<92-09-19-fa-yy> domingo, 26 de Janeiro de 2003-novo word - <spn-3> Revisão: terça-feira, 19 de Setembro de 2006
NATURISMO MILITANTE:
A ÚLTIMA OPORTUNIDADE
19/9/1992 - Até 26 de Agosto de 1983, data em que a história do Universo começou a acelerar no sentido do Aquário, com a abertura de um novo canal cósmico de ajuda à Humanidade, os sinais de um Novo Génesis já se notavam mas não eram a girândola fantástica, a floresta densa, a «overdose» de avisos e oferendas que são hoje, anos volvidos.
Quem esteja minimamente atento à linguagem vibratória, ficará certamente perturbado. Hoje só não somos felizes e livres se não quisermos. Só não somos livres e felizes, porque somos estúpidos. Para isso, para ser menos estúpido, a principal tarefa que se coloca é seleccionar os meios de vida e sobrevivência que temos ao nosso alcance, em vez de nos deixarmos esmagar pela quantidade. Porque hoje - em pleno «reino da quantidade» (René Guénon) é esse o risco.
Em matéria de terapêuticas naturais passámos da ditadura alopática para o caos naturopático, com mais de uma centena de técnicas terapêuticas à nossa disposição. Era um título do «Diário de Notícias», de há meses, não sei se se lembram.
Por onde começar? Por onde puxar o fio da meada? Por onde começar, depois do caos, a reconstrução da ordem cósmica? Como seleccionar a informação que hoje se derrama em cornucópia sobre as nossas cabeças? Como separar o essencial do acessório? Como testar os novos produtos que todos os dias surgem no mercado? Como separar o trigo do joio, o ouro do pechisbeque? Como evitar que a quantidade esmague a qualidade? Como aproveitar o que serve e como saber o que deitar fora? Como fugir à desesperada Entropia e poupar a Energia que tão preciosa nos é para enfrentar os tempos que estão aí a chegar.
De tal maneira é densa a floresta de sinais, que nos arriscamos de facto a ficar perdidos. E nesse caso, o sistema do Desperdício e da Morte, mais uma vez ganharia na sua guerra secular contra os ecossistemas. O que seria, obviamente, um contrasenso. Seria mesmo perverso que não tivéssemos morrido da Doença para irmos morrer da Cura. Este sistema infernal vive de ir matando os ecossistemas e uma forma que tem de os matar, talvez a mais canalha, é a Overdose.
Canais de Televisão & Internet são fenómenos de overdose. Mas haja esperança, porque a Itália tem apenas um milhar de canais e nós, por enquanto, além dos da concorrência e das parabólicas, ainda não temos o que se pode chamar o Gulag das Antenas.
Mas que isto se passe ao nível do sistema e da sua infernal capacidade de autoreprodução e de canibalesca autofagia, é próprio da época de Kali Yuga que, ao que nos dizem os profetas, tem os dias contados e está na fase de agonia. Agora que se passe também no campo da informação alternativa, no campo holístico ou área unificada, já custa mais a perceber. Tudo se passa como se não tivéssemos morrido da Doença (a Entropia) e viéssemos a morrer da Cura (a Neguentropia). Tudo se passa, hoje, como se as pessoas tivessem a felicidade mesmo à mão e a deitassem fora. Tudo se passa como, pela primeira vez na Era Cristã, tivéssemos à disposição os meios para ser livres e felizes e continuássemos, perdidos, patetas, à procura da Rolha, distraídos a saltar da ginástica sueca para a anaeróbica, do Chi Kung para o Tai Chi, do mentalismo para o vegetarianismo, da Macrobiótica para a Radiestesia, dos pontos japoneses para os pontos japoneses (Tubo), do guru indiano para o guru tailandês, do Ginseng para a meditação, do Yoga para o relax, da Trilogia Analítica para a Unificação Universal.
Haja calma, meus senhores, e um pouco de juízo: não nos deixemos cair na tentação da fartura, na tentação neurótica da acumulação capitalista, na obsessão de aferrolhar sabedorias, métodos, terapias, mais valias, lucros, etc.
Curiosamente, a big questão na medicina metabólica é a das doses. O que salva pode matar, por uma questão de dose. O que é fisiológico em uma dose pode ser tóxico em outra. O bismuto mata mas em oligoelemento catalítico cura uma angina em dois minutos. O cobre em calda (dose ponderal) serve para matar bicharada mas em dose catalítica cura um resfriado em dois minutos e meio. Enfim, temos que aprender a dosear a informação e a escolher.
(...)
