<sddcm-1> sem data diário de um consumidor de medicinas - anexos ao manifesto

ANOS 70?

Naturalmente é a espécie humana, na sua essência, que não tem cura nem concerto.

Naturalmente, o defeito é congénito e não há medicina, nem sequer natural, que mude a gente para melhor.

Desta dúvida fundamental resulta talvez a dicotomia que mais profundamente divide os homens.

Ao contrário do que se julga, a grande linha de demarcação não é partidária, nem tão pouco a artificial divisão, inventada por tolos, entre esquerda e direita.

O que divide a humanidade em dois campos - há quem diga mesmo em duas humanidades - é outra coisa: de um lado os que acreditam ser possível transformar o homem semelhança de Deus e por isso assumem uma posição de esperança, de fé, de confiança nos valores humanos e morais; do outro lado, aqueles que, implícita ou explicitamente, estão absolutamente convencidos de que não vale a pena fazer nada por este animal que povoa o planeta Terra.

É entre cínicos e crentes que passa a subtil fronteira, facto que mais uma vez se vê e comprova no campo do movimento eco-terapêutico.

Terão os produtores e consumidores de saúde o que merecem?

Será possível fazer um derradeiro esforço para pensar os problemas da saúde em conjunto?

Serão uns e outros capazes de auto-crítica necessária para evitar os erros e disparates que se têm vindo a acumular em quantidade demasiada , nos últimos tempos?

Fazendo um esforço para ver, de fora, a questão da saúde, no seu aspecto global, a situação é arrepiante : não porque o movimento ecoterapêutico não tenha virtualidades infinitas à sua frentes - possibilidades que o fracasso da medicina química mas evidencia - mas porque a naturopatia tem aberto o flanco a oportunistas, charlatães, gatunos e traidores, num espírito de abertura e tolerância que lhe poderá ser fatal.

*

Estão rigorosamente excluídas da área holística actividades que, embora lícitas, não tenham uma base rigorosamente científica, tais como: cartomantes, taromantes, quirólogos, espíritas, astrólogos, parapsicólogos, etc.

Não entram na holística, portanto, actividades que, tendo embora procurado, insistentemente, misturar-se ás terapêuticas naturais, não deverão ser admitidas, sob nenhum pretexto, sob esta designação nem no estatuto que institucionalizará as técnicas holísticas de saúde e respectivas artes de curar.

Não se encontram também abrangidas pelo conceito de holística, as actividades e profissões que, dizendo-se embora de saúde, visam verdadeiramente é combater e doença através de métodos químicos, cirurgia e vacinas, factores estes também completamente alheios a uma concepção holística da pessoa humana, integrada e globalizante.