1-1 < 91-03-30-ie> ideia ecológica - quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2003- novo word - quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2003

AFINAL

QUEM É UTOPISTA?

30-3-1991

O tecnocrata chama realismo aos seus delírios de grandeza e à cegueira dos seus planos megalómanos, classificando de utopia tudo o que procura furtar-se a essa megalomania, optando por soluções de bom senso que são todas as tecnologias leves, alternativas e apropriadas.

O tecnocrata  recomenda então «bom senso» quanto à política energética, afirmando que não podemos ser muito puritanos quanto à qualidade de ambiente e qualidade de vida, se é a riqueza do país (a riqueza das classes exploradoras, leia-se e subentenda-se) que está em jogo.

«Cuidado, não vamos cair em exageros ambientalistas» - diz cinicamente o cínico profissional que é o  tecnocrata. «Entre ficarmos com um ambiente bom e andarmos de tanga, há que escolher» faz ele questão de acentuar.

Especialista na chantagem, no dilema sofístico, eis que o tecnocrata não hesita em jogar a cartada. E faz a chantagem em que é perito: a acreditar no tecnocrata, o povo consumidor de energia só terá então que escolher entre um cancro por pessoa e um nível de vida e de emprego razoável, aquele que o tecnocrata se dignará dizer que nos dá, a troco da porcaria generalizada, da poluição generalizada, da doença generalizada.

Mas basta olhar a curva de crescimento exponencial, tão querida do tecnocrata, para termos a imagem mais evidente da megalomania utopista.

Quando um tecnocrata, com o maior dos desplantes, classifica de utopista, irrealista, sonhador, romântico, etc. o defensor das tecnologias apropriadas e da imediata abertura de um sector ecoalternativa no sistema -- um sector convivial --, é necessário acentuar quem caminha afinal para dimensões megalómanas e alvos utópicos, quem preconiza curvas infinitas de crescimento infinito (que são fisica e logicamente impossíveis), quem julga poder continuar violentando as leis da natureza que a ciência estabeleceu, quem à viva força quer imitar os fortes, os grandes, os poderosos, os industrializados, os desenvolvidos e os exploradores.§