Também tenho a dizer aos terapeutas meus amigos que sou amigo de todos mas que não perdoo a nenhum um vício estrutural de quase todos eles: quando fazem o diagnóstico do pobre triste desgraçado e sofredor doente, dá impressão que estão a decretar um anátema. Como se eu tivesse as culpas todas do meu sofrimento e do meu mau fígado. Se eu os mandasse para o meu local de trabalho, que é o Paiol de Cabo Ruivo, com 200 tanques de gás à volta, quem ficava com maus fígados eram eles. Quero com isto dizer que a supremacia do terapeuta em relação ao doente, dada pelo poder de diagnóstico, tem de ser adoçada com dois correctores: uma imensa piedade pelo sofrimento humano; e uma consciência ecológica das doenças, que não caem do céu como diz a medicina mas são originadas em duzentos por cento no inferno do ambiente que nos rodeia, no estilo de vida a que somos sujeitos, no trabalho, na poluição alimentar, na maldita química, etc.
O Diagnóstico ecológico deve anteceder todos os outros, inclusive o diagnóstico holístico, que também ainda não se faz. No entanto, é a pedra angular das velhas e novas medicinas. Sem o estudo biotipológico, seja ele chinês através dos cinco elementos, seja ele hipocrático através de qualquer dos sistemas europeus, nenhuma terapêutica progride. Nenhuma ciência humana, incluindo a medicina, progride.
O Diagnóstico visual devia ser obrigatório desde as escolas primárias. Mas enquanto não é, vamos estudar o que ao alcance de todos deve estar. Por exemplo: é disparate pensar que a Acupunctura de agulhas, a mais complexa das matemáticas humanas, seja dominável por alguém em alguns anos. Mas é possível dominar em alguns meses a Auricoloterapia. Ou a Oligoterapia. Ou o Pêndulo para uso quotidiano. Ou mesmo a Macrobiótica de primeiro grau. É preciso divulgar o essencial, sintetizar o discursivo. Se há armas poderosas como é o Chá de Vegetais Doces ou o Prato Número 7 de Oshawa, ou o Gogumelo Shitaki, ou o I Ching, temos de falar disso a toda a gente e a toda a hora. Homeopatia é uma ciência de alta especialização. Hidroterapia é uma técnica só para pessoas com uma grande preparação. Yoga é uma técnica de longo prazo.
Ora as pessoas têm urgência em arranjar defesas, já, ao alcance das bolsas e de todas as mentes. É, portanto, necessário que se divulguem as técnicas mais universais e os princípios definitivamente comprovados pela prática. Não podemos ficar eternamente a discutir a escola A com a escola B mas temos de enunciar aquilo que é já património de todas as escolas. A experiência e aquilo que a experiência testa é que vale.
(...)
A quantos cultivam as técnicas orientais de relax, vale a pena lembrar a forma que quase todos recusam: o karma-yoga. E, no entanto, posso garantir-vos, por experiência própria, que se tiram desta técnica proveitosos lucros, não digo para este mas principalmente para o outro mundo. A big questão, aqui como no resto, é se estas vias ditas naturais e naturistas, nos enterram ainda mais a alma no inferno ou se nos ajudam a sair dele. O Pêndulo e sua sensibilidade ao grande rio subterrâneo pode dar-nos uma ajuda muito valiosa. Na grande questão de «salvar a nosso alma», o processo, tal como o do corpo, é um processo metabólico. Temos que saber o que são atrasos de vida, e rejeitá-los ( como quando esvaziamos os intestinos) e temos que saber o que são os sinais luminosos que nos ajudam a preparar a ponte e, a esses, assimilá-los como o bom alimento da alma.
Os que ganharam lucros com as terapêuticas naturais têm um dever inescapável: reinvestir parte desses lucros na construção da ponte para o Aquário, ponte por onde possam todos passar e nem só alguns. E quando digo todos, digo pessoas, animais, plantas, rios, montanhas, árvores, tudo o que de amorável existe.
Uma revista holística como deve ser, parece-me sempre a mim, que tenho o vício dos jornais, um meio indispensável para ajudar a construir essa ponte.
Por isso e desde que a Drª Maria Lucinda me despediu, pela terceira e derradeira vez, da revista «Saúde Actual», que tenho feito vários assédios junto de alguns chefes carismáticos do mundo holístico-naturopático-macrobiótico, sem que resultassem. Fazem muitas contas, muita contabilidade, muito deve e haver, etc.
Falando bem e depressa, todos, com maior ou menor delicadeza, me mandaram ver se chove. Mas ainda são capazes de se queixar, na primeira altura, de que a Imprensa trata sempre muito mal os acontecimentos do movimento naturista.
