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CHÁ DOS VEGETAIS DOCES
O SEGUNDO FÔLEGO DA MACROBIÓTICA?
Estará o Chá de Vegetais Doces para a Macrobiótica de Michio Kushi, assim como o Prato Número 7 esteve para a Macrobiótica de Oshawa, o pêndulo para o método geral de análise de sistemas de Etienne Guillé, a Nox Vomica para a Homeopatia, o Cobre-Ouro-Prata para a Oligoterapia, e o jejum terapêutico para toda a medicina?... Quer dizer: será o C.V.D. a nova panaceia universal, a nova «pedra filosofal» da medicina metabólica?... »
+19 PONTOS
Lisboa, 24/5/1992 -1 - Tento perceber os motivos racionais e as razões lógicas que fazem deste «Chá de Vegetais Doces» (CVD) uma fórmula mágica e uma espécie de nova panaceia universal para todos os usos e circunstâncias, casos agudos e crónicos, fáceis e difíceis, meras gripes ou tumores em fase terminal.
2 - Antes de mais e até ver, é a forma alimentar mais completa de administrar um conjunto ímpar de sais minerais ao organismo, na quantidade eventualmente necessária em proporção das múltiplas carências que podem hoje ser correntemente detectadas. Comparando com as Algas -- possivelmente o CVD será um complexo mineral ainda mais completo, mais rico, mais equilibrado e mais assimilável do que os maravilhosos vegetais do Mar, até agora o melhor veículo para «apport» mineral ao organismo.
3 - O CVD é uma forma assimilável a 100%, porque os elementos e microelementos aparecem naturalmente ionizados e integrados no seu contexto orgânico mais próprio.
4 - Se investigarmos o teor mineral dos quatro vegetais basicamente envolvidos na fórmula mágica e se lhe acrescentarmos, por exemplo e conforme as circunstâncias, o alho, eventualmente o aipo e eventualmente a couve-flor ou a couve roxa, teremos praticamente todos os minerais, não digo da tabela periódica de Mendeleiev, mas de todos os que, macro e microelementos (especialmente estes), o organismo necessita por rotina e/ou em casos críticos.
5 - Diz-se: «Mas é afinal um caldo de legumes». Não é a mesma coisa, pois a quantidade que, em situações críticas, o doente pode absorver de CVD é sempre muito maior do que a quantidade de sopa ou de caldo que ele poderia, alguma vez, ingerir. Ou seja: a «taxa de rentabilidade» no CVD é muito superior à de «qualquer caldo de legumes».
6 - O CVD vem confirmar, na prática sentida de quem o quiser experimentar, certas «teorias» pouco consistentes que alguns livros defendem e nas quais nem sempre acreditamos com grande fé por falta de provas concretas. A teoria de que o eixo endócrino comanda todos os outros sistemas do organismo, incluindo o sistema nervoso, e de que no eixo endócrino reside o interface entre Céu e Terra, entre forças celestes e forças telúricas, entre corpo subtil e corpo material, a teoria de que no eixo endócrino (visto em corte transversal...) está o centro do espectro electromagnético, o centro de gravidade do equilíbrio psicosomático, é uma dessas que estavam a precisar de provas. O CVD apareceria assim a dizer que sim, que é verdade, que é não só o regulador máximo (optimal) do PH (forma bioquímica de dizer outra coisa), mas o regulador do nosso relógio biológico e, portanto, de todo o Eixo Endócrino (EE) e centros chacrais (dos quais tanto se fala e para os quais se aconselham exercícios de meditação e/ou yoga).
6 - Nesta perspectiva, o CVD apareceria como uma «democratização dessas técnicas de elite», lentas e de longo prazo, forma prática, directa, universal, popular, de alternativa à demorada e mais difícil técnica de meditação ou de yoga. (Abro parêntesis para pedir aqui desculpa deste exagero aos meus irmãos tibetanos). O CVD seria a meditação e o yoga para os tempos de frenesim, Stress, ansiedade, entropia, violência, maldição que são os tempos de fim de Kali-Yuga ( que se vá e que só volte daqui a trinta mil séculos...)
7 - A prática em Portugal desta miraculosa receita descoberta por Michio Kushi assinala casos tão fantásticos como a correcção quase instantânea de uma enxaqueca que durava há anos possivelmente causada por um crónico estado de yanguização
8 - Mas é por isso que a fórmula CVD se apresenta como terapia de choque universal, exactamente aconselhada quando há ignorância ou completo desnorte quanto às causas do sintoma. É o reequilibrante número 1 - espécie de termostato energético - sem perguntar primeiro o que precisa de equilibrar. Fácil de fazer (na cozinha) pelo próprio doente, mais fácil de ingerir, digerir e assimilar do que o próprio e maravilhoso Arroz integral - o CVD aparece assim com a mesma força salvadora (terapêutica) e de choque com que o prato número 7 (Arroz integral) durante 10 dias, apareceu, quando com ele Mestre Oshawa conquistou o Ocidente para a dialéctica Yin Yang, por ele baptizada de macrobiótica.
