernavaca por Illich e Valentina Borremans, em 1966, continua a emitir mensagens de esperança para a construção, difícil mas não impossível, de um mundo alternativo. Justo é, no entanto, assinalar que a "Revista Crítica de Ciências Sociais", dirigida em Coimbra pelo Prof. Boaventura Sousa Santos (da Faculdade de Economia), incluía no número 3 não só um extenso ensaio de Illich sobre a sua nova obsessão (o trabalho) - " As Alternativas Tecnológicas e as Três Dimensões da Opinião Pública" - o que viria a ser a única recensão noticiosa surgida em Portugal sobre o "Guide to Convivial Tools", de Valentina Borremans, também já comentado no artigo anterior. Aí, nessa notícia, surge a expressão "tecnologia radical" , de Peter Harper, mostrando como a nomenclatura alternativa é rica e diversificada. Depois das "tecnologias doces" e "leves" propostas, entre outros, por Robin Clark, depois das "tecnologias intermédias" de Frederico Schumacher (há um livro seu felizmente traduzido em português, " Small is Beatiful” ), depois das "tecnologias democráticas" de Lewis Mumford, depois das "tecnologias conviviais" como querem Valentina e Illich, depois das "tecnologias libertadoras" como lhes chama Murray Bookchin e como nas edições "Frente Ecológica" se tem preferido designá-las, não pára a lista de nomes para designar coisas sensivelmente diferentes-iguais. Boaventura Sousa Santos fornece, naquela recensão noticiosa, uma síntese muito útil da riqueza contida no "Guide", tal como o artigo de Gorz-Bosquet "o arquipélago da convivialidade" como já assinalámos. Também no "apêndice" que escreveu à tradução portuguesa da "Energia e Equidade" (Sá da Costa, 1975), Boaventura Sousa Santos fala de Illich e do que considera o seu "projecto de política radical de sobrevivência". Radical e de sobrevivência é sem dúvida a tese illichiana: ele prova que não há crise de energia, antes pelo contrário, a sociedade continuará a destruir o planeta na sua marcha energívora para o abismo da super-abundância de uns, necessariamente a super-escassez de outros. Os nºs 109 e 110 de catálogo do "Guide to Convivial Tools", são duas obras de Murray Bookchin, pensador norte-americano (Califórnia) de tendência acrata e cuja reflexão "tecno-política" tem sido frequente e quase constante. O seu célebre ensaio " Towards a Liberatory Technology” seria marcado na edição portuguesa ("Para uma Tecnologia Libertadora", Via Editora, 1976) por tristes vicissitudes. Trata-se de uma edição quase apócrifa e bastante mutilada relativamente ao original, como a tempo denunciou a equipa da revista " A Urtiga". + JOSÉ CARLOS MARQUES E O RENASCIMENTO RURAL A-propósito: é a esta equipa em geral e a José Carlos Marques em particular que se deve a atenção mais persistente e a informação mais abalizada no campo das tecnologias alternativas, de que os cadernos "Ecologia e Sociedade", dirigidos por José Carlos Marques na Editora Afrontamento (Porto) várias vezes se fizeram eco. O número 10 dessa colecção, por exemplo, abria com uma homenagem ao E.F. Schumacher, figura totalmente desconhecida até então em Portugal. "Felicidade, Tecnologia e Produção de Massas" era o texto desse economista escolhido para inaugurar uma colectânea sobre "Tecnologia de Aldeia, Tecnologia do Futuro", em que igualmente se podiam ler textos de Robin Clarke (" A Tecnologia Suave") e seu célebre quadro dicotómico, de J. Mc Dowell ("O Conceito de Tecnologia de Aldeia"), de A.S. Kenkare ("Tecnologia para o Mundo não desenvolvido"). Textos de inegável interesse , no mesmo sentido do "renascimento rural", eram publicados no número 4 da mesma colecção, a que José Carlos Marques soube conferir nível internacional, por isso mesmo se condenando ao ostracismo nacional.
O TECNOFASCISMO SEGUNDO MICHEL BOSQUET
Mas voltando a Murray Bookchin: ele viria a ter melhor sorte nas mãos da revista " A Ideia", onde, no número 16 - Inverno de 1980 - , surgiria o seu "Manifesto Ecológico" (original aparecido 10 anos antes) e posteriormente um outro estudo sobre os equívocos do movimento anti-nuclear. Aliás, é de Bookchin um dos alertas mais solenes aos equívocos de uma eco-tecnocracia que Michel Bosquet, sem evasivas, denomina "tecno-fascismo" e que, é claro, tem ilustres representantes no nosso meio artístico-intelectual... alguns dos quais advogam álcool combustível e solar plano para melhor incrementar a “sociedade neo-esclavagista”. Em Outubro de 1980, a vinda a Portugal de Ivan Illichn ( que a contra-gosto e "marginalmente " participaria no Congresso "Aprendizagem e Desenvolvimento", onde o francês Edgar Morin seria a vedeta) pretextaria breves referências e notícias nos órgãos de Comunicação Social. No jornal "Portugal Hoje" publiquei a entrevista que Illich me não quis dar, depois de falarmos durante uma tarde ...inteira. Em compensação, ofereceu-nos a hipótese de mini-editar na "Frente Ecológica" (oficina artesanal de ideias como ele diria...) o seu estudo "O Trabalho-Sombra", oferta que a organização do Congresso nos recusaria, publicando-o mais tarde, em 1981, na sua revista em papel couché "Aprendizagem e Desenvolvimento". O seu a seu dono. CONVIVIALIDADE OU CATÁSTROFE As alternativas de vida à morte que nos é imposta e vendida, existem e são possíveis. Qualquer das verbas gastas com os planos megalómanos de um gigantismo macrocéfalo, com o "desenvolvimento da destruição", daria para fomentar o progresso de muitas comunidades, combater muita fome e muito desemprego, libertar muitas pessoas da doença e de outras servidões e escravaturas mais ou menos neo-coloniais. Os próprios organismos especializados da ONU anunciam o que se poderia fazer de útil com o inútil gasto em armamento. Mas ao puxar as atenções para o escândalo "guerra", para o armamento, obviamente detestado por todos os povos, os organismos da ONU fecham os olhos para a "outra" guerra, aquela que leva , regra geral, rótulos pacíficos tais como o de "desenvolvimento". Esta é a guerra ecológica de que os organismos da ONU não falam, porque obviamente também a fomentam, como prova a F.A.0., a O.M.S., a O.M.M., o PNUD e seus programas de desenvolvimento. A dicotomia proposta, internacional e oficialmente, é assim falsa. Mas não sabemos de mais ninguém, além de Ivan Illich, que o tivesse dito e glosado ao longo de todos os seus livros e...linhas. Trata-se, na perspectiva convivial, de pôr frente a frente dois mundos ou duas concepções do Mundo: o desenvolvimento monopolista ou imperialista e, ao outro lado, a convivialidade da sobrevivência possível nas alternativas ao monopólio. Esta é que é a guerra verdadeira e real (os ecossistemas resistindo ao sistema) à qual serve de biombo hediondo o cenário de mísseis reciprocamente apontados pelas superpotências que só aparentemente se digladiam mas que, no fundo e realmente, movem a grande guerra contra a humanidade. Guerra que, sob a forma de “modelos de desenvolvimento”, vai somando genocídios, etnocídios e ecocídios até à catástrofe do confronto final. © |
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