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4-4-1997

«ADARSHA» VAI NO 2º NÚMERO

BUDISMO TIBETANO INSPIRA REVISTA TRILINGUE

O budismo tibetano moderniza-se. Já está na Internet e lançou o segundo número de uma revista internacional, trilingue (português, inglês e francês), com informação sobre as múltiplas correntes, mosteiros, mestres e tendências que vivem dentro deste ramo do budismo.

Com redacção em Lisboa, tem difusão internacional e propõe-se divulgar a tradição tibetana através de textos de grandes mestres, além de publicar notícias sobre diversos centros e mosteiros budistas no mundo.

Unidade na diversidade

Quem pensava que o budismo tibetano era uma unidade dogmática e fechada, ficará surpreendido com a diversidade de tendências que existem no seu interior:

«Se imaginarmos o Tibete - diz Filipe Rocha, do Centro «Os Tibetanos» - com milhares de mosteiros, centenas de escolas e várias tradições principais, pode imaginar-se a importância de uma linhagem que as agrupe, conheça, preserve e transmita a todas sem as confundir uma com outras. Essa linhagem é que inspira o espírito da revista.»

Emília Marques Rosa explica não só o título da revista - ««adarsha» simboliza o espelho onde a pessoa se mira para se reconhecer na sua verdadeira natureza» - mas o que significa a linhagem Rime no seio do budismo tibetano:

«Os mestres da linhagem Rime assimilaram várias tradições e não as misturam. Rime significa, assim, não sectário. Que tem um sentido diferente da palavra «ecuménico» nas religiões ocidentais. Trata-se de conservar cada tradição na sua integralidade. A nossa revista segue exactamente no espírito da linhagem Rime, apresentando várias tradições »

Cada número da revista, como nos explica Emília Marques Rosa, é particularmente centrado no trabalho de um mosteiro ou de um mestre.

Diáspora tibetana

A revista trimestral «Adarsha» corresponde assim a uma necessidade: servir de elo de ligação entre as numerosas colectividades budistas espalhadas pelo mundo.

A diáspora tibetana, iniciada com o genocídio mandado executar pela China de Mao Tsé Tung (a quem se deve, providencialmente, a expansão do budismo por todo o mundo) continua em marcha e vai conquistando cada vez mais adeptos. Poderá dizer-se que o instrumento de que a divina providência se serviu para provocar essa diáspora foi um bocado violento e envolveu muitos milhares de mortos, e centenas de mosteiros destruídos e saqueados. Mas também se poderá dizer que Deus escreve torto por linhas direitas e tudo volta ao sítio.

«Adarsha» é o nome da nova revista internacional do budismo tibetano, que Lisboa tem a honra de acolher. Provavelmente porque o centro Ogyen Kunzang Choling (OKC), usualmente denominado «Os Tibetanos», na rua do Salitre, 117, em Lisboa, é um ponto de referência entre os centros Nyngma Pa de todo o mundo.

Provavelmente também porque a missão messiânica que alguns atribuem a Portugal, tem um certo fundamento. A existência de um mosteiro do budismo Nyingma, na serra do Caldeirão ou Mu, terra de ninguém entre o Alentejo e o Algarve, pode ser um sinal dessa vocação e dos novos tempos em que Portugal terá de novo um papel navegador, como queria o profeta Fernando Pessoa.

Espelho da alma

Conforme nos explica a directora da revista, Emília Marques Rosa, «Adarsha» significa espelho em sânscrito:

«O nome foi-nos sugerido por Sua Santidade Dilgo Khyentse Rinpoche, um dos maiores mestres contemporâneos do budismo tibetano.«

Mestre supremo da Ordem Nyingma (ou dos Antigos) do budismo tibetano e um dos mestres do Dalai Lama, ele foi o responsável espiritual da OKC até à sua partida deste mundo, em 1991.

Note-se o subtil eufemismo: de um chefe espiritual como Dilgo Rinpoche, não se diz que «morreu» mas que «partiu deste mundo»

A OKC chegou à Europa em 1972 e desde 1979 que tem três centros em Portugal: Lisboa, Porto e o já citado na serra algarvia.