9 - Acredita-se que o CVD seja ainda mágico em casos extremos ou terminais, quando o doente já não tolera comida mastigada (porque o aparelho digestivo se encontra severamente afectado em algum ou alguns dos seus órgãos essenciais): mesmo com uma palhinha de refresco, o próprio doente poderá autosocorrer-se.
10 - Outro dos aspectos miraculosos deste CVD é a possibilidade de ser cozinhado e administrado pelo próprio, tanto quanto possível como um pequeno ritual de amor e de esperança: o corte dos legumes, os 20 minutos de fervura lenta para fazer o Chá, são momentos preciosos em que o doente deve reconciliar-se com a vida e as forças que lhe restituirão a vida (as do céu), em que o doente vê que não está abandonado porque se pode prestar socorro a si próprio.
10 - Se se verificarem sinais de eliminação (comichões, febre, diurese aumentada, enxaquecas, etc), tudo isso deve ser encarado pelo doente como uma benção, significando que está em processo alquímico de limpeza: deverá abençoar o seu organismo por ele ainda reagir.
11 - Tal como outras monodietas clássicas - que, no fundo, são tudo formas disfarçadas de jejum terapêutico (a medicina eterna e sagrada, a mais antiga e eficaz) - o CVD é mais uma forma a que a cultura ocidental recorre por incapacidade de realizar o jejum como por exemplo os essénios o preconizavam...
12 - O CVD tem evidentes vantagens, por exemplo, sobre os sumos, que foram terapêutica de choque do famoso e venerável Colluci, sumos que são obviamente mais desequilibrados no PH do que o CVD, criando problemas de trânsito intestinal, predominando em vitaminas o que escasseia em sais: ora prioritário, em casos de emergência, são os sais e não as vitaminas, sendo aqueles que condicionam a sinergia e assimilação destas.
13 - Em homenagem de gratidão a mestre Michio, cabe reconhecer aqui a superioridade do CVD relativamente aos sumos, quer de frutas quer de legumes-rei, como os próprios que se utilizam no CVD. É o problema da hidratação que se coloca neste caso: enquanto o Chá resultante de uma fervura lenta equivale a um processo de «destilaria» elementar dos maravilhosos sais, os sumos apresentam um alto nível de hidratação, o que torna a sua ingestão muito mais difícil de fazer-se ou de o organismo conservar sem uma excessiva diurese. Ou seja: pela diurese relativamente excessiva, os sumos (mesmo de Legumes) acabam por perder percentualmente eficácia, pois os sais que se ingerem com eles são depois perdidos na urina (em excesso). Aliás a intuição diz-nos que, tratando-se de minerais, o processo de destilaria a média temperatura é mais alquímico do que a louca rotação de um centrifugador eléctrico de sumos...
14 - Tudo indica que mestre Michio descobriu a «fórmula mágica», o fecho da Abóbada da apesar de tudo maravilhosa arte macrobiótica, a partir da qual, aliás, se poderá completar um quadro terapêutico de choque com os «apports» já conhecidos desde Oshawa e mesmo desde os vegetarianos clássicos da escola Colluci-José Castro.
15 - Recapitulando algumas dessas terapias de choque, lembramos:
- Arroz integral durante 10 dias (o célebre prato número 7 de Oshawa)
- O «caldo alcalinizante» de José Castro
- Os sumos desintoxicantes de Colluci
- O jejum terapêutico das grandes tradições esotéricas como a dos essénios, mas que o homenzinho actual dificilmente pode praticar...
16 - Cumpre agora aos que gostam de ajudar os outros, ir mais além no aproveitamento desta dádiva divina que foi a fórmula mágica trazida por Michio, experimentando os alimentos que se podem juntar aos 4 de base (cenoura, abóbora, couve branca, cebola) aqueles outros que sem estragar o equilíbrio o podem potenciar para aplicar nos casos mais difíceis e que exigem, portanto, algumas especificações. Em experiência, está a possibilidade de «enriquecer» a fórmula com aquilo que em princípio lhe falta: a riqueza vitamínica. É claro que se se junta ao CVD, quando é posto ao lume, uma boa fonte vitamínica - leveduras vivas, germinados de trigo ou de soja, sésamo/gergelim, etc - ela se perderá durante a fervura, pois dizem os livros (e a gente acredita, que remédio...) que as vitaminas hidrosolúveis são destruídas a essas temperaturas. Como fazer então? Só por junção pós-fervura é possível ultrapassar esta dificuldade: depois de feito o CVD, juntar-se-á qualquer daqueles concentrados vitamínicos acima indicados.
