<psi-6> balanço de uma seca - lição de 27/11/1998
MACRONEUROSES DE FUNDO
E PROFILAXIA BIOENERGÉTICA
Lisboa, 28/Novembro/1998 - Será mística uma concepção da psicologia que se baseie numa física e numa fisiologia das energias?
Aceitando o desafio da minha professora Judite Corte Real, vou tentar enunciar alguns itens que possam argumentar a favor da tese que defendo e que defendi no texto sobre a morte que elaborei como trabalho de casa.
Se mística é uma concepção de psicologia que postula um continuum energético entre céu e terra e que, portanto, ultrapassa natural e dialecticamente a célebre antinomia entre vida psíquica e vida somática, nesse caso talvez a visão noológica (bioenergética) que defendo, seja mística.
Sem me ofender nada a palavra mística, gostaria, por amor ao rigor, de propor a palavra mais adequada e justa , na perspectiva naturológica, e que é a palavra Noologia ou ciência do espírito. Ou Bioenergética.
POSTULADO INDISCUTÍVEL
Além do postulado já enunciado - o continuum energético - um outro, decorrente desse, se impõe para fundamentar (alicerçar) a psicologia em base física e não metafísica.
A esse outro postulado se deverá chamar a «composição trinitária do ser humano»: corpo, alma e espírito.
O facto de a psicologia experimental ter exilado a palavra «alma» e a palavra «espírito» dessa trilogia, deixando apenas a palavra «corpo» e metendo-se nele como num gueto, o facto de a ordem estabelecida ter expulsado alma e espírito das nobres universidades onde se ensina a nobre ciência materialista às novas gerações - para que prossigam a espiral de autodestruição das anteriores - , o facto de a lavagem ao cérebro continuar a ser a especialidade das especialidades científicas em vigor na sacrossanta instituição universitária, diz mais das limitações e automutilações da psicologia clássica do que da legitimidade ou ilegitimidade dessas palavras - corpo e espírito - e do que elas fìsicamente significam.
VER O INVISÍVEL
Tal como dizia o nosso professor de Epistemologia , Dr. José Alves Antunes de Sousa, «se alguma coisa deve animar o desígnio desta escola é despertar as pessoas para níveis invisíveis da realidade.»
Pelos vistos e dado que a psicologia trata exactamente desses «níveis invisíveis da realidade», estaria reservado, nesta Escola , um papel muito especial à Psicologia .
A valência que se lhe atribui, no entanto, em termos de carga horária, comparativamente às cadeiras que abordam o somático, ou seja, o visível (e o visível, hoje, vai até à neurose do microscópio electrónico, prevendo-se para breve um novo microscópio mais electrónico e potente), mostra apenas que o visível ainda vai ser a prioridade, nesta e em todas as escolas, durante muito tempo.
Para desgosto do nosso professor de Epistemologia e para meu desgosto também, ainda vamos gramar muitos anos com tudo do avesso: ou seja, o visível determinando o invisível, o que é pura e simplesmente uma aberração física e cosmobiológica, já que toda a gente devia saber que é o invisível que rege o visível e o contém, e não o contrário.
Se baseássemos o nosso psicodiagnóstico nesta realidade física inelutável, nesta ordem cósmica e universal - é o invisível que comanda o visível, ponto final, parágrafo - , certamente que a ciência psíquica e psiquiátrica não estaria tão cheia de iniquidades como está. Não estaria a precisar de hospitalização urgente como está.
O MODELO MICROSCÓPICO
Embora o professor José Alves tenha valorizado a valência invisível, a verdade é que todo o peso institucional, hic et nunca, vai para o visível e nomeadamente para o modelo microscópico, que se provou ser o mais rentável e lucrativo para o sistema que industrializou a doença.
Em termos muito simples, essa perversão da ordem natural e cósmica das coisas, significa apenas isto: o materialismo extreme e extremo a que chegou o ensino, a que chegou a sociedade, a que chegou a chamada «civilização» ocidental (que é a mais pura das barbáries), a que chegou a vida que nos é imposta como um fardo e não como uma libertação.
