2786 caracteres - <eu-res><diário69>
Lisboa, 12/11/1969
ATRIBULAÇÕES DE UM CIDADÃO
NO MEIO DOS GULAGS
[ repesc 20/2/1992:
Em 12 de Novembro de 1969, a União dos Escritores Soviéticos anuncia que expulsara Alexandre Soljenitsyne, durante uma reunião realizada na cidade de Ryazan, ao sul de Moscovo, onde o escritor reside. Ao defender os seus pontos de vista, na reunião de Ryazan, Soljenitsyne afirma: «Sim, estou pronto a morrer e não apenas a ser expulso da União dos Escritores. Votai. Estais em maioria, mas não deveis esquecer que a história da literatura vai interessar-se pela reunião de hoje.» O caso de Soljenitsyne foi levantado por um escritor de nome Matushkin, que o acusou de ter traçado um quadro negro da sociedade soviética, declarando: «Ele não tem tomado parte no nosso trabalho, não tem ajudado os jovens escritores, não tem assistido às nossa reuniões e afastou-se de nós. Na verdade, não conhecemos os seus últimos trabalhos, porque não os lemos. Mas são contrários a tudo aquilo que nós temos ecscrito. O Ocidente está a utilizar o seu nome para lançar lama sobre a nossa pátria, que é sagrada para nós.»
OUTRO TEXTO + OU - DA MESMA DATA
PARA A HISTÓRIA DA MEDIOCRACIA EM PORTUGAL - Em contacto com jovens escritores sistematicamente recusados, de vários ouvi dizer que, tendo confiado os originais a editores (que são escritores) estes os teriam extraviado sem sequer darem disso conta e satisfação. A regularidade com que tal acontece, faz pensar na intencionalidade. Eis, portanto, mais um processo de bombardear o surto de um novo escritor. Sabemos que o instalado-consagrado faz tudo para suprimir os escritores novos. Nada admira que se sirva da sua posição de editor (quando também o é) para desmoralizar e desesperar os escritores novos, perdendo originais. O caso é de registar e mandar para a história da Plutocracia em Portugal. Portanto e acima de tudo, o conselho para o escritor com livros inéditos, é não os confiar a editores que sejam escritores ou, se tal acontecer, deve munir-se de umas tantas cópias, ou memorizar o texto. Sabemos de um poeta (Mário Gonçalves) que foi obrigado a reproduzir de memória o original que um camarada se encarregou de extraviar... Felizmente que tinha boa memória, pois trata-se de um belo livro de poesia. Sei de outro que na própria tipografia para onde o mandara, foi vítima de sabotagem, pois actuavam nele gaviões de grande porte que, ao conhecerem a existência do original, tudo fizeram para o sumir. E há quem saiba de outros, de muitos outros. Ficará para a história dos Colonizados em Portugal.