1-1-<epigonos><literatu><manifest>902 caracteres - terça-feira, 3 de Dezembro de 2002

PARA UMA TEORIA

DA LITERATURA

20/Maio/1991 - Para que a literatura seja mais do que uma renda, um arroto, uma flor de estufa, um diploma de promoção social, uma garantia de carreira, um medalhão académico, uma forma de arranjar tacho na administração pública, o que terá de ser?

Um discurso ao arrepio do discurso dominante é a resposta.

Pouco ou muito, mas minimamente em conflito com a ordem estabelecida, com a hierarquia escolar, com os valores autorizados pelo Poder universitário, médico, científico, sociológico, escolar, académico.

Se poetas e críticos são exactamente a expressão dessa ordem estabelecida, embora finjam que não, com o recurso às aparências modernistas, então essa é a poesia e a crítica que não me interessam. O modernismo serviu, depois da explosão dos seus criadores, para mascarar epígonos (a que chamei neo-academismos).