1-2 < 68-05-20-di> sexta-feira, 24 de Janeiro de 2003-novo word - 3670 caracteres - <int-1968><diario>

ESTRUTURA Nº 1 DA ABJECÇÃO:

VENCIDOS E VENCEDORES

Lisboa, 20/5/1968  

[ repes. 20/2/1992 - embora com algumas intuições interessantes, este texto terá que continuar aberto a modulações e actualizações, pela responsabilidade contida em certas afirmações que precisam de background histórico e factual confirmativos: mas, por isso mesmo, dá uma grelha interessante - eventualmente a ficcionar, exactamente devido às suas inexactidões e irregularidades, postas na boca de um personagem e não na minha... para novos teclamentos]

20 séculos de comércio e pirataria, racismo e chantagem, usura, competição, violência, não deixaram imune nenhum sector da actividade humana. Por toda a parte, a «pessoa humana e sua eminente dignidade», proclamada pelos sermões dos sacerdotes que sancionaram, na sombra, indirecta e implicitamente, a violência, foi de facto corrompida pela moral da violência e da cupidez , do lucro e da vingança. Nada escapou e nem [ ???? ] as obras de arte, as superestruturas mais delicadas [ ???] , se encontram, em princípio, [ a salvo] isentas da lepra competitiva [ há aqui uma ideologia do axiologismo, do puritanismo, da hierarquia, implícita e um tanto repugnante, pois faz a distinção das «grandes obras» e sua esperada «pureza»].

[[ A arte encontra-se, às vezes, sem querer e sem o saber, ao serviço destes propósitos e poucos foram os artistas que, por um esforço próprio, se aperceberam da sua servidão e a superaram. Esses constituem as excepções que interessa descobrir. Independentemente do talento que puseram na construção da obra, interessa saber em que medida venceram as contradições impostas pela ]] sociedade da violência, do lucro, da compra e venda, a sociedade mercantilista e esclavagista que tudo, absolutamente tudo reduziu ou procurou reduzir aos termos da sua dilemática: vencedor (o bom) e vencido (o mau).

A didáctica das sabatinas, que os jesuítas aperfeiçoaram, vigora hoje em todos os degraus do edifício hierárquico e constitui a sua quintessência metafísica. Não há organismo ou estabelecimento que não assente na promoção competitiva , no jogo de lucros e de interesses, no exame de apuramento [a sua gestão]. E não há nenhum cidadão que possa escapar de lá entrar. A moral judaica do vencido e do vencedor [ tão ligada ao darwinismo e à psicose da vingança] encontrou na «luta pela vida» do darwinismo um princípio filosófico que logo se apressou a assimilar [ como pilar da sua influência ].

E é curioso como a propaganda semita consegue convencer-nos de que o nazismo foi inspirar-se em Darwin e depois em Nietszche para fundamentar a moral do mais forte, quando essa moral era praticada desde que Jeová pronunciou o primeiro trovão de vingança e os primeiros comerciantes, ao som das trombetas bíblicas (Velho Testamento), assaltaram as populações costeiras. É curioso como os documentários sobre o racismo apresentam os judeus perseguidos mas não mostram como os judeus foram os primeiros a estabelecer o princípio da competição e do lucro (logo de vingança) nas relações humanas. Talvez porque os autores e editores de livros sobre o racismo são judeus vencedores (bons) que podem, portanto, fazer a moral da cor que lhes apetece e proclamar os vencidos irremediavelmente maus. Quando um romance ou documentário histórico faz a defesa e apologia dos judeus, assistimos à demagogia mais requintada e à mais refinada hipocrisia. Aliás, mestres da duplicidade, os criadores do comércio tinham de ser também os criadores da hipocrisia e portanto da demagogia. Embora os inimigos viessem posteriormente a aprender a lição e bem.