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António Ramos Rosa

22-5-1991

Na grelha de partida para o Prémio Nobel da Literatura, depois de ter conquistado o prémio de poesia da Bienal de Liège, como noticiava em pormenor o «Jornal de Letras», em um dos seus últimos números, António Ramos Rosa é hoje o poeta consagrado, acima de toda a crítica (que ele, aliás, exemplarmente exerceu).

Todas as editoras, hoje, cobiçam novas obras suas. Vamos a ver quem vai ficar com as «Obras Completas».

A colecção «Caminho de Poesia», onde têm surgido muitos epígonos de uma forma de poesia que Ramos Rosa ajudou a institucionalizar pela sua persistente acção crítica, publica agora o livro «A Rosa Esquerda», no qual se poderá notar, entre os numerosos títulos do autor, talvez uma textura menos irregular e mais harmónica, mais homogénea, mais representativa de um discurso que, fundamentalmente, continua fiel a si próprio e aos dados lançados, desde a estreia, com «O Grito Claro», em 1958.

Quando um editor feliz e sem lágrimas se aventurar a publicar na íntegra a obra completa de Rosa, será o momento de, por um lado, nos permitir distanciar de um discurso que a dispersão de volumes ainda não permite e, por outro, escolher -- como o autor certamente também fará -- o que, de tão longo percurso no «mistério poético», contra o qual ele tantas vezes se insurgiu, ficou afinal de perene e de indiscutivelmente original na personalidade tão difícil como transparente deste poeta das claridades do meio dia.