<70-05-07-di> terça-feira, 10 de Dezembro de 2002-scan
OS COMPUTADORES
NA ENCRUZILHADA (*)
7-5-1970
(*) Este texto de Afonso Cautela terá sido publicado no jornal «Notícias da Beira» , Moçambique, na coluna do autor, «Notícias do Futuro», em data a identificar
Ao falar-se de revolução pedagógica, parte-se um facto que, em qualquer circunstância política, tem e terá decisiva relevância de hoje para o futuro: a tecnologia dos computadores e sua influência na rapidez de aprendizagem.
Pode opor-se, desde logo, uma aparente objecção: claro que, em teoria, os computadores revolucionam a aprendizagem e, portanto, toda a teoria da cultura e da informação vigente. Mas sendo eles, na sociedade de consumo, propriedade e usufruto da classe dominante, dela dependem os que, dominados, tivessem em princípio que os utilizar.
Claro: as relações de propriedade determinam o resto e abstracto ou cínico será afirmar que os computadores se encontram ao serviço da Educação. Tal não acontece, porque eles estão, sim, é
ao serviço dos poderes que os compram (que os podem comprar) e controlam.
No entanto, um meio caminho podemos encontrar: para que existam, as poderosas empresas não prescindem de técnicos, que, por sua vez, têm de percorrer todo o circuito de aprendizagem que às próprias empresas interessa então que seja o mais eficiente possível (ou não?).
Por aí entra a possibilidade de quebrar o círculo aparentemente vicioso.
Sem falar nos grupos cada vez mais numerosos de resistência, de auto-didactas e self-made man, capaz de constituírem excepção no meio da regra ou lei alienante.
Em suma. Quando não puder e enquanto não puder ser feita a revolução pedagógica, a norma é que a reforma tenha o máximo de conteúdo revolucionário. Assim o deseja uma maneira prospectiva de encarar a teoria da cultura e da Informação, a mudança ou actualização pedagógica de que se necessita..
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(*) Este texto de Afonso Cautela terá sido publicado no jornal «Notícias da Beira» , Moçambique, na coluna do autor, «Notícias do Futuro», em data a identificar ©