A revista «Adarsha», redigida e realizada (impressa) em Lisboa, vai assim, religar vários centros entre si, com notícias desses centros mas, sobretudo, ensinamentos, alguns inéditos, dos Lamas, dirigidos não só a pessoas interessadas pelo budismo mas ao público em geral.

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<90-10-24> <chodrak>

24-10-1990

MÉDICO PESSOAL DO DALAI LAMA, DR. TENZIN CHODRAK.

A vedeta ao vivo, hoje, pelas 18 horas, na Faculdade de Letras de Lisboa, anfiteatro 1, a convite da associação de Estudantes, é o médico pessoal do Dalai Lama, Dr. Tenzin Chodrak.

Verdadeira «lenda» viva da resistência tibetana à ocupação chinesa, com um curriculum de militante em que se destacam 17 anos no pior campo de concentração da China Popular, o Dr. Chodrak irá falar sobre a medicina tradicional do seu país. Para quem souber o tibetano, tudo será fácil e claro na conferência de Chodrak. Para os menos habilitados nessa estranha língua dos Himalaias, um intérprete de inglês traduzirá o essencial. E para os menos letrados, Filipe Rocha, da Escola do Budismo Tibetano Nyingma, traduzirá do inglês para português chão.

Este será um encontro histórico: não só dos estudantes de Letras com o representante de uma civilização que provavelmente só conheceriam dos livros e terão interesse em ver ao natural; mas também porque não é todos os dias que a medicina tradicional tibetana nos é explicada por um dos seus mais abalizados representantes.

«Equilíbrio de todas as energias humanas» é o conceito chave da medicina que Chodrak pratica. «O principal - como ele disse a « A Capital» - é manter o equilíbrio entre o estado de espírito, o estilo de vida e a dieta». Aprender (e ensinar) a gerir as energias humanas é, assim, um dos objectivos que se propõe a medicina praticada há séculos nos mosteiros do Tibete.

«Tudo na medicina tibetana é simples e complexo» - afirma o dr. Chodrak, sublinhando assim a mais típica característica do processo iniciático (ou terapêutico), simples para quem está subindo já os degraus da escada, complicado para quem se arreganha, de fóra, a negar até que a escada exista.

Ninguém é obrigado a converter-se ao budismo ou ao hinduísmo para obter resultados práticos com as técnicas médicas da tradição esotérica tibetana. Mas isto é como o dinheiro no Ocidente e conforme se costuma dizer: praticar o Dharma não dá a felicidade nem garante a cura, mas ajuda muito. Não somos, pois, obrigados a crer em nada mas estamos obrigados - isso sim e como frisa o dr. Chodrak - a cuidar de nós mesmos, a pensar no nosso destino, saber porque estamos aqui, de onde viemos e para onde vamos.

E todos estes pontos têm a ver, na perspectiva iniciática (ou médico-terapêutica), com a nossa «doença», com o nosso «sofrimento», no sentido ao mesmo tempo mais lato e mais preciso destas palavras.

Como acentua Chodrak, a doença seria mesmo, na perspectiva da sabedoria mais antiga, uma espécie de teste transcendente para nos pôr à prova no sentido do nosso próprio progresso evolutivo à escala cósmica. Se a doença era e é um teste, é caso para concluir que essa oportunidade e função da doença foi completamente destruída por uma medicina cega que ignora os fundamentos do homem e a função gnóstica das suas actividades sensoriais e vitais.

«Muito importante - acentua ele - é o nosso estado de espírito, a nossa disposição em relação a todos os seres sensíveis. Normalmente e se fôssemos saudáveis, devíamos ter um estado de espírito concentrado no benefício de toda a gente e devíamos procurar evitar, de qualquer maneira, qualquer tipo de mal. Isso é a saúde.»

NO LIMITE DAS ENERGIAS HUMANAS

Desde os 21 anos médico pessoal do Dalai lama, cuja saúde regularmente vigia através do diagnóstico dos pulsos, foi em 1959, com a entrada da China Comunista no Tibete, internado num campo de concentração, onde permaneceu, alvo das maiores torturas, até 1976, o que se afigura de facto sobrenatural. Mas tudo nele é humano, simplesmente humano.

