1-1 <96-10-29-di-ls> diário de um idiota – leituras selectas - quinta-feira, 30 de Janeiro de 2003 – novo word - 1536 bytes <dgtm-1>
O NADA
DO VIRTUAL
Lisboa, 29/10/ 1996 - Há várias maneiras de lavar cérebros. Uma das mais correntes, hoje em dia, com a ajuda dos novos grafismos, de papel couché e de técnicas multicoloridas , é o mito da juventude, a juventude transformada em protótipo humano.
Então os degraus são simples de descer.
Juventude é (o) futuro, o futuro é tecnologia e a tecnologia só pode ser o virtual. Ou seja, o célebre terceiro milénio será virtual. O inverso, portanto, do que Malraux teria dito do século XX: ou será religioso ou não será.
E daí talvez Malraux dissesse certo: de facto, a melhor definição de virtual é esse «não será». Não está sendo e cada vez está sendo menos. Como se não bastassem as duas décadas (80-90) de queda no poço do dito virtual, ainda querem mais. Desde o «Choque o Futuro», do senhor Alvin Toffler, que não se fala de outra coisa. Anote-se um ensaísta humilde, Baudrillard, que teorizou subtilmente a era do virtual, ou seja, a era do vazio recoberto de lindas cores, lindos mitos, lindas revistas, lindo papel couché.