1-1 < 91-07-04-ls> leituras do ac - segunda-feira, 31 de Março de 2003-novo word - <bessa>
4-7-1991
«História de paixão que tem como adversária a mediocridade», o romance «Madame Bovary», de Gustavo Flaubert, motivou o interesse de Agustina Bessa Luís, ao ponto de sobre ele escrever um outro romance, este «Vale Abraão» que a Guimarães acaba de editar. A recriação de Ema Bovary, destinada a servir de guião para um filme de Manuel de Oliveira, levou-a a descobrir a natureza flaubertiana que concebeu Ema e a tomou como seu espelho. O realizador francês Claude Chabrol, que também anda às voltas com a personagem, dela disse: « O ser humano é estúpido. O que salva Ema é que ela se bate.» Agustina acha que «Ema usou de carta branca para atravessar a vida» e pergunta: «É um crime? Uma loucura? Um ritual de tristeza?» concluindo com um dos seus famosos aforismos: «É acima de tudo um sentido atávico que as mulheres cultivam e que está longe de servir a concupiscência. É o sentido de pertencer a um mundo melhor e para ele avançar mesmo à custa dos mais cruéis mal-entendidos.»♠