<garaudy-md-1-4> sexta-feira, 7 de Novembro de 2003
2565 caracteres <garaudy-1-ls><leituras> notícias da clandestinidade - para um tribunal de nuremberga
PARA A PERESTROIKA
DO CAPITALISMO
15/2/1992 - Vamos perdoar às futurologias ingénuas que queriam um crescimento acelerado de tal forma absurdo que nem sequer os mais loucos dos ditadores e os mais megalómanos dos governos o puseram em prática?
O sonho de construir duas centrais nucleares por dia, por exemplo -- citado neste texto de Garaudy (1)-- foi insistentemente defendido ao longo de duas décadas como necessário para manter o ritmo de crescimento que se supunha necessário à total felicidade dos povos...
O que eu acho urgente, hoje, não é só que se pintem as vantagens da perestroika na URSS e se cantem as derrocadas do comunismo. O que é urgente, hoje, é chamar a tribunal de Nuremberga todos os que, pela acção e pela prática, na URSS, nos EUA, na França, na Alemanha, no Japão, meteram, a pretexto de desenvolvimento e com promessas de infinito progresso, a humanidade neste beco que se chama «modelo de desenvolvimento económico».
Mas não só - espanto! - ainda não se abriu um tribunal de Nuremberga para julgar à revelia toda essa corja de economistas, pensadores, políticos, tecnocratas, etc. - os bêbados do crescimento - , como ainda há quem, mascarado com tintas de reformismo ecologista, esteja no poder a fazer exactamente o que esses loucos do modelo soviético, por exemplo, fizeram, sob o discurso e alegação do progresso, do desenvolvimento, do crescimento. etc. Tudo o que levou a URSS ao pântano onde se afogou.
Porque não foi o comunismo que ruiu ou que levou a URSS à derrocada: mas o modelo de desenvolvimento ou de crescimento paranóico, criminoso, de desperdício, preconizado quer a Leste quer a Oeste.
Deu raia primeiro no Leste porque o capitalismo tem mecanismos de embuste e defesa que lhe permitem mascarar a crise das crises por mais tempo. Inclusive, adiá-la com guerras (a do Golfo foi a última em data, mas não será a derradeira). Mas também no Ocidente acabará por dar raia.
A questão ecológica de fundo sempre foi essa e só essa. São as baleias simpáticas e as campanhas dos Green Peace, são os biodegradáveis e os não biodegradáveis, são as hormonas na carne, é a Iatrogénese, o maior crime contemporâneo da Biocracia. A questão ecológica de fundo são todas essas questões ecológicas particulares mas é fundamentalmente a questão de todas as questões: o modelo de desenvolvimento que continua a imperar sem alternativa. E que conduzirá o Ocidente militarizado, industrializado, nuclearizado, ao Pantanal em que está a ex-URSS. E não falha.
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(1) Roger Garaudy, «O Projecto Esperança», pgs 9-11, Publicações Dom Quixote, Lisboa
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<garaudy-2-ls> <ecos>-4109 caracteres - meio publicados ac? - ecos da capoeira
GARAUDY EM PORTUGAL:
TRAVESTIS ESTRUTURALISTAS
COM CENAS EVENTUALMENTE CHOCANTES
MEMÓRIAS DA RESISTÊNCIA
À PORNOGRAFIA NACIONAL
11-11-1990 - Como diz o povo, «falar claro e urinar direito» é uma grande virtude. Antes os que, de facto, fascistas da gema, o são sem disfarces e sem meias tintas, o são e o afirmam, sem medo ao escândalo, do que estes meias tintas, do que estes mesinhas santas de pau carunchoso, supinamente hipócritas na sua rebolice ( e rabulice) sabichona de doutores em molho de merda seca.
Em suma: é mais útil hoje, por exemplo, um orangotango da classe tecnoprimata que faz a apologia da poluição como sinal de progresso e desenvolvimento, e proclama, em dois discursos por dia, que o campo tem de ser totalmente despovoado de gente (de quem lá teima em ficar toda a vida) e ocupado logo a seguir de Maquinaria Agrícola Pesada de latifúndio que fará tudo sozinha, bastando carregar no botão, é mais útil, portanto, um Sicco Mansholt que fez tudo isto, que tudo isso preconizou e de tudo isto, de tudo isso fez filosofia oficial da «Europa Verde» (Mercado Agrícola Comum) do que o Sicco Mansholt mão-no-peito a penitenciar-se de ser o troglodita tecnofascista que tinha sido, a fingir de que se arrependia dessas e doutras, quando em 1972 soube do relatório do MIT.
