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CONSERVADO NUM BLOCO DE GELO
ESTE SER NÃO PERTENCE
A QUALQUER RAÇA CONHECIDA
Por NICOLAS SKROZSKY
7 de Novembro de 1969
A descoberta, puramente casual, de um homem de uma espécie desaparecida há 35 000 ou 50.000 anos, e que um feirante dos Estados Unidos tinha em, exposição, conservado num bloco de gelo, é a história mais inacreditável que se possa imaginar.
Contudo, foi o que aconteceu no ao sr. Bernard Heuvelmans, zoólogo especializado na pesquisa de animais desconhecidos, o autor de diversas obras cientifícas. Esta espantosa informação foi noticiada em fins de 1968, tendo então sido recebida com incredulidade, quer devido às circunstâncias do rocambolesco acontecimento, quer quanto o seu signifìcado.
O sr. Heuvelmans acaba, porém, de publicar no boletim do Instituto de Ciências belga, "uma nota preliminar sobre um espécime, conservado em gelo, de homúnculo - o "Homo pongoides".
O caso revestia-se de seriedade. Mas para avaliar a importância de uma tal informação era preciso abarcar a medida do seu valor. Imagine-se o que representa a descoberta de uma espécie de homem do Neanderthal de que se não conheciam até agora senão ossadas fossilizadas. Para os antropólogos, para os biologistas, para os que se dedicam aos estudos da pré-história, um tal acontecimento representava algo de bem mais importante do que a conquista da Lua.
Encontrei-me com o sr. Heuvelmans no seu gabinete recheado de livros e de objectos curiosos provindos de todos os cantos do mundo.
COMPRADO EM HONG-KONG
Manifestei-lhe o meu cepticismo.
"É preciso compreender - responde-me - as circunstâncias da descoberta. Encontrava-me, nesse sábado, 14 de Dezembro de 1968, em casa de um amigo americano, Ivan Santerston, escritor científico, que mora em New Jersey. Propôs-me acompanhá-lo a ver uma curiosidade de que se falava: o cadáver de um ser cabeludo, com aparência humana, metido num bloco de gelo, e que era exibido há um ano, em feiras populares. Dirigimo-nos de automóvel para Chicago, onde se encontrava o reboque de exposição, contendo o ataúde de gelo, que era apresentado ao público pelo sr. Frank Hansen. Este ignorava a proveniência do espécime, afirmando simplesmente que tinha sido comprado em Hong-Kong."
Deixaram que o sr. Heuvelman visse e fotografasse à vontade, o estranho ser, fechado no seu sudário de gelo, cuja espessura perturbava, no entanto, a observação directa. Tratava-se de um ente humano do sexo masculino extremamente cabeludo, e de grande estatura (um metro e oitenta). Não se aparentava com nenhum macaco, tendo os braços tão curtos como os de um homem, e as pernas compridas.
MORTO HÁ ALGUNS ANOS
O rosto cor de cera não tem muitos pêlos. O nariz possui narinas redondas e é achatado na base. O queixo parece arredondado. As mãos e os pés são muito grandes. Duas vezes maiores que os de um homem europeu. O tórax bastante arqueado. A pele é visível em certos bocados, e é engelhada. O braço esquerdo, erguido, estava partido, e a órbita direita vazia. A vista esquerda pendia da órbita enucleada. A parte traseira do crânio estava fendida.
Isto leva a supor, calcula o sr. Heuvelmans, que o homem cabeludo teria sido assassinado, talvez mesmo depois de ter sido capturado vivo.
Segundo os especialistas, a altura da morte, se se tiverem em conta as possibilidades de conservação do gelo, não poderá remontar a alguns anos, no máximo.
"Mas não se tratará de uma simulação -- perguntei -- ou de uma dessas figuras compostas, como as das sereias do Extremo Oriente?"
Este exame não deixa perceber qualquer vestígio de uma tal estrutura compósita e numerosos detalhes morfológicos muito particulares, não podem ser inventados de propósito, como, por exemplo, a forma do nariz, das mãos e dos pés.
Com efeito, diz o sr. Heuvelmans, o homem cabeludo não corresponde, na aparência, à ideia que possa existir, no espírito popular, do homem pré-histórico.
O sr. Heuvelmans passa em revista para as eliminar, uma depois da outra, diversas possibilidades, como sejam a de um caso de monstruosidade, de uma pilosidade extraordinária, ou da de uma raça humana contemporânea desconhecida. Crê que todas as características correspondem, depois do seu exame, às de um falso homúnculo próximo do homem do Neanderthal , e mostra imagens daquilo que o ser pré-histórico neandertálico é efectivamente: as mãos são muito grandes e providas de uma unha forte e alongada.
DE UMA RAÇA DESCONHECIDA
No fim de tudo, é bem possível que, por um feliz acaso, se tenha podido descobrir uma raça viva desconhecida. Lendas e descrições respeitantes a homens cabeludos ocorrem por toda a Ásia, do Cáucaso à China, e os sábios soviéticos, nomeadamente, estudam atentamente todos os factos que se relacionem com esses seres. E afinal, também o "coelacantho" foi descoberto há pouco tempo, bem como outros animais, como o ocapí.
Mas como é possível que um acontecimento desta importância possa ter-se produzido nos Estados Unidos, sem que houvesse a possibilidade de examinar a fundo o "Homo pongoide" e sem. que o mundo cientista se tivesse impressionado?
Segundo o sr. Heuvelmans, o caso é muito complicado. O homem cabeludo não pertence realmente, ao seu mostrador, o sr. Hansen, mas a uma misteriosa personagem, ao que parece extremamente rica. Todas as propostas de compra foram rejeitadas, mesmo as que foram feitas pela poderosa Smithsonian.
"A causa deve estar em que, provavelmente, o cadáver do ser primitivo, terá sido ilegalmente introduzido nos Estados Unidos. O facto de ser examinado fora do bloco de gelo poderia levantar suspeitas e trazer aborrecimentos ao seu proprietário."
No entanto, segundo as últimas informações, o homem cabeludo continuaria em exposição, mas o seu proprietário estaria disposto a montar, ele próprio, um laboratório para o estudar. É evidente que somente com um exame minucioso, através de radiografias e de múltiplas análises biológicas, seria possível determinar cientificamente a origem deste ser misterioso. Se fosse autêntico, constituiria uma das maiores descobertas modernas. Se assim não fosse, iria juntar-se à colecção de monstros do Loch Ness, Yéti e a outras serpentes de mar. ♣