1-3 < 98-12-06-ls>
leituras do ac - sábado, 29 de Março de 2003- novo word -
<cruz-1>
6-12-1998
TEORIAS DA VIDA
TEORIAS PELA VIDA
ROTEIRO PARA O ESTUDANTE
DE NATUROLOGIA
Sendo a história das teorias sobre a vida a mais desconhecida das histórias e
sendo humanamente impossível, na história da saúde, abranger as centenas de
capítulos que ela comporta, proponho-me, como contributo ao curso de Naturologia,
rondar algumas dessas teorias e deixar um roteiro que, ano após ano, poderá ser
desenvolvido com outros contributos de outros alunos deste curso.
Presumo que este possa ser um trabalho de fundo, até porque tem interfaces
muito curiosos com algumas das cadeiras básicas do curso, para não dizer,
indirectamente, com todas elas.
- a) O mais evidente dos interfaces é com a cadeira de Biologia: constatando o
estado de atomização a que chegou a Biologia e constatando os problemas
metodológicos que essa cadeira hoje impõe a um curso de inspiração holística
(que é o contrário da referida atomização), uma revisão das teorias científicas
que à volta do radical «bio» se têm elaborado, poderá moderar, nessa cadeira, a
tendência biocrática para reduzir o fenómeno vida a uma sua caricatura
microscópica.
- b) Há, depois, um outro interface também óbvio e que comecei por referir, que
é com a cadeira de História da Saúde: a vastidão deste tema não permite que
alguém o domine na sua totalidade. Um curso de Naturologia poderá realizar uma
proveitosas síntese de aproximação holística, fazendo das teorias médicas e
biológicas o seu núcleo de irradiação ou núcleo duro de estudo e pesquisa.
- c) Com uma outra cadeira, a de Epistemologia, o interface é igualmente claro
e manifesto: é uma ocasião de pesquisar aquilo que a própria epistemologia tem
descurado e praticamente ignorado. Consultando uma relativamente vasta
bibliografia de epistemólogos, salta à vista essa lacuna: quase todos os livros
e autores se debruçam sobre as ciências físicas e químicas, muito menos sobre as
ciências matemáticas , ainda menos sobre ciências históricas e antropológicas,
até chegar à quase total omissão das ciências biológicas.
- Estatisticamente, a epistemologia esqueceu as ciências da vida.
- Só por si, isto é um desafio à investigação naturológica, já que representa
um episódio extremamente significativo da ideologia que lhe subjaz.
- d) Inesperadamente, a Botânica, cadeira que não era suposto ter um interface
tão claro e manifesto com estas preocupações de índole epistemológica e
ecológica, é a que se revela com o melhor contributo a um panorama histórico e
crítico das teorias biológicas.
- Pelo menos, nos apontamentos coligidos pela professora [---],
encontramos um longo, minucioso e precioso documento sobre o assunto. Embora
limitado a um campo da biologia - a classificação biológica - esse estudo de
Henrique Ribeiro, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em edição da
Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, deve ser saudado como uma ajuda
preciosa ao estudante de Naturologia, que precisa de um conspecto panorâmica
dessas teorias como do pão para a boca.
- São cerca de 15 páginas que virão dar a este roteiro um enorme incremento.
Nele se citam nomes que são particularmente gratos à naturologia e que não era
também suposto encontrarem-se num estudo de Botânica: Jean Piaget e Paul Ehrlich
e Louis Von Bertalanffy, são alguns desses nomes «inesperados», nomeadamente o
último que, embora fundador da Sistemática moderna, anda arredio e desconhecido
de todos os cursos e faculdades.
- e) Finalmente o interface menos evidente mas efectivo é com a ciência
Psicológica.
- Poderá constituir uma surpresa (surpreendente, digamos assim...) a leitura de
um livro de psicologia clínica, como o de José Luís Pais Ribeiro, «Psicologia e
Saúde», editado pelo ISPA (Instituto Superior de Psicologia Aplicada): o
incauto, encontrará o que não julgaria nunca encontrar num estudo de nível
universitário: a atenção ao global, ao ecológico, ao factor ambiental e,
principalmente, à despistagem das condicionantes, versas e adversas, que
determinam o comportamento.
- f) Ao falar de despistagem de factores, entramos em outra cadeira com a qual
verificamos outro importante interface: a cadeira de Diagnóstico. De facto, o
diagnóstco tradicional, quer em alopatia quer em naturopatia, terá que ser
alargado até ao diagnóstico ambiental, ecológico ou ecodiagnóstico.
Coisa rara nunca vista, portanto, em livros e autores que são hoje correntes,
quer em terapia médica quer em terapia naturopática.
Com uma única excepção: quem actualmente levou mais longe o diagnóstico a que
aqui chamamos ecológico, foi Michio Kushi, nome que ainda não tem honras de
figurar nas enciclopédias correntes e que talvez nem sequer esteja na Internet.
NAVEGAR É PRECISO
Este trabalho de «assemblage» que proponho, seria também um roteiro para
viajar na Internet e saber se, nesse concentrado de informação, nessa
enciclopédia de enciclopédias, alguns dos contributos mais importantes das novas
medicinas lá figuram.
É evidente que as omissões têm um significado claramente ideológico: omitir
de um banco de dados exaustivo, nomes como :
- Michio Kushi
- Wilhelm reich
- Josep Levy
é claramente uma prova do sectarismo ideológico que preside à tecnocrática e
neutral Internet.
Ou seja, em matéria de informação armazenada na Internet, o problema deixou
de ser a informação que há ou não há mas a informação selectiva que nos
interessa ao nosso caminho : a naturologia holística e suas dificuldades de
implantação, dada a guerra que lhe movem as «velhas tulipas.»₪