Ser de excepção, forjado nos limites do sofrimento, Chodrak cumpriu pena de degredo no deserto de Gobi, uma das colónias penais mais sinistras da China Popular, onde esteve 16 anos resistindo a todas as torturas, enquanto via sucumbir companheiros seus. O facto de ter curado um alto dirigente chinês de uma doença dada como incurável pela medicina oficial, iria contribuir para o libertar, em 1976. Depois, começou a sua peregrinação pelo mundo. Fundou centros de medicina tibetana, não só na Índia (Dharamsala) - onde regularmente trabalha - mas em outros países como o Nepal e o Bhutão. Pela Europa e Estados Unidos, tem realizado conferências e colóquios, divulgando os pontos essenciais de uma sabedoria que, embora oculta, pode ser revelada a todos os que queiram entender o Dharma budista.

RIO DE VÁRIOS AFLUENTES

Ponto de encontro de três grandes correntes médicas - hindu, helénica (através da Pérsia) e chinesa (a mais antiga que se conhece), a medicina tibetana, que conseguiu ser preservada devido às condições geográficas do País, aparece hoje como um concentrado de técnicas que a experiência foi apurando e depurando. O seu estudo e aprofundamento, no entanto, só pode ser feito por quem domine a língua tibetana, já que os principais textos (tantras médicos) se encontram neste idioma e não foram ainda transladados para línguas ocidentais.

Um exemplo desse «pluralismo» da medicina tibetana, corrente aberta a outras correntes, é dado pelo dr. Chodrak e refere-se à farmacopeia vegetal do Tibete que funciona, evidentemente, como qualquer fitoterapia ocidental( extractos, decocções, pastilhas, pós) e funciona tanto melhor quanto mais profundamente se conhecer o sistema médico do Ayurveda, onde a tradição tibetana foi colher preciosos ensinamentos de farmacopeia.

Quando a homeopatia foi «descoberta» no Ocidente pelo médico alemão Samuel Hahnemann (1755-1843), a técnica da «potenciação» energética já existia e funcionava na Índia e no Tibete havia vários milénios ( não esqueçamos que cada milénio tem dez séculos...). Tal como aconteceu à Acupunctura, que a medicina ocidental adoptou e adaptou, desligando-a do seu contexto ou sistema original, também a terapia herbárea do Ayurveda, quando chegou ao Ocidente, sob a forma de fitoterapia ou de homeopatia, veio desligada do sistema coerente dentro do qual fazia sentido.

MEDICINA HUMANA

Como diz Terry Clifford, doutorada em Psicologia e Religião, autora de um livro sobre « A Arte de Curar no Budismo Tibetano» «The Diamond Healing» ( 1981), a medicina tibetana é predominantemente holística, quer dizer, «enfatiza a relação entre a mente e o corpo, entre o psicoorganismo concretizado e o Universo»; ela «envida esforços preventivos e curativos para manter e restaurar o equilíbrio cósmico, dentro e fora». Finalmente, «como a maioria dos sistemas médicos tradicionais, define a saúde em função do equilíbrio mas, nela, o conceito de equilíbrio é desenvolvido até aos limites mais distantes e subtis».

O Ocidente procurou alcançar esta meta humanista e «inventou» a medicina psicosomática, que ficou apenas e paradoxalmente nos livros dos respectivos especialistas, já que não se pratica e ninguém a pratica. Inclusivé a psiquiatria transformou-se numa terapêutica de «específicos» químicos, levando a doença mental à paranóia da hiperespecialização e da hiperanálise. Ou seja, piorando a doença em vez de a curar.

O sentido «holístico» das terapêuticas como a tibetana vai assim no sentido inverso: valoriza tanto o Todo como a parte, mas vê esta indesligável do conjunto. Para isso, as tecnologias e os remédios têm que diferir da farmácia analítica em uso no Ocidente. O universo humano vive no e do todo, e não de cada parte de per si, por isso é sempre considerado na perspectiva do macrocosmos, para o qual se apela, aliás, no sentido de fazer convergir as mais poderosas energias circulantes sobre a pessoa humana que sofre e aspira à cura.

