1-1 <81-11-29-dm> = diário do militante frustrado – publicado no diário de notícias? – tese 5 estrelas – leis do marketing – parece-me que já foi teclado na série <trabalho->
QUANTO CUSTA (EM VIDAS HUMANAS )
O PROGRESSO ?
29/11/1981 - É puro folclore tudo o que se disser sobre energia sem colocar, na base, o problema dos custos qualitativos que o crescimento expansionista do imperialismo industrial arrasta.
Sem denunciar as actividades industriais intrinsecamente energívoras, é evidente que se está escamoteando da contabilidade económica factores decisivos.
Sem apontar (contar, quantificar) o que determinadas indústrias gastam em água, alimentos, solos agrícolas, qualidade do ar, energia humana e saúde do trabalhador, em segurança das populações e higiene pública, é evidente que todos os cálculos custos/vantagens estão viciados de origem.
"Quanto custa em dinheiro" perguntava-se ontem, para saber se determinado objecto, encargo, projecto ou viagem era "económico".
"Quanto custa em energia?" - é hoje a primeira e decisiva pergunta a fazer para qualquer um saber se isto ou aquilo será "económico"
A economia que preside hoje a todas as economias é a de Energia, em sentido lato.
Quanto custa em recursos vivos e naturais será, de uma maneira geral, a pergunta a fazer por uma nova ordem económica, à medida que a necessidade de sobrevivência ecológica impuser uma moral económica baseada nos custos qualitativos (quer dizer ecológicos) dos empreendimentos, indústrias e actividades que até agora só têm contabilizado factores materiais e quantitativos.
CRONÓFAGOS E ENERGÍVOROS
Um factor sempre escamoteado pelos economistas clássicos do Desperdício e da Exploração, é o tempo ocupado e o tempo "livre" dos trabalhadores.
Nunca se cita o tempo que lhes é roubado em bichas, transportes, deslocações, burocracias, etc.
"Matar o tempo" é uma expresso sociologicamente significativa.
Tudo este organizado para matar cientificamente o tempo e, com isso, matar moral ou psiquicamente o trabalhador.
Mas nunca entra na contabilidade dos economistas - sejam eles de Direita, sejam eles de Esquerda - o tempo que, afinal, não sendo de trabalho é igualmente devorado pelo sistema.
Os Cronófagos, tal como os Energívoros, merecem figurar nos futuros ensaios e tratados de Economia.
Nesta perspectiva se inclui o Peão e os custos qualitativos que este é obrigado a pagar, por exemplo, para que os automóveis circulem à vontade na cidade e estacionem onde lhes apetece, enfim, para que o progresso (automóvel na emergência) continue matando, mas cientificamente, planeadamente, urbanisticamente.
Matando mas, principalmente, estropiando pessoas humanas, visto que já se desenha aí, no horizonte, uma nova classe social, um novo mercado, um novo sector de consumidores que irão accionar várias indústrias.
Estropiando muita gente e incrementando, portanto, os chamados deficientes físicos, muitas são as indústrias que saboreiem já as imensas vantagens abertas por novos consumos e novas necessidades desses deficientes.
Se a Medicina, por exemplo, abre insuspeitados horizontes ao mercado oftalmológico e ao mercado renal, fabricando com os medicamentos que receita, contingentes cada vez mais numerosos de doentes oftálmicos e renais, não será no sector dos deficientes físicos e traumáticos que estas leis inexoráveis do Mercado se irão alterar.
Sempre que surge uma nova necessidade e um novo consumidor, são algumas indústrias que prosperam.☼