A REVOLUÇÃO TRANQUILA (JOSEPH LÉVY)
É talvez prematuro esperar que esta escola de Naturologia faça a revolução holística já . Mas as cadeiras de Psicologia, de Epistemologia, de História da Saúde e talvez de Botânica, têm, neste momento, a tremenda responsabilidade de preparar essa revolução holística no mais curto prazo de tempo. Se queremos ir ainda a tempo de ocupar o lugar a que temos direito, enquanto naturólogos, como «contemporâneos do futuro».
A tudo isto talvez se chame «mística». Mas nesse caso, o futuro será místico, a sociedade será mística, a física das energias será mística, a bioenergética será mística, a acupunctura (noologia yin-yang) será mística.
Tal como disse o escritor, filósofo e ministro da cultura André Malraux (por sinal marxista, por sinal materialista dialéctico) , o século XXI será religioso ou não será.
A NEUROSE DO RÓTULO
Por causa do «místico» e de outros rótulos interessantes, entramos, sem querer, num tópico muito interessante, abordado nesta aula e que foi particular e severamente assinalado pelo colega Hernâni Oliveira: o vício dos rótulos em psiquiatria. Vício a que eu, coerentemente, chamo «neurose do rótulo».
Todos estão de acordo em criticar esse vício, inclusive a nossa professora também o criticou. Todos pressentem e compreendem que a neurose do rótulo conduz em directo à segregação «racista» em sentido lato e que, por exemplo, o rótulo de sida, hoje em dia aplicado a torto e a direito, criou um novo gueto numa sociedade onde os guetos proliferam.
Isto para não falar desse outro rótulo ainda mais anedótico que é o de «pedófilo».
Não adianta vir a medicina e a psiquiatria com paninhos quentes e autodesculpas: medicina em geral e psiquiatria em particular são directamente culpadas desses guetos e de todas as segregações e perseguições que ocasionam.
EVITANDO A IDEOLOGIA
Evitando cair no registo moralista e, principalmente , no registo ideológico, a que o tema da rotulação se presta, podíamos acrescentar que a física das energias ( ou noologia) procura exactamente ultrapassar esses impasses da ciência médica em geral e da ciência psiquiátrica em particular:
Tudo isto com um objectivo muito preciso: chegar à terapia naturológica eficaz, seja qual for o rótulo, seja qual for o sintoma, seja qual for a doença, seja qual for a neurose, seja qual for a psicose catalogada pelas ciências arregimentadas ao poder universitário, ele próprio um poder neurótico
O salto, em Naturologia, é urgente, perante as epidémicas neuroses de âmbito planetário.
O senso comum, muitas vezes, costuma desabafar: «Isto é um mundo de loucos». Verdade seja que o senso comum - palavra também exilada como a palavra alma - muitas vezes acerta. E desta vez acerta na muge.
A ciência noológica e a terapia naturológica apenas têm que fundamentar experimentalmente esse senso comum, o que alguns estão fazendo, em regime de outsiders...
AS MACRONEUROSES
Tentemos enunciar as grandes neuroses contemporâneas que compõem, aliás, o quadro de fundo ou ambiente exógeno que condiciona a chamada saúde mental ou desenvolvimento mental do indivíduo:
NEUROSE DA TALIDOMIDA
Aí está uma lista que provavelmente nunca ficará completa. Falta juntar aquela que talvez devesse figurar à cabeça de todas as causas patológicas, embora seja a mais escamoteada: - Medicamentos ingeridos pela mãe, antes, durante e depois da gravidez .
A Talidomida, tranquilizante dos anos 50, foi o único falado na aula, porque chegou a extremos de deformação inocultáveis. Muito mais perigosos para a futura saúde física e mental das futuras gerações, são os medicamentos que têm efeitos deformantes menos visíveis no corpo físico.
Neste campo e como se calcula, a hipocrisia médica é total: a maior parte das patologias causadas por radiações ionizantes e medicamentos químicos, entram no bode expiatório das doenças genéticas, hereditárias ou congénitas.
Estamos perante outra neurose da ciência médica - (a neurose de Pilatos) que arranjou um série de bodes expiatórios para ocultar os crimes da Iatrogénese médica.
