1-1 <90-03-09-ls> leituras selectas quarta-feira, 22 de Janeiro de 2003-novo word - 1218 - caracteres <tabus> <ecos> <beja>  alfinetadas - diário de um leitor desatento, venerador e obrigado

VIVA OS TABUS,

IMENSAMENTE LUCRATIVOS

OS TABUS SÃO COMO OS CHAPÉUS: HÁ MUITOS

9/3/1990 - Enquanto houver tabus, os editores -- nomeadamente franceses -- esfregam as mãos de contentes, lançando, a tempo, na onda, os livros e escritores onde haja cheiro (a enxofre) de qualquer transgressão, de qualquer tabu, de qualquer coisa proibida como Henry Miller já farejara nos meados do século.

Coisa proibida ou, ainda mais faiscante, anátema de condenado à morte pelo satânico Khomeini.

Vivam, pois, os tabus e respectivos despachos editoriais. Viva tudo o que faz tilintar a caixinha das moedas. Os casos de escritores com sida (que ainda estamos para saber o que é) acorrem logo às teclas do computador e têm sido um ver se te avias.

Quem está inocente é o escritor, que se presta ao jogo dos lucros. Que tem de se prestar, se não quiser morrer à fome. Terá então que morrer de outra coisa mais romanesca. [Como é evidente tudo isto no terrível romance «Eve» de Guy Hocquenghem, falecido pouco depois de sair este que foi, obviamente, o seu último livro, que por isso soa a testamento e a denúncia!]©