1-1 <91-11-21-aa> artes alternativas - quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2003- novo word - 1678 caracteres

COOPERATIVISMO

COMBATE DESEMPREGO

[21-1-1-1991]

A política de incentivo às cooperativas é também uma política de combate ao desemprego.

O facto de já quase não se saber se o movimento cooperativista ainda existe em Portugal, de tal maneira se silenciaram as poucas actividades que ainda existem, diz muito sobre outro dos muitos silêncios e silenciamentos que comprometem a nossa democracia.

Que o movimento cooperativo tinha muitos motivos para falhar, é evidente - especialmente porque, também para fazer e gerir cooperativas, era preciso aprender e pouco se ensinou. Quem silenciou e continua silenciando uma «tecnologia apropriada» como esta, deve assumir as culpas que lhe cabem na apagada e vil tristeza em que tudo caiu nesta terra.

Uma organização católica, ligada à Juventude Operária Católica, divulgou um pequeno texto de «alternativas ao desemprego», que convém arrancar ao esquecimento. Utópico, talvez, como alerta isolado e solitário, mas a verdade é que nunca foram apresentadas, por ninguém, alternativas ao desemprego e estas linhas têm ao menos o mérito de o ligar às cooperativas :

«Uma das formas mais perfeitas de resolver o problema do desemprego seria tomar nas mãos os meios de produção, cooperando os desempregados entre si, formando cooperativas. Resolveria esse problema como também o da realização pessoal. Tornar-se-ia o meio de satisfazer as necessidades da sociedade, tanto no que é mais necessário como no produzir melhor qualidade.

«Isto sem dúvida é difícil, pois exige opção. Por isso este modelo de alternativa não avança muito e vê-se muitos desempregados procurarem integrar-se no sector da comercialização (intermediários) cada vez mais como vendedores ambulantes.»