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O tecnocrata puro, o que avança a direito e mata quem matar, derruba quem derrubar, não dizendo que anda a caçar borboletas com uma rede de pesca ou de arame farpado, não deixando quaisquer dúvidas do que quer e do brilhante futuro e próspero destino que prepara às novas gerações, é útil e deve ser preservado como um barómetro no meio da tempestade ou um termómetro no deserto, onde há o perigo das insolações.
É útil como um intestino grosso conservado em álcool dentro de uma proveta. Ou, na alternativa, conservado com DDT (específico recomendável para o caso Sicco Mansholt).
Francamente temíveis são os que, pelo contrário, estão sempre à espera de se encaixar na moda e pular por cima da onda.
Perigosos são os que, mal chega a Lisboa Roger Garaudy, trepam logo por ele acima, a ver se ninguém deixa de os ver com o escritor célebre, a mostrar que estão à la page.
Um dos que treparam por Roger Garaudy acima, o Prof Doutor Prado Coelho, esquece, por exemplo, que em tempos lhe chamou, num artigo de jornal, filósofo ordinário e mero publicista de jornal. O incidente vem do bordel lusoestruturalista, onde pontifica a madona que se sabe e não tem mais raio de acção do que a esquina da rua dele. Mas não deixa de ser significativo.
Trepar por Roger Garaudy acima, agora que ele é capaz de vir a ganhar a presidência da República Francesa(?) com o apoio dos «verdes» e das correntes alternativas em França, o mesmíssimo doutor que arrumava Garaudy entre os subfilósofos impressionistas, é, para quem tenha memória, um espectáculo de travesti sem sobressalentes, um pornoshow com cenas extraordinariamente chocantes.
Ninguém, claramente, dos universitários que rodearam e sugaram Garaudy, disse que este filósofo francês foi um dos fundadores, com Leopold Senghor, da Universidade dos Mutantes, numa ilha da costa africana atlântica. E que esta universidade dos mutantes, não é para vomitar os discursos vomitados do lusoestruralismo, nem tem nada a ver com os doutores de Vincennes, nem com os coelhos amestrados, a não ser que foi fundada para servir de imunizador ao Terceiro Mundo contra a ocupação cultural de Paris e de outros centros em crise menstrual do imperialismo europeu.
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O pior, como diz o povo, não é o tecnopornógrafo que esfola e corrompe sem dar contas a ninguém.
Pior são os que, oportunistas, mudam de partido três vezes ó ano, que tanto estão num sítio como noutro, que tanto esfregam os colhões no cu como o cu nos colhões (dos outros) e que ora fazem o frete ao PREC (de esquerda ou direita), ora ao quartomundismo do Garaudy.
Cuja história, aliás, apesar de pouco brilhante, sempre é menos indecente e mais honrosa do que a dos chulos que o tomaram de assalto e treparam por ele acima, logo que o viram pousar em Lisboa.
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1-1< 92-02-15> <garaudy-3> leituras do afonso
1448 caracteres <leituras> - notícias da clandestinidade
A LÓGICA (DESSE MODELO)
DE GUERRA
15/2/1992 - É particularmente elucidativa esta entrevista (1) de Roger Garaudy sobre as sobreviventes reminiscências reaccionárias que um discurso (aparentemente) progressista pode conter.
Ele preconiza, por exemplo, a transferência de verbas militares para a «modificação do clima» e a «fusão dos gelos polares», démarches megalómanas que estavam então em voga na propaganda da tecnologia estalinista.
Ele - Garaudy - desculpa os cientistas de trabalhar em invenções que depois são «aproveitadas» pelos militares: é comum, em pensadores (ditos) progressistas, esta responsabilização dos militares (classe mais façanhuda à primeira vista) para inocentar os cientistas, o recato do laboratório, a bata branca, quando a questão é outra, já era outra quando Roger Garaudy escreveu isso: a lógica da ciência subordinada à lógica de guerra que é a economia do desperdício, o modelo de crescimento e desenvolvimento, aliás, criticado por Garaudy em outras páginas suas.