PROFILAXIA DAS NEUROSES
Se, como foi frisado na aula, os níveis de desenvolvimento mental dependem do sistema nervoso, temos então que a profilaxia naturológica prioritária é o alimento - preventivo - da célula nervosa.
Se quiséssemos dar um exemplo muito simplório, poderíamos citar as contracções do parto (os homens, se quiserem ter um arremedo disso, podem observar as contracções a que a evacuação fecal os obriga...).
Os aportes de magnésio e potássio serão decisivos nesse momento das contracções. Mas logo que se fala de magnésio, a tendência da naturologia positivista (que também a há e bastante lampeira a fazer asneiras) é para aconselhar magnésio em frascos, potássio em frascos.
Erro crassíssimo.
É na alimentação, no seu contexto natural, que devem ser procurados esses dois minerais importantíssimos para a célula nervosa, para o tecido muscular e fibroso, para o parto e para as contracções do parto.
Simploriamente, o magnésio das tâmaras ou o potássio das bananas.
Por exemplo.
Mas a profilaxia natural da célula nervosa não é só para este caso concreto: deveria ser generalizada a todos os casos inventariados pela psiquiatria como:
Compulsando os muitos livros que fui comprar para a disciplina de Psicologia , é um quadro perfeitamente aterrador o das doenças mentais, em relação às quais a medicina alopática (a dos químicos) e a medicina naturopática (dos suplementos específicos) parecem continuar totalmente impotentes.
É tempo de fazer a «revolução tranquila» , em que fala Joseph Lévy , um dos modernos luminares da medicina ortomolecular.
No mínimo, há que tentar, neste curso, não perder o comboio das novas medicinas, já que as existentes têm provado que não funcionam. Que, de todo, não funcionam.
A esperança dos espiritualistas e místicos, hoje, é de que a abordagem se faça:
Sem se preocuparem muito que os rotulem de místicos, os raros espiritualistas que ainda sobrevivem (e onde, com muita honra, me incluo) pretendem apenas que a famosa «vida psíquica», fenómeno caracterizadamente holístico e global, seja estudada exactamente com os instrumentos mais adequados à sua natureza:
Sabendo que o rótulo de místico se inclui na neurose moderna dos rótulos, um naturólogo deve manter-se sereno e continuar a cumprir estritamente a sua obrigação: observar as neuroses e os neuróticos à sua volta, responder se lhe pedem socorro, receitar se lhe pedem conselho e libertar definitivamente o ser humano das milenares escravidões, entre as quais a escravidão do rótulo (instrumento privilegiado de tortura da ciência ordinária) não é com certeza das menos tirânicas.
GNOSE YIN-YANG : IMUNE A RÓTULOS E NEUROSES
Ainda a propósito de rótulos, recomenda-se vivamente que seja elaborado um glossário - Da Psicologia à Noologia - onde as palavras surjam classificadas pelo seu índice noológico, que é também o seu índice de Neguentropia, ou seja, as que têm mais ou menos relevância para uma concepção naturológica, global, holística e profiláctica da saúde energética.
Porque é desta saúde energética que se fala sempre que se fala de «doença mental» e «doença psíquica» - esses, sim, rótulos místicos, obsoletos e completamente ultrapassados.
Ainda a propósito de rótulos, valia a pena indagar se a Noologia yin-yang estudada nesta escola - acupunctura, alimentação macrobiótica, reflexologia e diagnóstico visual - cai no mesmo vício e erro.
Talvez se concluísse que , à luz do yin yang, o binómio saúde/doença mental se relaciona directa e estreitamente com o padrão civilizacional a que orgulhosamente pertencemos.
Mas - agora me lembro - para os cientistas muito positivistas e senhores do seu (deles) nariz,) o yin-yang é... mais uma mística.
Para tranquilidade deles e nossa, é preciso dizer, sem nervosismos, que o sistema yin-yang não é mística nem metafísica, nem papa crinancinhas ao pequeno almoço, é apenas um dos sistemas energéticos (noológicos) mais antigos, perfeitos e poderosos da Terra.₪₪₪