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A LÓGICA (DESSE MODELO)
É DE GUERRA
15/2/1992 - É particularmente elucidativa esta entrevista de Roger Garaudy sobre as sobreviventes reminiscências reaccionárias que um discurso (aparentemente) progressista pode conter.
Ele preconiza, por exemplo, a transferência de verbas militares para a «modificação do clima» e a «fusão dos gelos polares», démarches megalómanas que estavam então em voga na propaganda da tecnologia estalinista.
Ele - Garaudy - desculpa os cientistas de trabalhar em invenções que depois são «aproveitadas» pelos militares: é comum, em pensadores (ditos) progressistas, esta responsabilização dos militares (classe mais façanhuda à primeira vista) para inocentar os cientistas, o recato do laboratório, a bata branca, quando a questão é outra, já era outra quando Roger Garaudy escreveu isso: a lógica da ciência subordinada à lógica de guerra que é a economia do desperdício, o modelo de crescimento e desenvolvimento, aliás, criticado por Garaudy em outras páginas suas.
Mesmo quando fala em paz, a lógica desse modelo é de guerra. Claudicando de novo, Garaudy considera bonzinho o Sakharov, esquecendo que foi ele o responsável da força nuclear soviética. Sakharov, aliás, foi incensado por muito boa gente. Humanamente talvez e em nome dos direitos humanos, mas é bom não esquecer que, enquanto cientista, lhe cabe 100% das culpas, e não só aos militares que lhe aproveitaram o génio investigador. Chega de perdoar aos verdadeiros autores do Holocausto, a pretexto de que há outros ainda piores do que eles. ©©