1-6 < 98-11-03-at-gs> 5 estrelas - grandes séries do ac – complete works sexta-feira, 7 de Março de 2003-novo word - <episte16>

 

AS TEORIAS DA VIDA

E AS TEORIAS CONTRA A VIDA

 

 

Léxico desta lição:

Convencionalismo

Metafísica

Homo logaritmicus

Ratio inveniendi

Intellectus = intus + legere (capacidade de harmonização dos contrários) *

Polisemia difusa

Fixismo *

Noosfera *

 

Autores citados nesta lição:

Edouard le Roy

Karl Popper

Gabriel Garcia Marquez

René Girard

Jean Marie Domenach

Gaston Bachelard

S. Boaventura

Pierre Duhem ( «Teoria Física» )

Nicolau de Cusa

Charles Darwin

Lamarck

Santo Agostinho

Pierre Teilhard de Chardin («O fenómeno Humano»)

 

Sublinhados desta lição:

Cemitério, lugar de vida

Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma

A metafísica funciona como arma secreta do espírito humano

O homem é um ser axiotrópico

O índice incoativo da inteligência animal

A nobreza ontológica do homem em relação aos demais seres

Os valores brotam do coração

As teorias são apenas convenções

A verdade está na ponta do bisturi ( positivismo)

O fetichismo dos dados

As teorias são fruto da imaginação

Ipsum verum factum est (É no fazer que está a verdade)

O homem tem uma forte tendência para a cafrealização

Nullus effici beatus nisi supra semetipsum ascendat( ninguém se torna feliz se não se superar a si próprio) - S. Boaventura

 

 

3 /11/1998 - O convencionalismo de Henri Poincaré e Pierre Duhem tem consequências que só modernamente se podem avaliar em toda a sua extensão e gravidade.

A adequabilidade

a verosimilhança

a aceitabilidade

de uma teoria pode levar (e tem levado) a todas as loucuras.

 

Um problema prévio deve, no entanto, ser levantado, ao falar de teorias e do carácter «convencional» das teorias.

Mais uma vez, percorrendo uma relativamente vasta bibliografia, verifica-se que a epistemologia - e os epistemólogos mais em destaque - ocupam-se normalmente das ciências físicas, enquanto as ciências humanas e as ciências biológicas parecem estar ausentes das suas (deles) preocupações.

O que não deixa de ser estranho e, para um curso de Naturologia, trágico.

 

OS 3 CANCROS MODERNOS

 

Em ciência da vida (a chamada bio-logia) onde a devastação operada pelo chamado método científico tem sido total, há um silêncio de morte por parte dos críticos, analistas e epistemólogos.

No entanto, é nas ciências da vida (a chamada bio-logia) que os 3 cancros modernos do método científico têm proliferado de maneira incontrolável:

- o cancro da nomenclatura, sempre em escalada logarítmica para a supercomplicação

- o cancro do especialismo , sempre em escalada logarítmica (inflacionária) para o super-especialismo

- o cancro das teorias que, exactamente pela sua verosimilhança, adequabilidade e aceitabilidade são, em ciências da vida, as mais perigosas.

A do evolucionismo, única teoria das ciências da vida que os epistemólogos costumam citar, é uma delas: o evolucionismo é totalmente falso, do princípio ao fim, no entanto  granjeou o apreço das massas e das elites exactamente porque se baseia numa certa «racionalidade», como observou o nosso professor.

«A Origem das Espécies», que , segundo as más línguas, foi livro de cabeceira de Hitler, Mussolini e parece que de Estaline (se acaso eles sabiam ler), adequa-se perfeitamente à praxis da luta de classes do bloco de Leste e à maratona capitalista do competitivismo do bloco ocidental. A sociedade que tem nas olimpíadas o seu símbolo mais carismático e a sua dinâmica razão de ser, tem no evolucionismo a sua religião de chambre e no Charles Darwin o seu guru.

 

Mas nem só o evolucionismo tem permitido à Biocracia moderna legitimar alguns dos seus crimes mais monstruosos e hediondos. Há mais :

- A teoria microbiana do senhor Louis Pasteur, que ele próprio repudiou no fim da vida;

- A teoria do vírus, de um senhor que bem podia ter sido o que inventou o vírus da sida (e que também já veio desmentir-se em público).

 

Um caso interessante é o da teoria da hereditariedade, obviamente uma teoria que corresponde a factos ( e deixa por isso de ser teoria) mas que levou a medicina a adoptar um dos seus pilatismos mais usuais com que tenta legitimar a sua monumental ignorância: quando não sabe ou não lhe convém saber a causa causal ou ambiental (exógena ou endógena) de uma doença, manda as culpas para a hereditariedade, o que é, além do mais, uma lapalissada de todo o tamanho: todas as doenças, em princípio, são e não são hereditárias.

