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< 91-02-15> ecoenerg <manifest>PARA JÁ,
O SISTEMA PRECISA DA CRISE
15-2-1991
A médio e longo prazo, como provou o sr. Amory Livins, num esforço que o capitalismo internacional ainda não lhe pagou suficientemente, as tecnologias intermédias e as ecoenergias alternativas são a única forma de o sistema capitalista sobreviver. Também do lado marxista-leninista, como provou Wolfgang Harich, o sistema socialista terá de se reconverter às tecnologias leves se, a prazo, quiser manter-se.
Mas, para já, o sistema industrial de exploração e manipulação do homem pelo homem, precisa da crise, da escassez, da bancarrota e mesmo da ameaça de guerra nuclear para se impor, politicamente, aos povos.
A dominação precisa da crise, de todas as crises, incluindo bélicas, petrolíferas, energéticas, económicas, para prorrogar a sua sobrevivência. Em 1973, o relatório de Sicco Mansholt sobre o crescimento zero foi compreendido e adoptado por alguns, como ponto de referência radicalizador de sintomas, enquanto se tornava esquecido da maioria. Enquanto os mais atentos e prudentes faziam tudo para o silenciar, ameaça que era aos princípios e alicerces em que assenta a actual ordem económica do desperdício, a que alguns chamam deesordem, outros cáos e outros deseconomia ou economia antieconómica.
E porque representava o relatório de Mansholt sobre crescimento zero uma ameaça? É que ainda havia muitas indústrias perigosas a implantar no Terceiro Mundo, muitas agromonoculturas industriais, muita destruição com o nome de desenvolvimento acelerado, muito crescimento desordenado com o nome de progresso, ainda havia que montar muitas petroquímicas em Sines, ainda havia que mandar muitas tropas, oleodutos e poluições para os países da periferia com o nome de ajuda ao desenvolvimento.
A estratégia do crescimento zero, defendida por Sicco Mansholt, é uma utopia evidentemente perigosa, porque nenhum sistema monolítico e muito menos este, baseado no crescimento exponencial e logarítmico, pode desmantelar-se de uma hora para outra ou parar imediatamente.
Por isso essa tese do crescimento zero foi largamente aproveitada pelos inimigos do realismo ecológico, que exploraram bem a vertente utópica da proposta. Mas mesmo utópica ela fez tremer os próceres do imperialismo industrial, não fosse o crescimento zero, sob a forma de desenvolvimento moderado, subverter o sistema, antes que este pudesse replanificar a pilhagem do Terceiro Mundo enquanto diz que o está desenvolvendo.☼☼☼