<58-01-06-ls> leituras do afonso domingo, 2 de Março de 2003-novo word - <j-moch>
Ferreira do Alentejo, 6/1/1958
C. P.: Depreendo que o livro de Jules Moch é a resposta ao satélite, isto é, à folhinha alusiva à outra face da...lua. Agradeço-te a lembrança. Um abraço por ela. Se como lembrança a acho mais que suficiente, mais que imerecida, como resposta ao tema de controvérsia, já não posso dizer o mesmo. Demonstrará o Jules Moch que não têm razão nenhum dos remoques à ciência soviética, nenhuma das apreensões sobre a rarefacção intensiva da liberdade no mundo, sobre o império e inferno da tecnocracia, sobre a psicose «materialística», sobre a cada vez mais longínqua felicidade humana? Creio que tudo isso deveria merecer aos nossos jovens empenhados, certa atenção. Sabes que resposta olímpica me deu o olímpico poeta Eduardo Olímpio? Esta: «Desculpa, Afonso, mas não sei o que seja um satélite». E devolveu o papelinho. Não parece apreensiva a nossa juventude, cm os loucos progressos de uma tecnologia demente. Excessivos e infundados temores os meus, portanto! Hossanas ao satélite! Hossanas ao futuro radioso da tecnocracia!
Futuro é coisa que não vamos ter por muito tempo. É cá uma crença do teu amigo
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