Mesmo quando fala em paz, a lógica desse modelo é de guerra. Claudicando de novo, Garaudy considera bonzinho o Sakharov, esquecendo que foi ele o responsável da força nuclear soviética. Sakharov, aliás, foi incensado por muito boa gente. Humanamente talvez e em nome dos direitos humanos, mas é bom não esquecer que, enquanto cientista, lhe cabe 100% das culpas, e não só aos militares que lhe aproveitaram o génio investigador. Chega de perdoar aos verdadeiros autores do Holocausto, a pretexto de que há outros ainda piores do que eles.
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(1) Roger Garaudy, A Primavera de Garaudy, entrevista por Claude Glayman , Editorial Inova, Porto, 1970
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<garaudy-4-ls-ie>
DIÁLOGO
DE CIVILIZAÇÕES
UNIVERSIDADE PRECISA-SE(*)
Se a palavra Universidade tem a mesma raiz que a palavra universal...
[ 10-11-1979] - Se educar é acordar a humanidade do pesadelo chamado ignorância, teremos de concluir que o pesadelo se adensa em Portugal e que do analfabetismo estamos a recuar para as trevas da ignorância.
Se a opção ecológica é uma aposta nas prioridades a caminho do que mais importa para libertar as pessoas, tudo indica que em Portugal se caminha de novo para o reforço dos aparelhos totalitários que trituram as pessoas e a liberdade em nome do progresso, da ciência ou do desenvolvimento.
Se as tecnologias apropriadas, humanistas e democráticas são o futuro da humanidade, então estamos em Portugal a caminhar alegre e aceleradamente para um passado bem morto e enterrado.
Se a liberdade e a democracia ainda não são prioridades em Portugal, então é urgente uma escola aberta de tecnologias apropriadas: que para já pode, deve e tem de ser a televisão.
GARAUDY E SENGHOR
Rogar Garaudy esteve entre os fundadores da Universidade dos Mutantes, com sede na ilha de Gorée (Dacar) e que ali foi instalada, em 1979, graças aos esforços do poeta Leopold Sedar Senghor, presidente da República do Senegal.
Garaudy e Senghor sustentam ambos que «a cultura está no princípio e no fim do desenvolvimento, que os objectivos deste desenvolvimento só podem ser repensados por um diálogo das culturas e que o desenvolvimento deve estar ligado aos valores próprios de cada sociedade, a sua cultura e as suas estruturas».
Em declaração à France-Press (10-11-1979), Senghor explica:
«Criando a Universidade dos Mutantes, nós trabalhamos para construir a civilização do universal. Ensina-se aos estudantes os traços característicos de cada civilização diferente, ensina-se que, neste fim do século XX, nos dirigimos para a civilização do universal, que será a simbiose das virtudes complementares das civilizações diferentes.»
O estudante da Universidade dos Mutantes, como a maior parte dos altos responsáveis dos países do Terceiro Mundo, crê na supremacia da técnica ocidental, no modelo de crescimento industrial e crê que basta transpô-los, adaptando-os, para desenvolver um país mais pobre. A sua convicção é de que deve imitar o Ocidente.
Pôr em causa as certezas deste estudante e incitá-lo a participar na criação de um futuro inédito, são os principais objectivos da Universidade dos Mutantes.
UNIVERSITÁRIOS CALAM-SE
As ciências humanas já hoje admitidas no seio da instituição universitária encontram-se, desde o início, demissionárias.
Não precisando de levar às últimas consequências , as próprias premissas para se tornarem ciências incómodas, críticas e mesmo subversivas de um «establishment» económico e político no mínimo «desumano», elas calam-se, refugiam-se no silêncio.
Era lícito esperar de antropologistas, etnógrafos, sociólogos e psicólogos, atitudes de maior inconformismo e que por aí passasse, como passou pela Universidade de Vincennes em Maio de 1968, uma das barricadas para a verdadeira batalha do nosso tempo: salvar o homem de si próprio.
(Título de um livro de Gabriel Marcel: «Os Homens contra o Humano»...)
Não é, no entanto, o que se vê: os «especialistas» das ciências humanas fecham-se em copas, escudam-se numa pseudo-neutralidade, a que chamam «objectividade científica», enfim, demitem-se.
Resulta desta demissão que batalhas como a das medicinas humanas têm de ser travadas por autodidactas, jornalistas malucos como o autor destas crónicas, autodidactas e analfabetos que necessariamente não se encontram devidamente apetrechados e doutorados para travar com os catedráticos da morte a batalha ideológica, não tendo lábia nem palheta para com eles discutir frente às câmaras da televisão...
Se os universitários não ajudam, que será de nós?
