<manifest> - Inéditos AC - mein kampf 88 - 1988 - sebenta nova naturologia

SAÚDE SEM MEDICINA

(JOGAR À DEFESA)

SUBSÍDIOS PARA UM MANIFESTO HOLÍSTICO

 

Holística é a ciência da saúde, Medicina é a ciência da doença.

Aos médicos, pois, a medicina. E a Holística a todos os cidadãos-consumidores, nomeadamente os que se especializaram: os técnicos holísticos de saúde.

+ 4 PONTOS

28/1/1988 - Uma política preventiva de saúde, nas suas duas vertentes, a da higiene pública e a das bioterapêuticas, permitirá economizar ao Estado ( a todos nós) milhões de contos por ano: ter isto sempre presente como um punhal cravado no escândalo do desperdício que são os gastos públicos com medicamentos, é o dever fundamental de qualquer pessoa minimamente consciente das suas responsabilidades como cidadão de um país pobre.

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No momento crítico que as ecoterapêuticas atravessam face aos poderes públicos, com perseguições a rusgas policiais, rafeiros e mastins da Imprensa assolados às canelas, é urgente manter a serenidade (própria de quem está dentro da razão)e não oscilar nos pontos fulcrais de uma estratégia defensiva inteligente, face à ignóbil e suja guerra que a medicina move contra os seus doentes, vítimas e refens.

A única maneira de a Ordem dos Médicos ficar sem o seu alvo de ataque predilecto - usurpação de título é a única acusação até agora com algum fundamento, entre as que ela regularmente lança aos naturoterapeutas - é estes elegerem como tónica dominante da sua acção não a medicina, mas exactamente as terapêuticas, as técnicas terapêuticas - ou, ainda melhor, holísticas, às quais todas as pessoas, pelo facto de o serem, têm o direito de acesso reconhecido na Constituição da República.

O facto de as terapêuticas naturais ou/ e técnicas holísticas (profilaxia da saúde) estarem vocacionadas para defender e conservar a saúde e não para combater a doença, mostra qual deve ser a palavra de ordem de uma estratégia defensiva, dos que advogam uma política de saúde contra a malfadada política da doença.

Saúde, prevenção da saúde, higiene individual e profilaxia, profissões e profissionais de saúde, estudantes e professores de saúde, técnicos de saúde, consumidores de saúde - pode constituir assim a nomenclatura básica, os «cavalos de batalha» da nossa defesa, deixando a medicina aos médicos e a doença aos profissionais da doença.

Desde que a Medicina não interfira na nossa área - defesa da saúde, um direito fundamental do homem, a que a Constituição da República Portuguesa curiosamente chama também «dever» - não seremos nós, defensores da saúde pelos meios naturais, a preocupar-nos com a Medicina e a sua ordem.

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Ideias de fundo a que deve obedecer a estratégia defensiva da naturoterapia :

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Se os doentes precisam de ver reconhecido o direito à medicina que cura e que escolheram como um direito fundamental do cidadão, a questão respeita unicamente ao consumidor de medicinas e a mais ninguém: é o momento de encorajar os consumidores de saúde a dinamizar o seu próprio movimento de autodefesa, frente a naturopatas e outros alopatas

-Tem havido, até agora, na polémica em torno das «medicinas leves», uma atitude bastante umbilicalista da classe dos naturoterapeutas: só muito raramente tem sido invocada a sua «base social de apoio», ou seja, o grande movimento de ideias e de opinião que são os adeptos e consumidores das ecoalternativas ecológicas e holísticas (alternativas médicas?) e das tecnologias terapêuticas apropriadas

-Entre a medicina que trata e a medicina que cura (ou previne), o consumidor de ambas deve constituir-se em Interlocutor Principal de toda esta guerra, com a qual, às vezes, até nem te nada a ver ou da qual se limita a ser passiva vítima

-Se quem trabalha deve fazer-se pagar pelo preço justo e compensador, é tempo também de não ir longe demais nesta matéria: se se quer deontologia e moralização dos costumes naturopáticos, não nos podemos ficar apenas pelo campo das competências técnicas mas também exigir nível moral aos praticantes

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CADA MACACO NO SEU GALHO

Se o campo da naturopatia ou naturoterapia está invadido de charlatães e aldrabões, também a informação alusiva às alternativas terapêuticas deixa muito a desejar, não sendo elaborada nem produzida pelos que tinham obrigação de a produzir com melhor qualidade, os profissionais da informação.