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11-1-1992

AS TRÊS LUTAS DE CLASSE: QUAL DELAS A MAIS PRIORITÁRIA?

[intuições de ac vagamente apoiadas pelos textos ecologistas da época]

# «Imperialismo industrial»: nomenclatura exclusiva de AC

# Silêncios da ideologia estalinista

# Para um conceito lato de «descolonização»

# Como o ecorealismo vê as contradições do imperialismo industrial

Colocando a tónica em duas contradições -- a luta de gerações e a luta do imperialismo industrial contra as regiões e as pessoas - o realismo ecológico não se esgota no confronto imediato contra a situação de crise presente.

Não ignora, de imediato, a luta de classes mas associa a essa luta, como se fossem igualmente prementes, as duas que acima se enunciam, reafirmando que todas têm idêntica importância.

Mais importante, num projecto alternativo global, do que o imundo panorama do imundo mundo actual, é tudo aquilo que está a ser chocado no ovo mas que atingirá mortalmente e em força as gerações seguintes [talvez por isso, nada me terá magoado mais, em todos estes anos que andei a «ladrar no deserto», do que a indiferença, a troça, a hostilidade desses jovens, guiados pelo guia espiritual que, sem ele próprio saber, mais frontalmente se me opôs, o ideólogo Miguel Esteves Cardoso ... e os livros que se venderam -- até nos hipermercados -- são os dele]

A luta de classes, portanto, terá de ser perspectivada por esta outra -- a luta de gerações -- e ceder-lhe tacticamente a prioridade. Isto quanto ao futuro.

Quanto ao passado e por mais importante que seja a dialéctica ou luta de classes, mostra a história dos últimos duzentos anos que uma outra luta(mais latente do que expressa) se lhe sobrepõe, nacional e internacionalmente: o imperialismo industrial, com efeito -- assunto omisso dos ideólogos de esquerda, direita e centro ecologista -- a partir de certo momento, tornou-se comum ao capitalismo e ao anticapitalismo, na mesma frente unidos os dois, contra a autonomia, a vida, a personalidade e os ecossistemas de uma região.

O nivelamento imperialista é, nesta perspectiva, o inimigo comum a todos os povos e regiões do Mundo -- e é na sua luta pela descolonização e emancipação que se funda a solidariedade de uma Internacional Ecologista Alternativa (IEA). Ir à causa ou raiz da chamada «crise» implica, por isso, quer quanto ao passado quer quanto ao futuro, uma atitude radicalmente diferente da estratégia usada pelas forças partidárias. Perante os sintomas da crise, um projecto alternativo global, como o que o realismo ecologista preconiza, não advoga uma política de taco-a-taco contra esses sintomas, (tal como faz a esquerda dogmática e uma alegada «luta de classes») mas a sua ultrapassagem dialéctica que, por sua vez, exige um recuo táctico, no tempo, de forma a refazer as condições que existiam no momento em que a crise actual foi desencadeada.

Todos os livros, quer de esquerda, quer de direita, falam de uma «Revolução Industrial», expressão caricata mas sempre com caixa alta. O que o realismo ecologista pergunta é se não haverá contradição insolúvel nesses dois termos ligados e se não teria começado com a Industrialização pesada, poluente, anti-humana, capitalista selvagem, enfim, com o que chamei de «imperialismo industrial» a era absoluta da Reacção.