1-2 < 91-04-10-ie> ideia - quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2003-novo word - biocidio <manifest>-3106 caracteres <ideifor>
10-4-1991
NO domínio
do biocídio
[Este texto foi publicado no livro «Contributo», onde deve vir devidamente datado, e alude ao artigo de Michel Bosquet aparecido na «Seara Nova» e comprado ao «Le Sauvage»:]
Como uma breve excursão no domínio do biocídio logo poderá demonstrar, o realismo ecologista nunca esteve nem podia estar - por definição - do lado da violência.
Antes pelo contrário, a sua luta trava-se precisamente ao nível do extermínio; seja ele, chame-se ele etnocídio, genocídio, biocídio ou ecocídio.
Biocida é o que, de qualquer modo, com violência encoberta ou declarada, directa ou indirecta , contribui deliberada e fanaticamente para a exterminação de qualquer espécie viva, incluindo o homem.
Ora no que monta ao ecocídio, onde estão os de esquerda necrófila que nunca os vemos ou ouvimos protestar?
Em nome da industrialização, tudo é consentido. A pretexto de aumentar a produtividade e de «alimentar a fome mundial», todos os tecnocratas da FAO e os biocratas daqui e dali, são unânimes em defender: prioridade à energias nuclear (mesmo que mate e arruine a humanidade); prioridade aos pesticidas, insecticidas e adubos químicos (mesmo que matem, queimem e arruinem todos os solos aráveis); prioridade aos antibióticos, mesmo que conduzam sistematicamente a vírus e mais vírus.
De que lado estão os progressistas?
Do lado das indústrias alimentares ou do lado dos movimentos de resistência ao biocídio praticado pelas indústrias alimentares?
Entre nós, é exemplo nítido o mensário «Seara Nova» e seu economismo reformista.
O mais cómico, no entanto e entretanto, acontece: mostrando-se à la page, o mensário «Seara Nova» comprou a «Le Sauvage -- órgão avançado da contestação ecológica -- um artigo de Michel Bosquet, um dos mais lúcidos comentaristas e dos mais firmes lutadores no campo radical da ecologia política. Pois bem: não «podendo» deturpar de outra maneira, foi mesmo no título que se praticou a manobra de inverter por completo o sentido geral do artigo e do autor. E em vez de se associar a palavra «revolucionário» com a palavra «ecologia» (o que estaria correcto) junta-se o prefixo eco (de ecologia e de economia também...) à palavra fascista, de modo a que no espírito do leitor vibrem as piores ressonâncias possíveis, sempre que veja escrita a palavra ecologia...
Prova isto quanto a ecologia é difícil de roer pela esquerda necrófila, reformista e revisionista. E prova também de que a «conspiração » é não só a das multinacionais (que detestam os «caçadores de borboletas» - como os tecnocratas chamam desprezivamente aos ambientalistas) mas a dos que, em nome da crise-bluff criada pelos mesmos, com eles continuam defendendo a energia nuclear para alegados «fins pacíficos» e tantos outros procedimentos afins.
A POLUIÇÃO DA ESQUERDA
Ameaça a revista «Seara Nova» ir ocupar-se em breve dos graves (sic) problemas da poluição.
Finalmente, a esquerda ocupa-se desta matéria altamente reaccionária e inflamável, pelo que se deve augurar à empresa não só um êxito sem precedentes mas o apoio -- então sim -- dos órgãos que até agora fugiam a quatro pés das questões ambientais: «Notícias da Amadora», «Expresso», «República», «Vértice», o monumento tetra-cúspido da nossa nata ideológica.
Pressupondo desde já o que irá sair dali, é a altura de passar ao ataque.
Depois de monopolizada pela demagogias da direita triunfal, a esquerda preparada está também para lhe deitar a gadanha. É altura de intervir, só, tentando seguir as manobras que um e outro bloco realizam para a respectiva, sacrossanta e tradicional anexação (humilhação) daquilo que os ultrapassa. Por definição, ultrapassa.