17 - É evidente que qualquer monodieta - seja ela qual for - não resolve tudo e apenas se deverá ambicionar a mais completa delas. Em tempo de Kali Yuga, o nosso estado de Entropia involutiva atingiu um tal desespero existencial que já não nos permite fazer o jejum terapêutico universal que todas as grandes gnoses faziam. Trata-se de encontrar, em época tão triste e em ano de tantos frenesins - mercado único, olimpíadas, feira de sevilha-o-cúmulo-do-horror, etc, etc - os derivativos eufemísticos para o jejum salvador, aquele que era aconselhado pelos essénios e que talvez explique os milagres de Jesus...
18 - Em casos de baço/pâncreas, por exemplo, há que lembrar o que pode, no meio dos tais frenesins, ser esquecido: o BP é uma glândula endócrina, tanto quanto é também uma glândula exócrina, devendo em princípio reagir à substancial melhoria operada no EE pelo CVD. Aliás, é na simultaneidade e interdependência entre as várias «esferas energéticas» (Ver Etienne Guillé, o mago) com centro nos centros glandulares, que estará provavelmente uma das explicações do resultado espectacular do CVD. Lembre-se que, na medicina tradicional chinesa, o BP é o elemento terra-mãe, ao qual recorrem todos os outros ( filhos e marido...) quando se sentem aflitos e já não sabem o que fazer. A Mãe pode muito, mas poderá não ser capaz de fazer tudo quanto a frivolidade e irresponsabilidade de filhos desatentos exigir dela... Quando o Baço/Pâncreas claudica, tenhamos a certeza de que a mãe esgotou os seus recursos e fez tudo o que estava ao seu alcance para socorrer os filhos.
19 - Com o atrevimento próprio do ignorante - e apenas guiado pela intuição que o CVD dá - ouso lançar uma profecia e uma hipótese temível como arma contra o Apocalipse: no dia em que o CVD for utilizado nos meios hospitalares - como é actualmente o Soro, por exemplo, com graves sequelas iatrogénicas posteriores - a revolução humana e holística começou. Nesse dia e através do CVD, virá o arroz integral, as leveduras e os germinados ( discos compact de vitaminas...), os enzimas (Chucrutes, Picles de água e sal, Shoiu, Tamari, Miso, etc), as oleaginosas (Vitamina E e outras vitaminas liposolúveis), etc, etc.
Será a revolução humana e o Fim da Era de Horror e Terror de Kali Yuga?
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A ARTE DE COMPLICAR O QUE É SIMPLES
OU A ARTE DE SIMPLIFICAR O QUE É COMPLEXO?
Lisboa, 10/6/1992 – Fica, pois, como pista de pesquisa e hipótese de trabalho, a questão de saber se o CVD é ou não é a «panaceia universal» de que falam as grandes tradições, nomeadamente a tradição alquímica . Algumas razões de ordem lógica e ecológica (de alquimia alimentar) podem ajudar a confirmar a veracidade desta hipótese:
1ª - Primeiro porque, se existe o nome, se existe a palavra «panaceia universal», deve existir também o facto: Deus nunca engana ninguém...
2º - Porque, para os que não acreditam em «milagres», tem que haver uma explicação bioquímica, racional, concreta - simples, imensa, infinita, física, redentora - para os «milagres» que Cristo realizou. Os Essénios são uma pista, mas os livros (sobre os Essénios) mentem tanto e são tão sectários!
3º - Porque na destilaria alquímica se contêm todos os segredos do metabolismo humano: tudo é uma questão de tempo, de paciência, de quintessência e nós estamos na e
ra, na época, na fase, no ano, no dia em que temos de descobrir a quintessência, custe o que custar, se não quisermos perecer às mãos dos demónios à solta (um desses demónios é...a falta de tempo, as pressas, o Stress, etc...).
As grandes pressas da chamada vida moderna são, ecologicamente falando, uns grandes atrasos de vida :as metas, o stress das metas, os alvos, os ideais, os triunfos, os sucessos, etc., são o melhor caldeirão de doenças que temos hoje à nossa disposição
Não há bem nem mal, os judeus e outros cristãos é que inventaram isso. O que há, sim, são aproximações e afastamentos do núcleo eterno da verdade primordial.
Por exemplo: o que um investigador de certa nomeada como René Guénon faz do yin-yang, só visto, contado não tem graça. Tal como costumo dizer do Luís Silva, digo deste Guénon: eles são a arte de complicar o que é simples. René Guénon, no livro «A Grande Tríade» ( Ed. Pensamento), depois de perverter a ordem do yin yang e ao descrever o hermetismo dos símbolos deixa tudo ainda mais obscuro.
Não há Bem nem Mal, mas há os que complicam o simples, há os que complicam em vez de explicar, há os que complicam em vez de aplicar, há os atrasos de vida, atrasando-se a eles. A démarche divina é simplificar, que não significa fazer o elogio do simplório e do simplista, antes pelo contrário: nada mais complexo do que o simples.Δ▼