Comodismo, no entanto, compreensível o dos digníssimos cultores das ciências humanas, que estudam afincadamente a forma de contestar o sistema para cientificamente a ele se conformarem.
FONTES DA SABEDORIA
Autores desde já respeitáveis e tidos na conta de sérios pela instituição universitária, há muito advogam, sem vergonha, na linha dos novos tempos que estão despontando desde Maio de 1968, uma pedagogia diferente baseada na sabedoria esotérica que brota de fontes hindus, chinesas ou tibetanas.
No quadro das ciências humanas admitidas pela própria instituição universitária, o menos que um doutor ocidental, que se jacte de culto ou minimamente informado, tem a fazer é calar-se perante aquilo que ignora ou o ultrapassa.
Não passa já pela cabeça de qualquer universidade do mundo civilizado ocidental classificar de primitiva, charlatã ou bárbara a mais antiga sabedoria das civilizações extremo-orientais.
Em Portugal, porém, e como se se tratasse alinda do rebanho de carneiros que ditadores baratos julgaram domesticar, o espectáculo está à televista: prega-se a lei dos três estados como se todos fôssemos borregos e como se este bocado rectangular de terra no «faroeste» da Europa fosse uma récua de animais irracionais.
É este constante, abusivo «fazer de nós parvos» que torna certas ordens e instituições um
caso hospitalar de urgência ou, em alternativa, um caso de polícia.
Em nome da civilização, da Europa, da ciência, da cultura, da decência, apela-se às autoridades hospitalares ou, em alternativa, policiais que tomem medidas cautelares contra os agitadores da ordem... pública que, montados nas antenas da chamada comunicação social, desenvolvem ingentes esforços para continuar vendendo a banha de cobra que, desde 1968 (Maio) já ninguém culto compra.
NÃO AOS GORILAS
A miséria de uma ciência exangue, esclerótica e definitivamente divorciada do real, quanto mais se autoafirma positiva ou experimental, consiste fundamentalmente na opaca ostentação dessa mesma miséria mental.
Tendo manipulado previamente os cérebros e condicionado, com reflexos pavlovianos, a chamada opinião pública, tendo adaptado e domesticado à dimensão da sua própria mesquinhez, as consciências estereotipadas, ela tripudia agora sobre a miséria mental que fabricou, afastando de si próprios e da sua libertação os homens que foi intoxicando com a podre ideologia tecnocrática, herdeira directa da lei dos três estados.
É o espectáculo degradante e abjeccionista de uma tecnocracia sem alma, gabando-se ao rebanho de sobre ele despoticamente governar.
Custe o que custar e dê lá por onde der, temos que dizer o não da liberdade aos gorilas e carrascos da abjecção.
ACADEMIAS RENDEM-SE
Sem falar dos iconoclastas que, individual e isoladamente, desafiaram a barbárie da ciência ocidental, com as ideias e teses da subversão criadora – surrealismo, dadaísmo, «hippies», movimentos neo-místicos, revolução cultural, Maio 68 - limitemo-nos a falar daquelas personalidades que academias e universidades não deixaram de aceitar, para catedráticos das suas aulas.
Se é em temos universitários que nos querem dar lições, situemo-nos no terreno do inimigo.
E encontraremos aí figuras que peroraram sobre ciências iniciáticas - ioga, alquimia, ramos ocultos e esotéricos - gente que pensa, publica livros, ensina, recebe honorários e criou nomes suficientemente prestigiados, admirados e respeitados em todos os continentes, por jovens de todas as gerações.
Na rápida vista de olhos, noto, por exemplo que Edgar Morin filosofou longamente sobre temas «primitivos» a que, por pudor, chamou «arcaicas», Lévy Strauss ergueu uma teoria chamada estruturalismo, Michel Foucault investigou exaustivamente o «outro», Roland Barthes não desdenharia fazer alta especulação com os signos chineses e os símbolos do vómito publicitário.
Enfim, os doutos catedráticos das academias europeias decidiram também meter o dente nas outras civilizações e foi um ver se te avias. Se o fizeram sob a ameaça da forca, é questão que não importa agora deslindar.
Se das universidades da Califórnia falamos, o próprio Edgar Morin foi lá estagiar e o que se lê no seu Journal de la Californie, desses novos alquimistas é de molde a meter a ciência ocidental num chinelo. A tecnocracia, coitada, saiu ganindo pela porta do quintal.
CAVERNÍCOLAS AINDA?