A sofisticar este gesto de pilatos veio a teoria genética: hoje a genética transformou-se num catálogo de doenças, no qual catálogo a ignorância médica encontra sempre um produto que lhe convém para explicar as doenças inexplicáveis (leia-se aqui que doenças inexplicáveis, para a medicina, são normalmente as doenças que ela produz, pelo fenómeno igualmente ignorado da iatrogénese).

Com a ajuda sempre diligente da comunidade científica, que de mafiosa não tem nada, a sociedade lá vai triando as teorias da vida que interessam aos seus objectivos de morte e aos objectivos de uma indústria da doença que logaritmicamente se ocupa hoje unicamente em aumentar os lucros.

Esquecendo, claro,  aquelas que de facto servem a vida embora sejam pouco ou nada lucrativas.

 

QUANDO AS TEORIAS SE TORNAM PERIGOSAS

 

O problema das teorias é serem contra o real e não divorciadas do real. As mais perigosas, em ciências da vida, são precisamente as mais verosímeis, como a do vírus é bem o exemplo.

Se, nas ciências físicas, uma teoria errada é apenas mais uma onde tem havido tantas, nas ciências da vida, como a prática médica infelizmente confirma, tem consequências trágicas.

A fraude da medicina moderna baseia-se exactamente nessas teorias fraudulentas e a Naturologia não poderá avançar se receber, precisamente e sem crítica, essas teorias que dominam toda a patologia e toda a terapêutica.

Será, num curso de  Naturologia, o nó górdio mais difícil de desatar.

 

IATROGÉNESE QUÍMICA E RADIOACTIVA

 

Onde, precisamente, o princípio do intellectus (inter-legere) faz mais falta - nas ciências da vida - esse princípio é completamente esquecido, enquanto nas ciências físicas permite a aparente tranquilidade que se goza nessa área.

À parte o nó górdio da radioactividade e das radiações ionizantes,  que acaba por incidir, em cheio, nas ciências da vida (a vida é sempre a primeira e a última a pagar todas as culpas de todas as várias e desvairadas ciências ) a ciência física é um oásis.

Já a química , no que respeita à sua incidência sobre a célula viva, é outra vez a guerra permanente.

Não duvido que os químicos tenham trabalhado em teorias certíssimas. No entanto, foram essas teorias certíssimas que fizeram do mundo moderno - afogado em merda química e radioactiva - o tremedal que é.

Ninguém pode dizer, por exemplo,  que os medicamentos não são baseados num teoria certa e que não se destinam ao bem da humanidade.

Ninguém pode dizer que a farmacognosia não está certa da 1ª à última das suas 1500 páginas.

Os efeitos dos fármacos na célula viva - iatrogénese médica - é que nem sequer se discutem..

De vez em quando fala-se do episódio Talidomida. Os jornais vão falando de outras talidomidazinhas. Mas a maior parte das talidomidas continuam no mercado sem que ninguém suspeite das novas doenças que estão fabricando. Novas doenças que a teoria da hereditariedade vai atribuir aos bisavós do doente e a teoria genética ao gene 1051 que - acaba de se descobrir - é responsável pela doença do doente.

 

BIOQUÍMICA E BIOFÍSICA TAMBÉM SE BALDAM

 

Suposto era que a Biofísica e os biofísicos, bem como a Bioquímica e os bioquímicos, dessem - como interfaces interdisciplinares entre ciências - algum contributo ao conhecimento da verdade.

Nada de novo nessa frente, porém:

a) os instrumentos utilizados não conseguem detectar a alma (a bioenergia) na ponta do bisturi

b) Não podendo os instrumentos limitados descobrir o ilimitado da vida e do ser human , como é óbvio, os biofísicos e os bioquímicos viram-se para dentro do limitado e estudam o seu gueto de estimação, transformando cada vez mais num gueto a ciência que produzem.

Gueto de luxo mas gueto, hoje, a Bioquímica e a Biofísica traduzem o autismo da neurose que ataca, de lés a lés, a comunidade científica, nomeadamente se está no campo complexo da vida e não nos serenos acimentados das ciências físicas e matemáticas, vias rápidas para lado nenhum.

Desgraçadamente, seriam a Bioquímica e a Biofísica dois contributos à ciência médica moderna, cujo destino só podia ser o daquelas duas ciências auxiliares: o gueto, promovido a campo de concentração.

 

AS TEORIAS ABANDONADAS PORQUE SERVIAM A VIDA

 

Entretanto, foram minimizadas , esquecidas e marginalizadas teorias que poderiam (e vão poder) servir o homem do novo paradigma.

Cito, por exemplo, o esquecido Rudolfo Wirchov (1821-1902), patologista e antropologista alemão, autor de uma «Patologia Celular» que ainda está por descobrir mas que permanece embargada pela censura médica, já que nela se detectam  os primeiros princípios da nova medicina ortomolecular, ou antes, a lógica ortomolecular em medicina.