E trata, por isso o movimento holístico tem de criar a sua própria imprensa. Aliás, é abusivo falar de movimento, quando o que se passa hoje, com a Holística, em Portugal, é apenas uma negociata pegada quase sempre bem sucedida. Se julgam que digo isto porque sou santo, enganam-se. Digo isto por pura inveja, porque também eu gostaria de ter carro e bons petiscos à mesa. É isso que me faz caridoso com as pessoas, porque preciso de todas. Mendigo auxílio, ajuda, protecção. Quando ajudo é porque preciso urgentemente de ser ajudado, porque estou à beira do abismo, onde me encontro, aliás, quase sempre.
Os donos da naturopatia têm que decidir: se querem levar tudo deste mundo e ficar em pelo no outro, ou ter um lugarzinho ao sol no outro e margens de comercialização menores neste.
Eu acho que o mal dos nossos naturoterapeutas é a fartura. Sabem demais, ganham demais, acumulam demais. E depois aparece-lhes um pobre doente pela frente, que tem apenas uma carga imensa de sal no intestino, e dizem-lhe que é depressão.
Menos cursos, menos diplomas, menos títulos e mais discernimento - como diz o irmão Michio Kushi - menos erudição e mais intuição, menos teoria e mais amor ao próximo, menos consciente e mais confiança no inconsciente colectivo, ajudariam, muito melhor, a fazer o diagnóstico correcto e a receitar a terapêutica de combate prioritária.
Se o Sal está lá, não vale a pena tentar mil receitas, que de nada valem enquanto o Sal não sair. O mesmo se diga em relação ao tipo/temperamento de cada doente. Saber se é Fogo, Madeira, Terra, Metal ou Água, é o menos que se pode pedir.
A forma como alguns estão a explorar o mercado dietético, tem muito a ver com almas perdidas e almas encontradas. Dou só dois exemplos recentes e será fácil à vossa lucidez retirar a respectiva lição, a respectiva moral.
Um deles, passou-se com um livro, recentemente publicado nos Estados Unidos, que trata de SIDA e Macrobiótica. O livro é assinado por Michio Kushi e aquilo a que ele chama os seus associados: ou seja, uma equipa de médicos e investigadores, que não só caucionam com a ciência médica as velhíssimas teses do yin-yang taoísta, como respaldam a macrobiótica com um background de grande envergadura. Para simplificar, quero dizer que entre cinquenta grande livros que se podiam eleger como guias seguros das nossas almas, eu colocaria este, neste momento, à frente do pelotão.
Na minha opinião, não há dinheiro que pague um livro tão decisivo para a Humanidade e seu próximo destino como é este. Pois bem: a anedota vem já a seguir. A Livraria Espiral pediu-me 8.500$ e eu, mesmo com o risco de não almoçar nos próximos 15 dias, dei sem pestanejar os 8.500$00. Confirmei depois que daria outros tantos, porque um livro como este não tem preço.
Mas a questão é outra: falando quatro dias depois com o representante português do Instituto Michio, para lhe dar conta da boa nova que eu acabara de descobrir, ele me diz que uma semelhante «margem de comercialização» é um tanto ou quanto abusiva, visto que ele mandara vir uns exemplares e na factura próforma pouco iria além dos 4000$ cada exemplar. Exemplar me parece esta história de 100% de «margens de comercialização», o novo eufemismo para designar o roubo descarado feito à bolsa do pobre consumidor.
Dou ainda outro exemplo: o Chá Verde da marca (...), numa embalagem de (...)gramas, custava, ainda não há um ano, pouco mais de 300$00. A mesma embalagam encontra-se agora no mercado a 1.300$. Aqui o ridículo junta-se à exploração: a este preço, um quilo de Chá Verde custaria a bagatela de 8 contos e picos. A este preço, nem a Rainha da Inglaterra, de certeza, comprará o seu chazinho. E duvido que em alguma parte do Mundo o Chá verde - o suave, magnífico, relaxante, espiritual e anticancerígeno concentrado de Teína - possa custar metade sequer dessa exorbitância.
O alibi barato da margem de comercialização, não evita, evidentemente, que os autores desta e de outras tantas proezas já tenham a esta hora um lugarzinho marcado no mundo da calmaria.
O mercado dietético, assim sendo, cheira mal. Só não se nota tanto, porque a verdade é que todo o País também não cheira nada bem. Por estas e por outras é que eu digo sempre: não sou de cá, estou aqui por engano e só vim pra ver a bola.▼Δ