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1-2 <90-09-06-ls> leituras do afonso - quinta-feira, 10 de Abril de 2003- novo word - <dalailam - - > - notas de leitura

MILHÕES DE AMIGOS(*)

[(*) Este texto de Afonso Cautela foi publicado no jornal «A Capital», «Leituras de Verão», 6-9-1990]

24/8/1990 - Depois que lhe foi atribuído, o ano passado, o Prémio Nobel da Paz, o 14º Dalai Lama, chefe político e religioso do Tibete (país ocupado, há quatro décadas, pela República Popular da China), tornou-se uma figura popular, vedeta dos «media» e um escritor conhecido.

Ainda que não estivesse inédito em livro, pois circulavam várias obras suas, em diversas línguas ocidentais, sobre doutrina e prática budista, só depois do Prémio Nobel essas obras passaram a ocupar lugar de relevo nos editores e escaparates de todo o Mundo.

Entre as editoras mais atentas aos «novos ventos da História», a Pensamento de São Paulo (Brasil) tem marcado pontos. Nada lhe escapa de importante e de essencial. Longe vai o tempo em que se considerava medíocre a edição brasileira. Hoje, em matéria de vanguarda, bate aos pontos as melhores editoras de Lisboa e Porto.

É assim que acaba de surgir, quase na mesma hora em que saiu em Nova Iorque a edição norte-americana, « Bondade, Amor e Compaixão»(*), discursos do Dalai Lama nos E.U.A., compilados por Jeffrey Hopkins e Elizabeth Napper. Onde quer que ia e fosse qual fosse o País que visitava (numa peregrinação que em alguns aspectos se assemelha à do Papa João Paulo II) ele conquistava milhões de amigos para si, para o seu povo mártir e para o «dharma» budista. Agora, com estes discursos de larga influência que pronunciou para vastas audiências e abertos a todos os credos, ele conquistará também o coração de milhares de leitores, falando uma linguagem que, de tão universal e intemporal, já quase se encontrava esquecida do mundo contemporâneo.

Com efeito, a mensagem de Sua Santidade Tenzin Gyatso - denominação que hierarquicamente lhe é devida na ordem iniciática a que pertence - , não se destina unicamente a crentes budistas mas a todas as pessoas que acreditam na possibilidade de transformação do homem como indivíduo e membro da sociedade. Entre outros assuntos, o chefe do povo tibetano no exílio fala sobre adestramento e transformação da mente através da meditação, sobra as divindades do budismo tibetano e sobre a arte de captar, além das aparências, a verdadeira natureza das pessoas e dos fenómenos.

O organizador e tradutor desta colectânea, Jeffrey Hopkins, é professor na Universidade de Virgínia, onde rege um curso de estudos budistas, tendo acompanhado o Dalai Lama em suas viagens pelos E.U.A., Sueste da Ásia e Austrália.

De leitura também interessante para o grande público é a obra « Minha Terra e Meu Povo»(**), testemunho sobre as vicissitudes do povo tibetano, em resistência contra o invasor chinês desde 1950.

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(*)«Bondade, Amor e Compaixão», Décimo Quarto Dalai Lama, Editora Pensamento, São Paulo

(**)«Minha terra e Meu Povo», Décimo Quarto Dalai Lama, Editora Palas Athena, São Paulo

(*) Este texto de Afonso Cautela foi publicado no jornal «A Capital», «Leituras de Verão», 6-9-1990

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[publicado em «leituras de verão», eventualmente modificado] - <neel - -> <emcurso>-1043 caracteres - artes de viver - caminhos do maravilhoso – notas de leitura

ROTINA DO MILAGRE

NA MAGIA TIBETANA

[13/5/1992 ] - O que vulgarmente se classifica de «mágico», acontece, em sociedades ainda ligadas às origens do Mundo, como um fenómeno normal de rotina.