O microbiologista russo Elijah Metchnikoff ( 1845-1916), podia ter sido um fundador das ciências da Imunidade, se a instituição (Instituto Pasteur) e depois o Prémio Nobel (que compartilhou com Paul Ehrlich) não o tivessem aliciado e desviado do bom caminho.

Outro esquecido é Georges Lakhovsky, com a teoria da electricidade da célula, onde estão os germes da nova medicina vibratória, de que hoje são dois ramos adultos a Gnose Vibratória e a medicina antroposófica.

Também esquecida  e igualmente marginalizada foi a teoria vitalista, doutrina segundo a qual os fenómenos vitais derivam de forças e propriedades específicas, estando coordenados por uma força especial, chamada «força vital» e não dependem apenas das forças ou leis físico-químicas.

Apesar de ser uma teoria defendida por alguns craques - Aristóteles, escolásticos, Claude Bernard (teoria da directriz) , Barthez, J. Grasset, René Berthelot e Brunschvicg, apesar de tão boas credenciais, o vitalismo caiu no esquecimento, confirmando que a maior heresia no seio do cientifismo esclerosado é tudo o que aponte para o global e holístico da vida .

Pouco lucrativo, o vitalismo irá hibernar até que as condições cósmicas o exijam de novo cá fora.

Poderá dizer-se que renasceu com a teoria dos campos de morfogénese cósmica de Rupert Sheldrake, talvez a mais esplendorosa das teorias actuais e que foi decisiva no «boom» da medicina vibratória.

A teoria do orgone, heroicamente defendida por Wilhelm Reich, tem a biografia atormentada do seu autor. Acabariam, teoria e autor, numa masmorra psiquiátrica norte-americana. Lendo Wilhelm Reich, um dos pensamentos mais provocadores e estimulantes do mundo moderno, temos a sensação de que ele marrou, toda a vida, contra as paredes da caverna, pressentindo que a luz e os pássaros estavam do outro lado da parede mas sem conseguir sair do buraco escuro.

Deixa-nos a teoria do orgone, traduzindo, por outras palavras, o ki chinês e o prana hindu.

O mesmerismo, teoria de Franz Anton Mesmer (1734-1815) veio até à actual «hipnose regressiva», equívoco que parte da medicina adoptou sem grande sucesso.

Nada impede que a hipnose continue a grassar, como praga, no meio das terapias alternativas. Tem o seu quê de violência mal controlada que agrada à mentalidade médica, estruturalmente violenta.

Outro caminho do mesmerismo iria, via Charcot ( 1825-1893), médico francês fundador da neurologia moderna, desembocar numa hipótese bem mais interessante - o magnetismo animal - igualmente esquecida e marginalizada. No entanto, o magnetismo animal é outro nome para dizer o mesmo : ki, prana ou bionergia.

 

Entretanto e proibidos pelos polícias do cientifismo de estudar e ter acesso à «força vital» ou bioenergia, os ocidentais começaram a demanda do que outras tradições tinham dito, com outros nomes, da mesma força vital ou bioenergia, descobrindo então a acupunctura, o yin yang taoísta, o chi kung, os chacras e outras coisas.

 

AS ETAPAS DO MÉTODO

 

A restante temática sugerida pelo convencionalismo de Henri Poncaré e Pierre Duhem, está nos livros:

- No método científico, a hipótese funciona como a fase dinâmica e prospectiva. Sem hipótese, a investigação não avança para a verdade.

Hipótese é a entrada da criatividade e da imaginação no reino do inerte dos dados observados (Observação: 1ª fase do método científico) .

Mas o que se verifica hoje em dia é que a medicina embarga todas as hipóteses que nos podiam libertar das suas garras. O problema de um curso de naturologia, joga-se exactamente nessa 2ª fase do método científico: a hipótese.

Não haverá nova medicina sem novo paradigma e não haverá novo paradigma sem novas hipóteses que possam dar a reviravolta de 180 graus que se exige.

A merda, no método científico, é mesmo quando, dada a verosimilhança, adequabilidade e aceitabilidade da teoria, ela passa a lei. Não tarda então um minuto que a lei não passe a dogma e a ciência a religião.

Além disso, lei traz a carga semântica da ordem e da autoridade policial. Lei lembra tribunais, polícias, cães polícia, juízes e advogados. Lei é lei, dura lei.

O panorama moderno de hecatombe nas bio-logias, deriva de leis que se transformaram em dogmas. Dogmas de que a medicina é a inexpugnável igreja.

Já no domínio da anedota, surgiu muito recentemente a teoria do caos  para «estudar sistemas muito complexos».

Tal como os antibióticos (de espectro largo ou estreito) têm o nome com eles, esta «teoria do caos» tem o nome com ela.

A  intervenção do computador - e das imagens em computador - denuncia que esta teoria veio dar alento à «virtualização» do real que tem vindo a invadir, como lepra, o campo do real.Ω