Já ninguém hoje, nem mesmo os tecnocratas, nem mesmo os organismos especializados das Nações Unidas, acredita na tecnocracia.
Mas em Portugal. acredita-se ainda na religião da ciência, oficia-se em plena TV a corre-se de charlatão todas os que não se ajoelham no altar de Augusto Comte.
Convencidos de que esmagam a nossa pobreza provinciana de autodidactas, os abencerragens do positivismo gritam, até ficar rocos, as pepineiras tecnocráticas mais cediças, julgando que nos deixam aturdidos de enlevo e admiração.
Mas não estamos aturdidos nem enlevados.
Imundície e promiscuidade - a que os tecnocratas chamam pudicamente poluição - é tudo o que este neopositivismo tem afinal para dar às novas gerações.
A alta tecnologia cirúrgica - e o seu apogeu, a transplantação - é apenas a comprovada demonstração da falência da terapêutica: corta-se e transplanta-se o que já não se consegue curar.
Quem tem, positivamente, que ser rigorosamente policiado e à luz dos direitos humanos, dado como indesejável no seio da comunidade humana e das democracias civilizadas, é o tecnocrata ensandecido que fez época, explorou, matou, vituperou mas cujo reinado chegou ao fim.
Cavernícola é que em Portugal ainda se dê guita a esta raça que a nova geração rejeita, onde quer que a nova geração aprendeu a pensar e a fazer alguma coisa mais do que ficar surda, de «rock» ou envenenada de coca.
Se há nomes que a tecnologia judaico-cristã ainda não digeriu – como é o caso de Ivan Illich, Michel Bosquet, Theodore Roszak, Ala Watts ou do enigmático Gurdjieff - outros há que já leccionam livremente nas respeitáveis universidades que condicionam as novas gerações à boa vida do sistema.
Os nomes de Herbert Marcuse, Adorno, Thimoty Leary, Norman Brown, Kenneth E. Boulding, Erich From, Ronald Laing, René Dubos, Barbara Ward, Barry Commoner não me parece que possam rotular-se de primitivos ou charlatães.
Por outros motivos e bastante óbvios, a tecnocracia judaico-cristã expulsou Wilhelm Reich condenando-o à miséria e prendendo-o num hospício psiquiátrico, mas esse era culpado de ser pobre e não ter, com a teoria do Orgone, conseguido fazer fortuna.
Se há figuras que não franquearam, por oficio, os umbrais da instituição escolar, é porque tiveram forças para criar eles próprios a sua escola, são os casos de Lanza del Vasto, Rudolf Steiner, Khrisnamurti, Michio Kushi.
Sabemos ainda e por exemplo que a Universidade Mundial Brahama Kumaris, consagrada a difundir o Raja Ioga, tem o alto patrocínio das Nações Unidas e talvez ninguém, mesmo em Portugal, se atrevesse a considerar «charlatão» aquele areópago internacional...
DE IGUAL PARA IGUAL
Inclusive tecnocratas arrependidos, como Roger Garaudy, Jean Paul Sartre, F. Schumacher, Amory Lovins, Serge Moscovici, René Dumont, René Dubos, Joel de Rosnay, Konrad Lorenz ou Roberto Vacca, arriscar-se-iam a merecer o rótulo de charlatães se tivessem de submeter-se a exame com um júri constituído por vários doutores Castanhinha.
Há nomes que são hoje referências universais inalteráveis para qualquer pessoa que se diga culta. Lanza del Vasto, Khrisnamurti, Michio Kushi, discutem com universitários sempre que calha, e a nenhum caíram os parentes na lama. Se não derrubaram (ainda) a tecnocracia, também não se renderam a ela. Falam de igual para igual.
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(*) Este texto de Afonso Cautela foi publicado na «Crónica do Planeta Terra», «A Capital» e não me arrependo de nada, antes pelo contrário. Com a data de publicação por identificar, registo-o com a data do telex a que se refere e que vai em anexo. É, além do mais, um texto placa giratória dos nomes que mais influiram a ideia ecológica no seu sentido mais lato. Indispensável ligar esta listagem de «obscurantistas» à do file <germano> onde, em resposta ao bastonário Germano, enunciei uns dez obscurantistas dos mais directamente ligados à ecologia da medicina. Mas muitos outros devem completar essa listagem (definitiva) de «obscuratistas», a qual devidamente humedecida em mijo poderei, um destes natais, atirar à cara do dito Germano dito de Sousa. ■