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AVANÇO DA SIDA AMEAÇA
SEGURANÇA DOS PAÍSES
12-2-1990
A sida não se resume a uma epidemia, representando uma verdadeira ameaça para a segurança nacional, segundo um grupo de estudos estratégicos e geopolíticos de Washington, que abordou o flagelo sob o ângulo inédito das suas implicações económicas e militares. Ao publicar o seu relatório «Sida-HIV: uma estratégia para a liderança americana», o Centro de Estudos Estratégicos Internacionais (CSIS) previne que até ao ano 2000 vão estar infectados entre 30 a 40 milhões de homens e mulheres.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, actualmente, existem milhões de indivíduos com sida. No entanto, outros 16 milhões irão contrair o vírus, entre os quais 10 milhões dizem respeito a África. Na Ásia, onde a propagação é mais rápida, o número de casos aumentou de forma assustadora, passando de 30 mil no ano passado, para 250 mil.
«A sida deve ser considerada como um problema de estabilidade global. Pelos consequências na saúde, nos recursos humanos e no bem-estar das sociedades, a sida tornou-se uma ameaça significativa para o desenvolvimento político e económico», segundo refere o estudo do CSIS.
No prefácio ao relatório, o sub-secretário de Estado americano dos Negócios Estrangeiros, Timothy Wirth, salienta que «relativamente aos assuntos militares, a sida pode prejudicar os "stocks" de sangue, enfraquecendo os serviços médicos das Forças Armadas já sobrecarregadas, pondo em causa as actividades militares conjuntas. Neste momento, em numerosos países a taxa de infecção do vírus é alarmante entre as forças armadas».
SIDA AMEAÇA MERCADOS
Em termos económicos, o CSIS constatou que alguns dos potenciais mercados para os Estados Unidos estão ameaçados pela sida, como é o caso da Índia, onde a «progressão é enlouquecedora». Na opinião daquele responsável, as regiões mais atingidas pela epidemia vão sofrer um decréscimo do seu produto interno bruto em cinco por cento.
Toda a protecção contra a pandemia passa em primeiro lugar, pelo fim da discriminação. «Na sua fase inicial, em vários países, a doença foi associada às prostitutas, aos homossexuais, bissexuais e toxicodependentes devido à utilização de seringas e outras minorias étnicas e raciais, é claro, os cidadãos mais marginalizados», referem os autores do relatório.
«A ausência de uma estratégia política e de meios consagrados à suas necessidades impediram muitas vezes a realização de diagnósticos precoces. Mais do que os grupos ou os indivíduos, são os comportamentos os principais alvos a atingir», acrescenta o relatório.
O CSIS pretende que as novas formas de parceria entre os sectores privado e público sejam favorecidas, de forma a «tirar partido do sucesso das fundações e organizações não governamentais», estas últimas consideradas a «chave do sucesso dos programas de prevenção».
Os autores do estudo põem em causa a legislação em vigor nos Estados Unidos que interdita a entrada naquele território de estrangeiros portadores do vírus. «A sida não pode ser travada nas fronteiras. A existência destas barreiras estigmatizam as comunidades imigrantes e visitantes estrangeiros criando um sentimento de falsa segurança, segundo o qual o vírus só existirá fora das fronteiras».
Para Timothy Wirth «se abordarmos o problema sob o ponto de vista dos interesses da segurança nacional, existem muitas nações que estão em guerra contra a doença infecciosa e perdem essa guerra».
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