Esta podia ser uma das conclusões a retirar do livro «Místicos e Mágicos do Tibete», da escritora Alexandra David-Neel, nascida em França, livro que se encontra em edição portuguesa das Publicações Europa-América(*)

O olhar que esta autora lança sobre o mistério tibetano é de um jornalista ou de um investigador científico, habituado ao nível racional e factual dos acontecimentos e sem ir muito além da casca ou superfície dos fenómenos. Ainda assim e se tivermos em conta que o Tibete (e o lamaísmo) já foi vítima de um «gangster» chamado Lobsang Rampa, pelo menos Alexandra David-Neel é honesta e de boa fé, com o mínimo de abertura a um tipo de sensibilidade completamente diferente da maneira de ser ocidental e a um fundo secular de sabedoria que nada tem a ver com os padrões em vigor nas tradições europeias.

Ela deixou-se apaixonar pela cultura tibetana e, se é certo que não compreende muito daquilo que observou, também é verdade que o mostra sem preconceitos, sem classificar de charlatanismo, como tantos fazem, tudo aquilo que não está à altura de compreender. É como se tivesse sido chamada à missão de divulgar no Ocidente a mais antiga tradição primordial viva. A sua vida tem sinais muito claros dessa predestinação, que ela, aliás, aceita e assume com a maior naturalidade. Ela percebeu, pelo menos, que nada acontece por acaso e que também a sua vida estava traçada... Alexandra David-Neel trouxe, assim, desse mundo «desconhecido e proibido» uma fabulosa amostra do tesouro que se contém no cofre do conhecimento milenar e secreto, a sabedoria prática (mágica) contida nas ciências ditas ocultas.

Nascida em Paris em 24 de Outubro de 1868, de uma família francesa protestante, faz a primeira escapadela para a Grã Bretanha aos dezassete anos. Estuda filosofia e línguas orientais. Uma manhã resolve ir para o Tibete, onde se iniciará no budismo. Até à guerra 1914-18, vem à Europa algumas vezes mas por pouco tempo. Da China aos Andes, muitas vezes a pé e como peregrina, atravessa todo o Tibete e conta essa experiência no livro «Viagem de uma Parisiense a Lassa». Bloqueada na China, durante a Segunda Guerra Mundial, volta a França com o filho adoptivo, o lama Yongden. Alexandra David-Neel morre em Digne, a 8 de Setembro de 1969, deixando duas dezenas de livros sobre o Tibete, o budismo e cultura oriental.

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(*) «No Rasto de Místicos e Mágicos do Tibete», Alexandra David-Neel, Publicações Europa América, Colecção «Portas do Desconhecido», nº 56

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<octavio ><diario>

O OPORTUNISMO

DO EXOTISMO ORIENTAL

20/Novembro/1990 - Depois que, oportunisticamente, o Prémio Nobel da Paz foi dado ao Dalai Lama, passou a ser de bom tom que os galardoados com o prémio da pólvora, se confessassem diletantes amadores das coisas orientais.

É um espectáculo, algo obsceno, ler que Octávio Paz, prémio Nobel da Literatura, se sente devedor ao Oriente que - confessou - foi «para ele uma descoberta fundamental». Até agora não sabíamos, mas a partir de agora o seu curriculum ficará adornado de joia tão rara.

As relações de snobismo ocidental com a cultura do Oriente, nomeadamente budista, não passam destes «flirts» ocasionais e superficiais, algo exibicionistas, com muito de snob e de novo-rico! Quando do que se trata, assumindo o budismo, é de fazer a rotura com toda a podridão da cultura ocidental. Aderir ao budismo é uma atitude radical. E qualquer fanático do Ocidente chamará a isso fanatismo, como chama fanatismo ao fundamentalismo islâmico, especialmente se este lhe dá na cara.

No fanatismo do rótulo, no fanatismo de todos os fanatismos, o Ocidente ganha todos os recordes, até porque está sempre pronto a ver fanatismo dos outros e nunca o seu próprio.

[Ver recorte in s.s. «anexos do computador»]■