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O DIABO  EM CIÊNCIAS OCULTAS

E O PROBLEMA DO PAGAMENTO

DOS DIREITOS DE AUTOR

7-6-1996

Ao preparar o II Encontro de Estudo sobre Energias Subtis, deparei-me com uma dificuldade: semanas antes, em Abril de 1995, no Plaza Hotel de Lisboa, onde decorria o seminário de Radiestesia, fora eu denunciado ao Grupo de Paris pelos meus colegas de «Radiestesia e ADN», como estando a tomar iniciativas de ajuda ao próximo que iam colidir com os legítimos direitos «adquiridos» pelos 4 proprietários da radiestesia em Portugal.

Ou seja, estava eu proibido de falar a alguém do Etienne Guillé, dos seus livros, do seu método, dos seus diagramas, do que, em suma, aprendi desde Outubro de 1992, nos 22 seminários de «Radiestesia & ADN» que frequentei ao longo dos anos: 1992 (3 seminários), 1993 (10 seminários) e 1994 ( 9 seminários) .

Colocou-se-me então um problema de propriedade horizontal muito complicado. Um problema de direitos de autor complicadíssimo.

Como é que eu ia falar da Tábua de Esmeralda sem pagar os respectivos direitos de copyright ao Hermes Trismesgisto?

Como é que eu ia falar da Harmonia das Esferas sem que cobrasse logo o devido ao Laplace e ao Giordano Bruno?

Como é que, meu Deus, valha-me Nossa Senhora, ia falar do Triângulo - base da alquimia da Criação - sem, primeiro, pedir autorização ao Pitágoras que, por sua vez, já o tinha fanado ao Hermes Trismegisto, de quando esteve no Egipto a passar férias.

Mais: como é que eu ia usar o símbolo solar do Yin Yang, se o número do telefone do Lao Tse tem estado impedido e se não tenho o número do fax para lhe mandar pedir esse grande favor.

Mais aflito ainda fiquei, quando se me pôs a questão do Solve e do Coagula, de toda a figuração, quase sempre anónima, quase sempre fantástica, da grande iconografia alquímica. Sim, como é que eu ia telefonar primeiro ao Raimundo Lull, o maior de todos de tal maneira que a Igreja foi obrigado a canonizá-lo para evitar o escândalo, depois ao Roger Bacon, outro misterioso senhor que se mete como piolho por costura nos interstícios da barba, depois o autor, ainda por cima anónimo, do Mutus Liber (qualquer dia tenho o fantasma dele a rondar-me a porta para lhe pagar direitos do Mutus Liber). Depois um tal Basílio Valentinus de quem, aliás, os meus colegas de radiestesia, tão zelosos, largamente se abastecem e ao qual não me consta que tenham sido até agora pagos quaisquer direitos de autor.

Mas se me falam de pirâmides - outra pedra angular da Criação - eles, os meus colegas, não falam de outra coisa e qualquer dia têm o fantasma do rei Keóps a pedir contas do abuso. E como eles usam as pirâmides, valha-me o deus Rá.

Bom: mas que dizer do Tarô egípcio, como se houvesse outro que não fosse egípcio, ainda por cima subaproveitado a cores nas mil cópias e versões (perversões) que dele correm? Não há bruxo ou bruxa, hoje, que não tenha uma de adivinho com o tarô que, mesmo a cores, e mesmo nas versões que continuam, em coro, a pervertê-lo, a deturpá-lo, ainda presta alguns bons serviços premonitórios.

Valha-me Nosso Senhor, não se pode estar sossegado neste mundo.

Fulcanelli telefonou-me ontem, e diz que raio de bagunça é esta a roubarem-lhe todos os dias as moradas filosofais e os números do telefone.

Quanto ao Chicung - os mestres chineses do taoísmo já se puseram em campo e não vão, com certeza, perdoar à Drª Deolinda . Sem falar dos acupuncturistas todos feitos à pressa que não pagaram direitos ao Imperador Amarelo.

Problema de altíssima gravidade foi quando Patrice Kerviel, que nos tem dado os melhores seminários de Radiestesia e Iniciação, se debruçou, em Abril de 1995, no Plaza Hotel, sobre o grande mito do Graal - ou seja, a procura, a demanda da Pedra Filosofal. Ou seja, Deus.

Aqui o caso de direitos e royalties complica-se: porque por um lado é deus quem vai exigir o pagamento, via deusa Maat. E, por outro, o rei Artur, que nem ao Spielberg e suas coboiadas pseudoesotéricas deveria ter perdoado se nem sequer à sua querida Genebriève perdoou, não vai de certeza ceder direitos.

Tão grave como esta grave violação dos direitos de autor é, por exemplo, tudo o que hoje se apresenta em nome de deus e que é totalmente fanado do Satanás, o grande alfobre onde hoje se abastecem as melhores escolas energéticas, ocultistas, discretas, esotéricas e tutti quanti. Não digo um só nome desses que se abastecem no Hipermercado do demónio, a que Etienne Guillé chamou, em linguagem primordial, MAGA GAU GAS.

Todos quantos falam de chacras e pintam a manta de esquemas sobre esquemas, ilustrados com flores de lótus, deverão ter que ir declarar que utilizaram esse esquema, pois, caso existam chacras, o que é bastante discutível, quero ver quem vai receber direitos por este uso e abuso dos ditos centros energéticos.

Talvez mesmo RosenCreuz se revolte na tumba, zangadíssimo com esta indevida apropriação. Só que também ele, Rosacruciano dissidente, igualmente cioso dos direitos de autor - não sei muito bem se já pôs em dia a dívida para com os essénios e até, graças a Deus, a dívida para com os pitagóricos e estes graças a deus a dívida para com o Hermes e este graças a deus com os hierofantes atlantes e lemurianos.

A propósito, será ao Apolónio-da-Tia-Ana ou ao Platão que deverei pagar direitos sempre que tiver de falar, nestes encontros, da alegoria da caverna e da Atlântida?

Aí, no que respeita à nossa pátria celeste, à Lemúria, aos Atlantes, aos sumérios mesopotâmicos, aos celtas, aos egípcios, aos hindus e aos hebreus terá Etienne Guillé que pagar direitos, já que abundantemente se abebera de todos essas civilizações, chegando a construir o diagrama das memórias, essa genial descoberta que quebra todos os limites, todas as escolas, que está no livro de Jean Noel Kerviel, «L'Etre Humain et les Énergies Vibratoires», pg 49.

Aliás, basta sondar a bibliografia, não muito vasta, que Etienne publica, para saber, em casos fulcrais, a quem ele é devedor:

......

Um aspecto, portanto, a que devemos estar sensíveis, nestes encontros de estudo, é os direitos de autor cobrados por entidades, santos, gurus, deuses, escritores, alquimistas, magos, gendarmes, astrólogos, profetas, proprietários do sagrado e outros diabos de deus.

15/6/1995