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<agustina-1-ls> Este texto de Afonso Cautela foi publicado no jornal «A Capital», «Leituras de Verão», 13-8-1991 A EMA DE AGUSTINA «História de paixão que tem como adversária a mediocridade», o romance Madame Bovary, de Gustavo - Flaubert, motivou o interesse de Agustina Bessa-Luís, ao ponto de a escritora portuguesa sobre ele escrever um outro romance, este «Vale Abraão» que a Guimarães acaba de editar. A recriação de Ema Bovary, destinada a servir de guião para um filme de Manuel de Oliveira, levou-a a descobrir a natureza flaubertiana que concebeu Ema e a tomou como seu espelho. O realizador francês Claude Chabrol, que também anda às voltas com a personagem, dela disse: «O ser humano é estúpido. O que salva Ema é que ela se bate.» Agustina acha que «Ema usou de carta branca para atravessar a vida. E pergunta: É um crime? Uma loucura? Um ritual de tristeza?» concluindo com um dos seus famosos aforismos: «É acima de tudo um sentido atávico que as mulheres cultivam e que está longe de servir a concupiscência. E o sentido de pertencer a um mundo melhor e para ele avançar mesmo à custa dos mais cruéis mal-entendidos.» «Vale Abraão», Agustina Bessa-Luís, Ed. Guimarães, Lisboa, 1991♦ |
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