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DE ABEL CAMPOS ARTIGOT

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<06-05-21-ac-rr>

ESCALADA DE SÍSIFO

Atacar ideias já é arriscado e carrega o karma (só tarde e bem tarde me apercebi disso) .

Atacar pessoas ainda mais.

E almas ainda muito mais.

E almas de eleição ainda muito, muito mais. É a completa ruína da (sua) alma que tal arrojo se permite, essa faina a que se consagra com as suas melhores energias.

O meu conselho paternalista e moralista (que nunca dou a ninguém) era de que deve tomar cautela e rever os pressupostos em que exerce o poder da palavra sobre incautos.

Eu, Cautela, fui um desses incautos.

Atraído a uma armadilha, caí na armadilha: agora percebo porque não leu nada sobre Etienne do pouco que lhe dei mas procurou na Net para encontrar alguma foto sampaku do homem.

Quando profetizar o cancro a alguém – porque é sampaku ou qualquer outra dessas minudências , - talvez valesse a pena saber em que medida vandalizar o sagrado pode contribuir para uma doença degenerativa qualquer do corpo físico.

Porque existe uma coisa chamada arquétipos.

Mesmo como intenção suicida, não lhe vejo muito sentido!

E embora eu saiba que neste mundo profano de constantes profanações já pouca coisa faz sentido.

O menos que posso dizer é que você me enganou. Não pesquisa a verdade mas os alvos privilegiados que deve destruir. De preferência com fotos a ver se são sampaku, mais um estigma com que você estigmatiza todos a torto e a direito só salvando desse massacre o Tomio Kikushi . E de preferência de almas eleitas que são ainda as poucas referências seguras que nos restam.

A menos que seja um auto-suicídio, não entendo onde quer chegar.

Não sei a que título aspira – iconoclasta, blasfemo, satânico – mas qualquer deles não me parece que sejam a sua vocação, consciente ou subconsciente.

Portanto é outro desperdício de energias (as suas) e malhar em ferro frio.

Até para destruir (ou principalmente para destruir) é preciso arte e engenharia. E não destrói quem quer mas quem aprendeu a destruir, o que inclui alguma subtileza a que se pode chamar satânica.

Há constantes que se cruzam no seu discurso: perversidade, profanação, heresia, blasfémia, o que até faz com que cépticos como eu estejam mais certos do sagrado e da eternidade da alma. Mas para isso acho escusada tanta violência gratuita, a torto e a direito.

Fala do sofrimento em geral e da doença em particular com uma leviandade que me assusta. Assusta-me não por mim mas pelo que está a fazer à sua alma.

Perguntas que gostaria de lhe fazer:

Nada para si é sagrado?

O sofrimento, a dor, o destino são apenas palavras?

Eternidade da alma para si tem algum significado?

Qual a sua ideia fixa?

Cancro, para si, é a mesma coisa que uma constipação?

Para si não há mistérios?

O que significa para si a dimensão cósmica do ser humano?

Para si não existe uma hierarquia de valores?

Para si vale tudo esmo tirar olhos?

Tem para si algum significado a compaixão budista?

Acha que domesticou o seu ego mental? Ou deixa-o à solta?

O terceiro termo da dialéctica: o que significa para si?

Atrair ou não atrair clientes: quem postula esse preconceito é você para depois analisar várias figuras a partir desse pre-conceito?

Será que tudo é para rir e gozar? Será que mesmo o sofrimento é para rir e gozar? Será que nada – pessoas e valores - é respeitável?

Será lícito agredir pessoas e almas como se agridem ideias?

Mesmo não havendo valores, seria para si possível distinguir entre almas e grandeza de almas?

Numa escala hierárquica de zero a 5, que valor atribuiria à palavra santidade?

E à palavra compaixão?

E à palavra sabedoria?

Além do Princípio Único não haverá outras referências que devam merecer a nossa atenção e a nossa reverência? Ou atenção e reverência são também vocábulos proibidos no seu léxico pessoal?

Nem só de yin-yang vive o homem!

 

 

 

 

 

 

 

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Última modificação: 22/06/07