[ 1036 caracteres - <althuss1 > <emcurso>  <livros>]- [diário rigorosamente proibido - as letras vigiadas]

LEITURAS EM OBLÍQUO

[ miguel: só para teu conhecimento, este apontamento estritamente ultra-confidencial, obviamente impublicável; o que não retira pertinência à questão levantada, antes pelo contrário, acho que é mesmo a questão-chave da conjuntura de confusão em que caímos no pós-estalinismo do nosso descontentamento...]

3/12/1990 - Os livros de Louis Althusser traduzidos em português voltaram, com a sua morte em 23 de Outubro de 1990, a sair das prateleiras onde dormiam há vários anos, para recordar o que foi a influência tenebrosa desse «cientista» na modulação do chamado comunismo científico.

O quadro maníaco-depressivo do célebre filósofo parece bem necessário, no entanto, para mostrar uma destrinça que é fundamental e não foi feita: não foi o comunismo que morreu, com a derrocada de Leste, mas a pretensão de tornar científica a política, a economia, a biologia, a medicina e outras chamadas ciências humanas.

Louis Althusser continua a ser útil como ponto de referência nesta escolha. É mais cómodo dizer hoje que o comunismo morreu, deitando fora o bébé com a água do banho, do que proclamar que quem morreu foi a ciência abusivamente aplicada ao campo humano e social.

Olho no Althusser, pois desmontá-lo é desmontar a burla mais vigorosa na sociedade industrial e na mentalidade ocidental.

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