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OS LABORATÓRIOS DE EH

OS PRESERVATIVOS DA CIVILIZAÇÃO

17/Setembro/1993 - Por mais termos de comparação que procurem, os técnicos e analistas de «segurança» não conseguem ver ultrapassada a catástrofe nuclear que, em beleza e grandiosidade, reúne todas as vantagens, inclusive económicas e morais, para uma boa catástrofe, o melhor até hoje fabricado. Nem Dioxina (Seveso, Estarreja), nem Cloreto de Vinilo, nem Cloro-só-Cloro, nem Cianeto de Vinilo (Fisipe, Barreiro), nem marés negras de nafta (Torrey Canion, Tanio, Amoco Cadiz), nem explosão de plataforma petrolífera (Ixtoc Um), nem propileno (Los Alfaques), nada pode aspirar a ser melhor do que um bom acidente nuclear, devidamente preparado com um bom e moderno e eficaz e europeu dispositivo de segurança. À mesma inevitável conclusão terá chegado a CE, quando resolveu legislar sobre o «acidente máximo». Com efeito, em Maio de 1980, Claude Pleineveau dava-nos essa novidade durante um colóquio na FIL 80 promovido pelas Associação Industrial Portuguesa. Em 1982 esteve exposto o modelo familiar de abrigo anti-atómico que, servindo também para as férias de Verão e garantindo autarcia energética-alimentar, se inscreve, com a máscara anti-gás, o supositório, a vacina, o sheltox, o ezalo e outros grandes adventos do progresso preventivo (os preservativos da civilização) na estratégia defensiva chamada protecção civil.

CPT, in 1984