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PREVENÇÃO DA TOXICODEPENDÊNCIA

EM BALANÇO

AUTO-ORGANIZAÇÃO GARANTE SUCESSO

20-11-1990

«É tempo dos responsáveis políticos compreenderem que não faz qualquer sentido fazer seja o que for "para os jovens", mas que o caminho sério é criar condições para que os projectos juvenis, que são muitos e criativos, possam ter condições de realização». Foi com estas palavras de incentivo à «facilitação da auto-organização dos jovens» que Jorge Sampaio inaugurou, esta manhã, num hotel da capital, o 1º Encontro de Avaliação de Projectos de Prevenção de Toxicodependência.

Subordinada ao tema «Poder Local e Prevenção da Toxicodependência», a intervenção de Jorge Sampaio na abertura dos trabalhos do colóquio começou com um breve historial daquilo que foi feito a nível camarário e de juntas de freguesia ao longo dos oito meses de execução do Plano Municipal de Prevenção da Toxicodependência. Oportunidade para divulgar as acções de formação no interior da própria Câmara, os métodos de escolha das freguesias e dos protagonistas para esta fase inicial do projecto, mas também para delinear estratégias e justificar opções.

«Ter equipas preventivas que visam criar planos para os jovens, sem que estes sejam envolvidos seria inadequado», defendeu Sampaio para salientar a importância da auto-organização dos jovens no «reforço da sua auto-estima, tão necessária nesta fase do ciclo vital».

Ilustrativo desta ideia é o próprio slogan que serve de mensagem e emblema ao plano de prevenção da toxicodependência. «Contigo vais longe» é a frase que os responsáveis poe este projecto pretendem ver espalhada pela cidade «numa corrente afectiva, cujos elos serão as actividades culturais e desportivas inseridas nos programas preventivos».

TRANSPARÊNCIA

Noutro passo do seu discurso, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa chamou a atenção para a colaboração com as estruturas nacionais de prevenção e tratamento da toxicodependência, tendo-se disponibilizado para o debate necessário em torno das estratégias preventivas, nem sempre de fácil acordo. A este propósito, alertou: «Quero deixar bem claro que o poder local tem uma responsabilidade perante a comunidade que não se compadece com o avalizar de iniciativas aparentemente com ligação às autarquias, mas que mais não são do seu tentativas pouco sérias de manipulação política dos cidadãos e dos técnicos que estão preocupados com os comportamentos desviantes das sociedades modernas».

Em relação ao financiamento de acções preventivas, o edil defendeu a «canalização de verbas para acções preventivas de forma a que a prevenção da toxicomania não se torne uma acção social pouco transparente».

DO TEATRO AO DESPORTO

Anunciado em Abril passado, o Plano Municipal de Prevenção da Toxicodependência envolve, até ao momento, 19 freguesias e cerca de 60 trabalhadores da Câmara Municipal de Lisboa, 16 dos quais foram seleccionados para frequentar um curso para Mediadores Municipais de Prevenção.

As acções a decorrer a nível das juntas de freguesias (13 numa primeira fase) abrangem jovens, família e professores e integram iniciativas várias, do teatro ao desporto, passando pelas artes plásticas e a informática.

Veja-se, por exemplo, o caso da Freguesia do Alto do Pina, onde foi dado, no âmbito do referido projecto, destaque ao teatro histórico infantil ou da Freguesia do Lumiar, que promove neste momento um programa sobre a atitude purificadora do ser humano.