1-1 < 92-01-29-ls> leituras do afonso - segunda-feira, 31 de Março de 2003-novo word - 1280 caracteres <belo> <livros> <beja>

29-1-1992

Professor de Filosofia da Linguagem na Faculdade de Letras de Lisboa, Fernando Belo mostra, com este seu livro de ensaios, que se pode falar de semiótica e semântica sem deixar os leitores a dormir.

Quase nos atrevemos a pensar que uma nova geração está a propor formas de estudo linguístico menos académicas e mais interessantes do que aquela, ainda hoje gorda e anafada, que tão tristes sequelas deixou nos «media» mais ou menos dominados pelos vários academismos da modernidade.

Estes «ensaios de filosofia e pragmática», conforme Fernando Belo os classifica, parecem apontar para a soberania do quotidiano, dissolvendo na vida real do real concreto o que possa haver de insuportável abstracção teórica nas chamadas ciências humanas em geral e da linguística em particular, a que alguns já chamaram «ciências desumanas».

Será que a erudição não liquidou a «ternura» de que a páginas tantas fala Deleuze, a propósito de Foucault, ambos citados por Fernando Belo?

Nem que fosse apenas para o confirmar ou desmentir, este livro ficaria desde já na fila das nossas prioridades de leitura atenta, para ver se as tais ciências, incluindo a linguística, são mesmo humanas. Ou nem sequer de nome.