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O SOFISMA DA FOME

7/11/1974 - Diz-se que o maltusianismo é um subproduto da ideologia burguesa e capitalista.

Mas todo o discurso oficial da FAO é burguês e capitalista, porque supermaltusiano, sem que, nas conferências internacionais sobre fome e demografia os países que se dizem socialistas tenham a preocupação de se demarcar dessa ideologia burguesa e capitalista que é o maltusianismo galopante.

Apenas em 1974 a então República Popular da China teve a cortagem de pôr o problema nos termos em que, numa perspectiva socialista, ele deve e tem de ser posto. E que é o antípoda das teses maltusianas.

Continua vigente o diagnóstico da fome mundial realizado em 1974 pela então República Popular da China, que denunciou as causas autênticas do flagelo.

Embora posteriormente a estratégia deste país e a sua função alternativa na correlação de forças mundiais se tivesse alterado, continua a ser a linha correcta sobre o problema demográfico o que então foi dito, na conferência da FAO, pela delegação daquele país.

Em 7 de Novembro de 1974, com efeito, na conferência da FAO em Roma, a China patrocinou uma investida de grande envergadura lançada por países em vias de desenvolvimento contra as políticas económicas das principais potências mundiais de comércio.

O chefe da delegação chinesa Hao Chung-Shih disse aos 2000 delegados e observadores que a actual crise alimentar não é resultante de «factores naturais mas sim de exploração , espoliação, seque e controle por parte do colonialismo, do imperialismo e das superpotências.

Em resultado dessa pilhagem sistemática, os países em vias de desenvolvimento nunca foram capazes de fazer evoluir as suas economias, permanecendo comercialmente retrógrados e pobres.

A acrescentar a toda essa miséria, os países ricos têm transformado os seus cereais em «meios de especulação e lucro ou de interferência e controle sobre outros países.»

O delegado chinês exprimiu profunda simpatia pelos países da África e Ásia, onde mais de 500 milhões de pessoas sofrem de desnutrição ou enfrentam a morte pela fome.

OS AGRÓNOMOS DA FAO: EFÉMERA LUCIDEZ EM 1972

O discurso oficial da FAO sobre fome e demografia, que habitualmente oculta a causa (ecológica) da fome endémica, permite-se de vez em quando não faltar à verdade e reconhece então que há problemas de fundo ecológico dos quais depende afinal a tão proclamada produtividade.

Em princípio da década de 70, um relatório da FAO reconhecia alguns desses factores:

«A aceleração da erosão provocada pela erosão das florestas e das terras marginais, estragos causados pelos adubos químicos e pelos resíduos químicos, alterações do clima e do ciclo hidrológico, extensão progressiva das zonas industriais e urbanas pelos campos : tais são alguns dos problemas citados no relatório.

Todavia, diz o relatório, se a compararmos com outras actividades humanas, uma agricultura racional pode, geralmente, desempenhar um papel positivo na conservação e protecção dos recursos naturais, e contribuir também para estabelecer um melhor equilíbrio no meio ambiente e a reciclagem dos resíduos.

Este documento de 35 páginas foi preparado pela FAO , com a colaboração de R.J. Penn, professor de economia agrícola da Universidade de Wisconsin dos Estados Unidos, assim como da Organização Mundial de Meteorologia, da UNESCO, da Organização Mundial de Saúde, da Agência Atómica Internacional e da União Internacional para a Protecção da Natureza e dos Recursos Naturais. Foi submetido à secretaria da Conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente e, com outros pontos de vista expostos pelos governos e pelas associações privadas, foi incluído num relatório geral sobre o assunto examinado na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente que se realizou em 1972. (Ver Nº 1 da colecção Dossiê Zero, Ed. Arcádia ). ™