1- terça-feira, 29 de Abril de 2003-novo word  - <70-04-29-ls>

A NOVA DIDÁCTICA

OU O GÉNIO GENERALIZADO

29/Abril/1970

Nem todos os dias nasce um Lenine.

Confiar no advento e acção dos "grandes homens" parece-me ser um preconceito de antigas mas próximas épocas, e bastante enraizado para que permaneça mesmo quando e onde já supúnhamos espúria a sua presença.

Tentar modificar a ideia que se faz dos "grandes homens" não é, no entanto, menosprezar a individualidade, a acção e a criação humana, referida ela a grandes e pequenos, célebres e anónimos. Antes pelo contrario, é desejar violentamente que a chamada individualidade de excepção fique ao alcance de todos, possa passar a ser a regra e o comum.

Explico-me: com as possibilidades abertas pela tecnologia dos computadores, todos os homens, mesmo os que seriam hoje os homens comuns, ficam com a possibilidade de multiplicar as suas capacidades intelectuais (e só estas, frise-se) de maneira vertiginosa.

Vistos a esta luz, os homens de excepção foram apenas homens que, antes da tecnologia o permitir, souberam multiplicar na sua "própria máquina" (o corpo, o cérebro) de maneira incrível e anormal as suas possibilidades intelectuais.

Se um guindaste amplia a força muscular do braço humano, um computador ampliará em proporção consequente a capacidade intelectual do cérebro humano.

Quer isto dizer que a Nova Pedagogia terá a seu cargo, principalmente, dotar os homens comuns de poderes mentais que até agora só os homens de excepção possuíam.

Uma Nova Pedagogia - ou Pedagogia Prospectiva – exigirá do aprendiz que saiba utiliza as técnicas prodigiosas ao seu dispor. E só a isso chamará progresso.

O génio - no campo da análise intelectual e só nesta, sublinhe-se - deixa portanto de ser arcaicamente uma excepção para prospectivamente se generalizar e passar a ser regra.